Sergipe é o 18º estado a ter comissão de direitos dos animais da OAB

Sergipe é o 18º estado a ter comissão de direitos dos animais da OAB

Por Fernanda Araujo

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A Comissão de Direito dos Animais da Ordem dos Advogados de Sergipe (OAB/SE), instituída na segunda-feira (30), que defenderá o direito ao respeito e à existência de todos os animais, será presidida por Renata Mezzarano Spektor Cardoso e composta pela vice, Patrícia dos Santos Richrman. A iniciativa é considerada pelos defensores de animais o primeiro passo para dar respaldo às leis e para se chegar a punições mais severas aos agressores. Sergipe, ontem, se transformou no 18º estado brasileiro a ter essa comissão.

Para Nazaré Morais (foto abaixo), presidente da ONG Educação e Legislação Animal – ELAN, a comissão é imprescindível para a criação e manutenção dos direitos dos animais. “É uma consciência crescente, graças a Deus, Sergipe não esperou para ser o último estado do país a fazer isso, mas a relevância disso é gigantesca. Acredito que poderá haver melhor punição e uma abordagem mais correta do respeito à vida”, afirma.

Nazaré se lembra de um caso em Graccho Cardoso, onde um idoso amarrou em seu carro um jegue e o arrastou por cerca de quatro quilômetros, em 2013. “Se nós tivéssemos uma comissão naquela época, imagine o respaldo, a relevância de uma instituição como a OAB estando envolvida nisso. Segundo o FBI, mais de 80% de quem maltrata animal vai terminar fazendo contra a vida humana. Logo em seguida aquele crime, um jovem matou outro jegue de chuchada quase no mesmo lugar. Tem que coibir esses crimes”.

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Outros casos graves de agressões contra animais foram registrados no final do ano passado. “Um juiz deu um tiro em um cachorro em Propriá; uma ninhada de gatos que alguém colocou em um saco plástico e tocou fogo no Bugio; uma gatinha que apareceu no Mercado colocaram bomba e explodiram ela, quase todos ao mesmo tempo”, relembra Nazaré.

Em agosto, a ELAN deve ir à Brasília cobrar a criação de uma CPI dos Animais, de combate ao crime. Entre os assuntos que serão pautados, caso se instaure a CPI, consta a utilização de cavalos em carroça.

“O cavalo vive em média 23 anos, quando utilizado em carroça a vida dele é no máximo cinco anos. E esses corpos sendo jogados à toa. Quando não se respeita a vida dos animais, consequentemente, a vida humana é atingida. Um animal morto não tem cemitério, fica a esmo, todos os insetos que têm contato com esse corpo voltam para o nosso convívio, prejudicando a saúde pública; líquidos podres voltam para os lençóis freáticos, para as torneiras. Só que não tem ninguém pensando nisso”, lamenta.

E continua – Nesse momento, tem esgotos autorizados pela Prefeitura de Aracaju desaguando na lagoa da Sementeira. As bactérias se proliferam, quando chega à época de estiagem a água baixa o nível, tem uma mortandade gigantesca de peixes por afogamento, as aves que comem esses peixes morrem da mesma maneira. Toda essa matéria orgânica contaminada é jogada na natureza sem o menor respeito. Precisamos ter consciência de respeitar a vida do outro sem que sejamos afetados de forma maligna.

Fonte: F5 News

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