Sem captura, mais de 2 mil cães estão abandonados em Itumbiara, GO

Sem captura, mais de 2 mil cães estão abandonados em Itumbiara, GO

Centro de Zoonoses afirma que só pode recolher animais doentes. Veterinários e população tentam ajudar promovendo adoção dos bichos.

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Um levantamento feito por uma organização protetora de animais estima que mais de 2 mil cães estejam abandonados nas ruas de Itumbiara, no sul de Goiás. O número aumentou depois que o Centro de Zoonoses do município parou de recolher os animais baseado em uma portaria divulgada pelo Ministério da Saúde em maio deste ano.

“O Centro de Controle de Zoonoses tem a finalidade específica que é, única e exclusivamente, receber, capturar e fazer procedimentos em animais somente com doenças que podem ser transmitidas dos animais para os homens”, afirmou o diretor do órgão, Hebert Andrade.

Com isso, as 16 baias do local estão vazias e o veículo utilizado para fazer as capturas pouco é utilizado. Ainda de acordo com o diretor, a responsabilidade de fazer o serviço passou a ser da Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) da cidade.
A prefeitura informou que a SMT não tem estrutura para fazer a captura, mas que para resolver o problema, pretende usar os carros emprestados do Centro de Zoonoses.
Adoção

Enquanto o problema não é resolvido, a população tenta fazer sua parte. O veterinário Murilo Junqueira expõe alguns bichos para adoção em seu pet shop, mas diz que as exigências em relação aos animais torna o trabalho difícil.
“Quando o cachorro é de porte pequeno ou filhote, a gente arruma dono fácil, em um ou dois dias. O problema é quando é adulto ou de porte grande. Aí ninguém quer”, lamenta.

Contrariando essa lógica, o autônomo Vagner Martins já adotou 15 cães e seis gatos. Ele chega a gastar até R$ 1 mil por mês com comida e medicamentos para os animais, mas diz que mesmo assim se sente realizado com a boa ação.
“Eles não têm ninguém por eles, só a gente. Não tem como pedir, não direito de escolha, eles são escolhidos. Cabe a nós, pessoas de bem, ajudar essas criaturas”, indica.

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Fonte: G1 

Nota do Olhar Animal: A portaria do Ministério da Saúde, que limita a ação dos centros municipais de zoonoses em relação aos animais abandonados, caiu como uma luva para as “autoridades” que queriam permanecer na sua omissão, que não queriam trabalhar. Um fato curioso é esta portaria ter sido gestada após o crescimento da pressão da sociedade para que os animais não fossem covardemente assassinados sob o pretexto do controle populacional, medida condenada inclusive tecnicamente pela Organização Mundial de Saúde, órgão da ONU. Antes, quando a matança corria sem maiores censuras, o Ministério da Saúde e as prefeituras não se importavam em promover o extermínio. Agora, quando a sociedade passa a exigir ética e competência técnica para o enfrentamento da questão, baixam esta norma dizendo que a responsabilidade não é deles. Parece algo bem doentio esta sanha pela matança, digna de avaliações psiquiátricas. E é uma vergonha total a atitude dessa gente que defende tudo, menos o interesse público. A norma reflete claramente o interesse das “autoridades” em exclusivamente se livrar de responsabilidades. Não fosse isso, teriam ampliado a discussão, incluindo as ONGs, as secretarias municipais de meio ambiente etc., criando previamente condições para que houvesse uma transição. Não, simplesmente disseram “esse assunto não é comigo”. Afrontaram a população e os animais. Recomendamos fortemente às ONGs de proteção animal que acionem judicialmente as prefeituras que não cumprem este papel, que não promovem o controle populacional e os cuidados com os animais. Devem ser processadas inclusive por improbidade administrativa. E recomendamos também que seja questionada a legalidade desta norma do Ministério da Saúde, já que a superpopulação de cães e gatos tem, sim, ligações estreitas com a questão da saúde humana. E para controlá-la é necessário lidar com os animais saudáveis abandonados pelas ruas.

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