São José (SC): após protestos, 30 animais vítimas de maus-tratos são resgatados

São José (SC): após protestos, 30 animais vítimas de maus-tratos são resgatados
Campanha iniciada pelos ativistas angariou dinheiro para compra de feno para alimentar os animais. (Foto: Divulgação)

Foi deferido pela Justiça o pedido de busca e apreensão criminal realizado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) para o resgate de cerca de 30 animais bovinos que estariam sofrendo maus tratos, abandonados sem água e comida adequada em um terreno na localidade de Alto Forquilhinhas, no Município de São José. A área onde os bois foram encontrados fica na rua Luiz Carolino Pereira, perto da Igreja Católica, ao lado do colégio Valdete, na primeira rua à esquerda, antes da ponte.

Na semana passada, um grupo de ativistas de causas ambientais promoveu uma manifestação no local, iniciando uma campanha para prestar cuidados e resgatar os animais. Eles haviam sido informados que haviam suspeitos tentando roubar alguns bezerros durante a madrugada.

Os primeiros ativistas alertados pela denúncia chegaram ao local ainda pela manhã. Também estiveram por ali fiscais da Cidasc. Os animais encontrados no local são na maioria do chamado Gado Nelore, segundo os especialistas uma das raças onde o animal é considerado mais gordo. No entanto, o grupo localizado pelos ativistas é formado por animais que aparentam estar muito magros e desnutridos.

O pedido de busca e apreensão foi feito pelo Promotor de Justiça Raul de Araújo Santos Neto, com atuação na área do meio ambiente na Comarca de São José, depois de receber por parte da Comissão de Direitos dos Animais da OAB de São José relatos de maus-tratos e relatório de inspeção da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC) atestando a grave situação dos animais.

De acordo com as informações recebidas pela Promotoria de Justiça, os animais estavam submetidos a intenso sofrimento pela falta de alimentação e água, o que causou inclusive a morte de alguns bovinos – cerca de cinco carcaças em decomposição foram encontradas no local.

Na quinta-feira (27), mesmo dia no qual recebeu as informações o Promotor de Justiça remeteu o pedido ao Poder Judiciário para proteção e evitar mais mortes e sofrimento dos animais e requisitou a instauração de inquérito policial à 1ª delegacia de Polícia de São José a fim de apurar a prática de crime ambiental.

A busca e apreensão foi deferida na sexta-feira (28), pelo Juízo de plantão da Comarca de São José, e cumprida nesta segunda-feira (31/10). Os animais ficaram sob a guarda da Comissão de Direitos dos Animais da OAB que providenciou, com apoio da CIDASC, a remoção para um local adequado.

A Promotoria de Justiça aguarda, agora, a conclusão dos laudos periciais e do inquérito policial para tomar as medidas judiciais cíveis e penais cabíveis, caso os maus-tratos sejam comprovados.

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