Seis anos de prisão para pirómano suspeito de ter incendiado canil de Santo Tirso, Portugal

Seis anos de prisão para pirómano suspeito de ter incendiado canil de Santo Tirso, Portugal
Canil em Santo Tirso foi incendiado. PAULO PIMENTA

O tribunal de São João Novo, no Porto, condenou esta quinta-feira a seis anos de prisão um homem que ateou quatro incêndios florestais nos concelhos de Valongo e Paredes entre Maio e Agosto de 2020.

O arguido, um electricista de 29 anos, estava acusado por atear 62 incêndios no distrito do Porto, mas o tribunal considerou provado que foi responsável somente por quatro.

Em audiência para produção de prova, o arguido tinha assumido apenas a autoria de três e entre os que excluiu conta-se o que matou 75 cães e gatos numa zona serrana de Santo Tirso. Também o tribunal exclui este fogo da lista dos ateados pelo arguido.

No dia do incêndio que deflagrou em Valongo e que veio a atingir abrigos ilegais para animais na serra da Agrela, em Santo Tirso, deflagram mais seis incêndios.

“O tribunal não está aqui para escolher incêndios”, disse a presidente colectivo de juízes.

A magistrada recordou também que o caso da serra da Agrela está a ser alvo de processo autónomo que corre no Tribunal Santo Tirso e directamente relacionado com maus-tratos aos animais.

O homem, que um juiz de instrução criminal mandou prender preventivamente, foi detido pela Polícia Judiciária a 5 de Agosto de 2020, após ter dado início a um incêndio junto ao kartódromo de Baltar, no concelho de Paredes, conforme revelou então a Polícia Judiciária.

O pirómano “estava consciente dos riscos, mas isso não o impediu de prosseguir numa actividade repetida, deliberada e prolongada no tempo, que apenas se pode explicar por uma atitude de satisfação pelos danos e perigos causados”, segundo acusação.

Esta quinta-feira, na leitura do acórdão, a presidente do colectivo de juízes de São João Novo acrescentou que o arguido tem “propensão grande para a prática destes crimes, mas é imputável”.

Disse ainda que 37% dos incêndios ateados em Portugal são da responsabilidade de pessoas imputáveis, ou seja, responsabilizáveis criminalmente pelos seus atos.

A pena global de seis anos de prisão aplicada ao arguido corresponde a penas parcelares de quatro anos de prisão, um ano e meio, dois anos e 10 meses e mais dois anos e 10 meses por fogos ateados em Valongo e Paredes em 12 de Julho de 2020, em 29 do mesmo mês, a 4 de Agosto e 5 do mês.

Todos os incêndios resultaram numa área ardida de 1,5 hectares.

Até trânsito em julgado da pena o arguido mantém-se em prisão preventiva.

Fonte: Público / mantida a grafia lusitana original 

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