Segurança do Carrefour que aparece em vídeo com barra espantando cão que morreu alega que não quis ferir animal

Segurança do Carrefour que aparece em vídeo com barra espantando cão que morreu alega que não quis ferir animal
Cachorro é envenenado e espancado em supermercado, dizem ativistas — Foto: Reprodução/Facebook

O segurança do supermercado Carrefour em Osasco, na Grande São Paulo, que aparece num vídeo espantando um cachorro abandonado com uma barra, na semana passada, alegou na última quinta-feira (6), em depoimento à Polícia Civil, que não quis ferir o animal. Ele é investigado por suspeita de maus-tratos.

https://youtu.be/DXE1PR9KIYg

Imagens mostram o cão sangrando na pata traseira esquerda antes de ser laçado e levado por funcionários da prefeitura para uma unidade de socorro, onde morreu. Segundo a veterinária que o atendeu disse à investigação, Manchinha, como o bicho era conhecido, entrou em óbito em decorrência de hemorragia.

Por meio de nota enviada na noite desta sexta-feira (7) ao G1, a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o segurança do supermercado, que não teve o nome divulgado, “declarou em seu depoimento que acertou o cão com a barra de alumínio de forma não-intencional no estacionamento da loja.”

Ainda, segundo a pasta da Segurança, o segurança do Carrefour “teria usado a barra para bater no chão com objetivo de afugentar o cão e só percebeu que tinha acertado o animal quando este voltou à loja já sangrando.”

O segurança ainda declarou à investigação que só foi retirar o animal do local após ordens de cima. “Segundo ele, o animal rosnou ao ser retirado da área interna da loja pelo funcionário, que alegou ter feito isso a pedido de seus superiores”.

O caso Manchinha repercutiu nas redes sociais. A Delegacia de Polícia de Investigações Sobre o Meio Ambiente investiga o que pode ter causado a morte do bicho e as eventuais responsabilidades por ela.

Entre as prováveis hipótese estão: um corte na pata traseira do cachorro causado pela barra usada pelo segurança; um enforcador usado por um funcionário da prefeitura para laçar o pescoço do bicho, asfixiando-o, ou ainda se ele foi envenenado ou atropelado.

Abuso

O segurança está em liberdade e deverá responder futuramente por abuso a animais, que está previsto no artigo 32 da Lei número 9.605/98 de Crimes Ambientais. São enquadrados nesse artigo da lei quem fere ou mutila animais domésticos, silvestres, nativos ou exóticos. Se condenado, o agressor pode receber pena de detenção de três meses a um ano, além de multa.

Em tese, o segurança do Carrefour poderá ser indiciado, isto é, responsabilizado formalmente pelo crime. O G1 não conseguiu localizar a defesa do investigado para comentar o assunto.

“A Delegacia de Investigações sobre o Meio Ambiente deve concluir o inquérito na próxima semana, após oitiva de mais três testemunhas, e encaminhar ao poder judiciário”, informa outro trecho da nota da Segurança Pública. Mais de 20 pessoas já foram ouvidas.

Por conta da repercussão do caso, a delegada Silvia Fagundes não está dando mais entrevistas sob a alegação de que isso pode atrapalhar a investigação.

Boletim de ocorrência informa que Manchinha teve sangramento e depois parada respiratória, indo a óbito — Foto: Reprodução/Polícia Civil
Boletim de ocorrência informa que Manchinha teve sangramento e depois parada respiratória, indo a óbito — Foto: Reprodução/Polícia Civil

Vídeos e fotos

As câmeras do supermercado não flagraram o momento que o segurança agride Manchinha.
Vídeos feitos por quem estava no local ainda registraram funcionários do Departamento Animal de Osasco usarem uma enforcadeira para laçar o pescoço do cachorro. Eles estavam resgatando o animal para leva-lo à unidade da prefeitura. Mas nas imagens é possível ver o bicho se debatendo e depois desmaiando.

Manchinha morreu em unidade da prefeitura de Osasco — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Manchinha morreu em unidade da prefeitura de Osasco — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Sangramento

Levado ao Departamento Animal, Manchinha foi atendido por uma veterinária que prestou depoimento à polícia. No boletim de ocorrência do caso, foi informado que Manchinha chegou “desfalecido e agonizando” à unidade prefeitura, sendo “diagnosticado” com “hemorragia digestiva alta”.

Posteriormente, após “manobras de reanimação”, o cão “apresentou parada respiratória” e veio “a óbito”, quase três horas após ter sido resgatado.

“Como o órgão havia sido informado que se trataria de um atropelamento, realizou a cremação, de acordo com os procedimentos”, informa nota da SSP a respeito do caso.

Mas com cremação do bicho em Mauá, outra cidade da Grande São Paulo, não foi possível fazer o laudo necroscópico dele. Por esse motivo, a médica que o atendeu foi ouvida novamente para esclarecer alguns pontos que a investigação tinha dúvidas. Também há relatos de testemunhas de que o cachorro teria sido envenenado ou até mesmo atropelado.

Além de analisar as câmeras de segurança e fotos do caso Manchinha, que foram amplamente divulgadas e compartilhadas na internet e em aplicativos de celulares por ativistas, a delegacia busca mais vídeos que possam ter gravado o momento que o cão foi agredido.

Vídeo: MP investiga morte de cachorro em Osasco, SP

Por meio de nota enviada à imprensa, o Carrefour informou que afastou o segurança que aparece espantando Manchinha com uma barra.

O supermercado ainda comunicou que “reconhece que um grave problema ocorreu em sua loja de Osasco” e que a “empresa não vai se eximir de sua responsabilidade”.

“Estamos tristes com a morte desse animal, pois já era considerado um mascote por alguns colaboradores”, informa outro trecho da nota do Carrefour. Manchinha ficava no estacionamento do Carrefour, onde era alimentado por clientes e funcionários. Era considerado um cão dócil.

Postagem de ativista nas redes sociais relata que cachorro foi espancado e envenenado por funcionário de unidade do Carrefour. — Fotos: Reprodução/Facebook

Prefeitura

Também por nota, a prefeitura de Osasco informou que o Departamento Animal fez o procedimento padrão para recolher Manchinha.

“O manejo foi realizado por um oficial de controle animal qualificado e o animal foi encaminhado ao departamento para atendimento emergencial”, informa o comunicado da administração pública.

“O animal deu entrada consciente no departamento em decúbito lateral (deitado de lado), mucosas anêmicas, hipotensão severa (pressão baixa), hipotermia intensa, hematêmese (vômito com sangue) e escoriações múltiplas”, informa outro trecho da nota. “Apesar do tratamento instituído, o animal veio a óbito”.

Mesmo assim, nota da Secretaria da Segurança informa que “segundo o que apurou a Polícia até o momento, o Carrefour não prestou socorro ao animal, tendo apenas acionado o Centro de Zoonoses”.

Ministério Público

O Ministério Público (MP) de Osasco também instaurou inquérito para acompanhar a investigação policial. O caso está com o promotor Marco Antônio de Souza, que, segundo a assessoria de imprensa do MP, ainda não quer comentar o assunto porque “o inquérito Civil instaurado está na fase inicial.”

Por Kleber Tomaz

Fonte: G1


Nota do Olhar Animal: Uma pancada que mata o animal após lhe causar grande sangramento certamente não condiz com uma suposta intenção de espantá-lo sem ferir, que é a versão que agora este segurança quer que as autoridades policiais e a população acredite. Inverossímil.

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.