Sem visitas e voluntários, Associação Mata Ciliar tem queda nas doações

Sem visitas e voluntários, Associação Mata Ciliar tem queda nas doações

Os setores público e privado não foram os únicos a sentirem os reflexos da pandemia. As organizações do terceiro setor, ONGs e entidades filantrópicas também tiveram queda considerável nas arrecadações com a chegada do novo coronavírus no Brasil.

Na Associação Mata Ciliar, organização não-governamental de Jundiaí (SP) que desenvolve trabalhos de educação ambiental, reabilitação de animais silvestres e pesquisa científica, a pandemia também abalou os programas de voluntariado e estágio, essenciais para a manutenção dos serviços.

“Também houve redução no número de novos apadrinhamentos de animais”, pontua Samuel Nunes, coordenador de Comunicação da Associação Mata Ciliar.

“Obviamente há um impacto nos recursos que são aplicados para a manutenção dos trabalhos, tendo em vista que, mesmo com a pandemia, os animais continuam chegando ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres, o Cras”, afirma.

Esta é outra reação da pandemia: os recursos diminuem, mas o trabalho não para.

Com a redução da movimentação, principalmente de veículos, os animais estão sendo avistados mais frequentemente em área urbana.

Segundo Samuel, muitos aproveitaram o período da pandemia para devastar áreas naturais. “Os animais continuam sendo expulsos do seu habitat natural e isso ficou mais evidente na época do isolamento. As entradas de animais no Cras continuam sendo pelos mesmos motivos, até mesmo vítimas de atropelamento mesmo com a redução de carros nas ruas”, explica.

“Nesse contexto em que os animais estão sendo ’empurrados’ para fora do seu ambiente natural, é muito comum que eles ‘apareçam’ nas cidades. Não necessariamente é preciso tirá-los de lá, casos eles estejam íntegros”, destaca o coordenador.

O ideal é saber distinguir em quais condições essa espécie está:

  • Se o ambiente for seguro, como a aparição de um sagui na árvore, por exemplo, basta esperar por alguns minutos e será possível observar eles voltarem sozinhos para a mata. “Essa situação é muito comum em nossa região onde as áreas urbanas são muito próximas a vegetações nativas”, ressalta.
  • Caso os animais estejam em áreas de risco, como um gambá que apareça em um quintal com cachorros por exemplo, o ideal é prender os cães e esperar que o gambá volte para a mata.
  • Se o animal silvestre já estiver machucado ou em situação de risco iminente o correto é entrar em contato com o órgão público da cidade. “Jamais tentar pegar ou conter o animal, pois pode ser perigoso tanto para o animal quanto para a pessoa”, defende. Em Jundiaí, o Corpo de Bombeiros pode ser contactado pelo telefone de emergência 193. Polícia Ambiental atende pelo (11) 4588-8960.

Reforço

Geralmente, são esses animais machucados, vítimas de atropelamento, queimadas e caça, que chegam à Associação Mata Ciliar. Alguns, depois de receberem cuidados, são soltos em áreas seguras, outros, podem passar o resto de suas vidas em recintos. Por isso, o custeio do trabalho do Centro de Reabilitação não é barato.

Há gastos com a alimentação das espécies, com medicação e equipamentos hospitalares, pessoal, gastos administrativos, reformas e taxas tributárias.

Com as visitas monitoradas suspensas devido à pandemia, atualmente, uma das formas de ajudar financeiramente a organização é por meio do “Adote um Animal”, tornando-se padrinho ou madrinha de um dos animais que estão sob os cuidados da Associação.

“Colaborando com R$ 20,00 mensais ou R$ 240,00 anual o participante contribui para a manutenção de nossos trabalhos e recebe mensalmente informações sobre seu afilhado”, explica Samuel.

Cinco animais podem ser apadrinhados: a arara Bailarina, o lobo-guará Lobito, a onça-parda Mima, o bugio Grinch e a jaguatirica Pitango.

Para conhecer a história de cada um deles e se tornar um padrinho, clique aqui.

Por Larissa Knupp

Fonte: Tribuna de Jundiaí

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