São Carlos (SP) tem 3º assassinato de cão em 5 dias e grupo oferece recompensa

São Carlos (SP) tem 3º assassinato de cão em 5 dias e grupo oferece recompensa
Cachorrinha Rihanna morreu amarrada à linha do trem (Foto: Vânia Vellano/Arquivo pessoal)

Um grupo de defensores de animais da região de São Carlos (SP) decidiu oferecer recompensa para quem tiver informações que levem à identificação dos autores dos assassinatos de cães registrados na cidade. O valor será definido de acordo com os dados e os interessados podem entrar em contato pelo Facebook.

Na quarta-feira (25), um cachorro morreu ao ser arremessado do alto de um edifício (vídeo acima, com imagens fortes). No domingo (29), um cão morreu atropelado após ser amarrado à linha do trem que corta o Jardim Paulista e, na segunda-feira (30), o crime se repetiu, dessa vez com uma cadela que havia escapado da residência dos donos.

“Perdemos a nossa cachorrinha, alguém colocou ela na linha do trem e ela morreu decepada”, escreveu a proprietária, Vânia Vellano, no Facebook.

Ela contou que o filho passou mal ao ver a cena e precisou ser medicado. “Estamos todos chocados com isso, espero que peguem esse monstro logo”.

Rihanna, como era chamada, foi encontrada presa aos trilhos nas proximidades dos prédios da CDHU e, como nos casos anteriores, ninguém foi detido.

Polícia

Kelly Priscila Gomes, uma das integrantes do grupo, denunciou o primeiro atropelamento à Delegacia Eletrônica de Proteção Animal na segunda-feira e, nesta terça, comunicou o novo caso.

Como a linha do trem divide as áreas pertencentes ao 2º e ao 3º DPs da cidade, ainda não está definido qual unidade cuidará das ocorrências.

O delegado do 3º DP, Aldo Donizetti Del Santo, disse que por enquanto não recebeu nenhum registro, mas explicou que, em situações como essas, a polícia conta com imagens de câmeras de segurança e testemunhas para chegar ao autor do crime, tipificado na Lei nº 9.605.

De acordo a legislação, a pena para quem fere ou mutila animais varia de três meses a um ano de detenção, além de multa, e é aumentada em caso de morte do bicho.

Prefeitura

Priscila contou que também pretendia levar os casos à área de proteção da prefeitura, mas desde a troca de gestão não há fiscais no município.

No domingo, animal foi encontrado morto no Jardim
Paulista (Foto: Genira de Souza/Arquivo pessoal)

O diretor do Departamento de Defesa e Controle Animal, Guilherme Marrara, informou que dois fiscais devem assumir o trabalho ainda nesta semana e que isso não está impedindo a atuação do departamento.

Ele afirmou também que toda denúncia recebida é checada e avaliada. “Em casos mais simples, o responsável pelo animal é orientado. Em situação de mau-tratos, o animal é retirado do local, o responsável é multado e um procedimento administrativo é instaurado, podendo ser encaminhado posteriormente ao Ministério Público”, respondeu.

Especificamente sobre as mortes, ele disse que o departamento não recebeu nenhuma denúncia e pediu auxílio da população para que os responsáveis pela crueldade sejam encontrados. “O apoio dos moradores é imprescindível para o bem estar dos animais”.

Maldade

Advogada e integrante do grupo, Luzia Helena Sanchez define o que está acontecendo na cidade como pura maldade. “Não tem outra razão. Que mal um cachorro faz?”.

Na sexta, cachorro foi encontrado preso em cima de
formigueiro (Foto: Priscila Gomes/Arquivo pessoal)

Ela contou que o grupo foi criado em dezembro, para cuidar de uma uma cachorra atropelada propositalmente, e desde então atua para encontrar lares temporários e inibir os maus-tratos a animais. “O objetivo é acabar com isso. Se a gente não fala, quem vai cuidar?”, questinou.

“Na sexta-feira, achei um cachorro amarrado no meio do mato, em cima de um formigueiro. Meu medo hoje era acordar, abrir o Facebook e ver novos casos, mas a gente não pode fugir”, disse Priscila.

Por Stefhanie Piovezan

Fonte: G1

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