Santuário com porcos do Rodoanel recebe animais retirados de sítio

Santuário com porcos do Rodoanel recebe animais retirados de sítio

Polícia Civil de Diadema (SP) fechou área após denúncia de poluição. Recinto em São Roque (SP) tem agora mais de 80 porcos.

Por Ana Carolina Levorato

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Dezenas de porcos retirados de um sítio de Diadema (SP) foram levados nesta semana para um santuário em São Roque (SP). O local é o mesmo que abriga os animais que ficaram feridos no tombamento de uma carreta no Rodoanel em agosto, na Grande São Paulo. De acordo com informações da Delegacia de Combate ao Crime de Meio Ambiente (Dicma) da cidade, os porcos estavam no bairro Eldorado, uma área considerada irregular para a criação de animais de grande porte.

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O local foi descoberto pela polícia após denúncias de que se tratava de um abatedouro clandestino, mas, segundo a polícia, não foram encontrados ganchos e nem animais mortos. O proprietário do sítio foi autuado em flagrante por poluição, já que os dejetos dos porcos estavam contaminando um córrego. Ele pagou uma fiança de aproximadamente R$ 800 e vai responder ao processo em liberdade.

Durante a vistoria no sítio, ativistas foram chamados para levar os porcos, que pesam de 100 kg a 300 kg, e uma jumenta que estava grávida. Em entrevista ao G1 nesta terça-feira (6), a proprietária do santuário em São Roque, Cintia Frattini, confirmou o resgate e afirmou que os animais estão bem. “Aparentemente, os porcos estão grandes e estão sendo cuidados. Agora, a gente está buscando por pessoas [vegetarianas] interessadas em adotar esses animais. Quatro deles serão levados pela mesma veterinária que adotou os bichos do Rodoanel, mas não está sendo nem um pouco fácil”, diz.

Com a chegada dos 29 animais, o santuário conta atualmente com mais de 80 porcos resgatados, já 56 animais do acidente no Rodoanel continuam no local. O G1 acompanhou a rotina dos animais depois do acidente e, segundo Cíntia, uma nova vaquinha online deve ser feita. “Dos R$ 300 mil arrecadados, recebemos R$ 200 mil. Já gastamos R$ 100 mil na estrutura para tratar dos porcos e agora, com a alta do dólar, estamos preocupados em manter a alimentação dos animais com trigo e milho. São muitos animais e precisamos de ajuda na adoação responsável deles”, explica a ativista.

A dona do santuário ressalta que todos os tutores terão que assinar um termo de adoção. “Obrigatoriamente eles terão que ser veganos e provar que possuem condições de cuidar das porcas, porque não é a mesma coisa que um cachorrinho”. A estimativa dos ativistas é de que o cuidado com cada animal gere uma despesa mínima de R$ 500 por mês.

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Cuidados

De acordo com o veterinário Marcos Machado, chefe de Serviço do Centro de Controle de Zoonoses do Departamento de Saúde de São Roque, os interessados em adotar os porcos terão que ter atenção especial com os animais. “Sugiro uma consulta prévia a um veterinário que esteja na região antes de adotar o suíno para saber se o que esta oferecendo é suficiente para o animal. É comum as pessoas, por ímpeto, errarem em adquirir o animal para ver o que fará depois”, afirma.

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A primeira coisa que os interessados devem ficar atentos é quanto a legislação da cidade onde moram ou pretendem manter os porcos. Na capital paulista, por exemplo, o artigo 25 da lei municipal de número 10.309 proíbe a criação e a manutenção de animais de espécie suína na zona urbana. Já em Sorocaba (SP), porcos e chiqueiros são permitidos somente na zona rural, conforme a lei 8.354. A mesma norma se estende a São Roque (lei nº 3.867) e outras cidades da região.

O ambiente em que os animais estarão devem ter uma cobertura para que possam se proteger do sol e um espaço para que eles caminhem. “Não existe medida padrão, quanto maior melhor. É preciso lembrar que é um animal que gosta de fuçar o chão, assim, uma área com terra seria interessante. O local deverá ser bem cercado para evitar fuga”, explica Machado.

Os animais devem receber água de boa qualidade e a vontade durante todo o dia. Segundo Machado, os criadores geralmente utilizam bebedouros automáticos encontrados em lojas agropecuárias. “A ração também deve ser fornecida no mínimo duas vezes ao dia e em horários fixos. Para facilitar, no rótulo de cada saco de ração, vem descrito a quantidade daquela ração a ser dada ao suíno.”

Segundo o veterinário, outro ponto que deve receber é a destinação das fezes, urina e restos de ração do animal. “A preferência é se usar uma uma fossa biodigestora desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Com essa atitude, com certeza não incomodará os vizinhos pois estará eliminando odores, não contamina as águas superficiais e nem o lençol freático, ajuda a evitar insetos alados como moscas, e o que poderia ser contaminante de ambiente se tornar adubo”.

Machado afirma ainda que o fato de os animais serem provenientes de frigorífico não deve alterar o comportamento dos porcos ou requerer necessidades especiais por parte dos novos donos. “No meu ponto de vista não, esses animais passaram a vida em confinamentos, normalmente são dóceis, ao assumir um animal o novo criador deverá estar atento nos primeiros dias a adaptação do suíno a nova forma de vida, procurando agradá-lo produzindo o bem estar para a espécie.”

Fonte: G1

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