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Sem local para destinação, hospital arca com despesas de animais

Hospital está ameaçado por causa das despesas altas do tratamento. Instituição diz que Ibama e governo não repassam verbas.

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O trabalho do hospital veterinário da Unirp, faculdade de São José do Rio Preto (SP), está ameaçado por causa das despesas altas no tratamento de animais silvestres resgatados. Todos os animais que ficam feridos em atropelamentos ou em queimadas são resgatados pela Polícia Ambiental, Ibama e bombeiros, e levados para o hospital veterinário. É uma parceria que ajuda na recuperação de centenas de animais. Mas as despesas com os tratamentos estão altas demais e, segundo a faculdade, nenhum órgão público ajuda a pagar a conta.

Quando o carro da Polícia Ambiental estaciona no hospital veterinário da faculdade é quase sempre por um mesmo motivo: trazer animais vítimas de atropelamentos e de queimadas na região. “Em regra são acidentes em rodovias, estradas. O animal é atropelado e está machucado, os bombeiros resgataram, trazem para a Polícia Ambiental e são encaminhados para o hospital”, afirma o tenente Emerson Mioransi.

Ao todo, o hospital atende por ano 400 animais. A captura de animais acontece com frequência em muitas cidades. Em um dos casos, um veado catingueiro apareceu em Ipiguá (SP), chamando a atenção dos moradores. O resgate em cativeiro também é trabalho da Polícia Ambiental e, frequentemente, tamanduás, araras e filhotes de papagaio são recolhidos. Em 55% dos casos, os animais conseguem voltar para a natureza.

Mas quando estão machucados, são trazidos para o hospital da Unirp. Atualmente, o hospital trata 40 animais. Eles são tratados até se recuperar, mas, pelo menos metade deles fica no local, e as despesas, por conta do hospital. E aí é que começa o problema.

Isso porque mesmo já saudáveis os animais não tem para onde ir. Algumas espécies não são aceitas em bosques, nem zoológicos. Hoje o hospital está com mais de 20 animais e a despesa mensal chega a R$ 40 mil só com medicamentos e alimentação. Fora isso, ainda tem os salários de dois funcionários, um médico veterinário e um biólogo. “Esses animais vindo da polícia, dos bombeiros, do Ibama e da Secretaria do Meio Ambiente, ninguém paga essa conta, quem arca com as despesa de cirurgia, exames, alimentação e medicação é o hospital”, afirma a médica veterinária do hospital Tatiana Morosini Cruvinel.

Cachorro do mato são sete hoje no hospital e tem ainda um macaco bugio que há quatro anos mora no local. Outro da mesma espécie foi encontrado ainda filhote e precisou receber os cuidados dos veterinários. Só que quando eles crescem sob esses cuidados, não sobrevivem mais sozinhos na natureza. O mesmo acontece com as aves e uma arara canindé não voa e virou moradora do hospital. “É muito caro e a instituição sabe disso, vê isso como área de estágio para os alunos, isso é um diferencial para a universidade. O que queremos é não parar de atender e, para isso, precisamos arrumar destinação dos animais o mais rápido possível”, diz Tatiana.

O Corpo de Bombeiros, a Polícia Ambiental e o Ibama disseram que levam animais para o hospital veterinário porque tem um acordo com a instituição. Sobre o repasse de verbas para o hospital, nenhum dos órgãos se manifestou sobre isso. A Secretaria do Meio Ambiente de Rio Preto disse que não destina animais para o hospital universitário, o que existe é uma parceria para que bichos do hospital fiquem no bosque municipal, como forma de recolocação na natureza.

Fonte: G1

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