Santuário pede exame complementar após laudo preliminar não apontar causa da morte de macaco Black

Santuário pede exame complementar após laudo preliminar não apontar causa da morte de macaco Black
Chimpanzé Black morre em santuário de Sorocaba — Foto: Divulgação

O laudo preliminar da morte do chimpanzé Black, que foi transferido do Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros” para o Santuário de Grandes Primatas, em Sorocaba (SP), após uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), não foi conclusivo. Com isso, exames complementares foram pedidos.

Segundo o Santuário, o primata tinha aproximadamente 50 anos. Um documento anexado no processo do caso afirma que na noite de 6 de fevereiro os veterinários foram medicá-lo e encontraram o animal caído, mas ainda estava com batimento cardíaco, pulsação e respirando.

Ele teve parada cardiorrespiratória enquanto era entubado para ventilação e oxigenação.

Black vivia atualmente com a chimpanzé Dolores, com quem mantinha uma rotina, segundo o Santuário, sem nenhum sinal aparente de doença. No entanto, ele estava obeso desde que havia sido transferido do Zoológico.

Conforme o documento, no dia 4 de fevereiro, Black começou a mancar com a perna esquerda e foi então isolado para observação nos dormitórios e evitar que fizesse mais esforço. Suspeitou-se de uma lesão no joelho.

Os veterinários iniciaram tratamento com anti-inflamatórios orais e foi mobilizada uma equipe para a realização de exames e diagnóstico de lesão.

Conforme a nota técnica sobre o óbito, na necropsia foi constata uma camada de gordura em torno de todo coração, ausência de dentes, próstata cerca de 10 vezes maior que o normal e vasos dilatados na região frontal do córtex cerebral.

No entanto, foi pedida a análise microscópica da bexiga, pulmão, rins, fígado, vesícula biliar, baço, coração, pâncreas, estômago, intestino delgado e grosso, próstata, encéfalo, cerebelo e tronco encefálico para determinar a causa da morte.

Black interagia com ‘vizinha’ no santuário em Sorocaba. — Foto: Arquivo pessoal

Resgatado de circo
 
Black chegou ao zoo de Sorocaba na década de 1970, quando foi resgatado de um circo. A última fêmea com quem o chimpanzé teve contato, Rita, morreu em 2010. Desde então, ele vivia sozinho no recinto do zoológico de Sorocaba.

A falta de convívio com a espécie foi um dos argumentos do pedido de transferência, feito pela Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda) e pela Associação Sempre Pelos Animais, de São Roque (SP).

O histórico clínico do animal, ao qual o G1 teve acesso, mostra que o primata precisou ser medicado por causa de estresse em 2012 e chegou a comer as próprias fezes em 2013, durante o período em que esteve no zoo.

Santuário dos macacos fica na zona rural de Sorocaba. — Foto: Arquivo pessoal

O local onde Black estava é uma propriedade particular, mantida por uma família fundadora, e é afiliado ao Great Ape Project/Projeto dos Grandes Primatas (GAP).

Até sua morte, ele vivia em uma área com grama, uma estrutura de três andares e com um cesto panorâmico. O animal era considerado idoso e, por isso, realizava exames regularmente para acompanhamento da saúde. 

Transferência

Chimpanzé Black vivia no zoológico de Sorocaba e foi transferido para um santuário. — Foto: Arquivo pessoal

A transferência de Black era discutida na Justiça havia mais de um ano. Em primeira instância, a mudança foi negada, mas uma nova decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo foi favorável.

Cerca de 12 pessoas chegaram a fazer uma manifestação no zoológico no dia da mudança para tentar impedir a entrada do caminhão que faria o transporte. 

Nova companheira

Black e Dolores no santuário de Sorocaba. — Foto: Divulgação

Por Carlos Henrique Dias

Fonte: G1

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