Seriema é encontrada em casa de Mogi das Cruzes (SP) e solta no Parque Leon Feffer

Seriema é encontrada em casa de Mogi das Cruzes (SP) e solta no Parque Leon Feffer
Ave silvestre foi resgatada pelo veterinário Jefferson Leite com agentes da Patrulha Rural da Guarda Municipa. (Foto: Divulgação)

Um exemplar de seriema (Cariama cristata) foi solto, ontem, no Parque Leon Feffer, após haver sido resgatado do interior de uma residência localizada no número 400 da Rua Cabo Diogo Oliver, no Bairro do Mogilar, em Mogi. O trabalho foi efetuado por integrantes da Patrulha Rural da Guarda Municipal, em conjunto com o veterinário Jefferson Renan de Araújo Leite, do Setor de Zoonoses da Prefeitura.

A Guarda foi acionada pelos moradores, que ficaram surpresos ao encontrarem a enorme ave no interior da casa. O macho de penas cinza escuro, pesava mais ou menos 8 quilos e tinha uma envergadura de cerca de 60 cm, do bico até o rabo, foi apanhado e levado ao consultório do veterinário para uma avaliação. Como nenhum problema foi encontrado, a ave foi levada para o parque da Vila São Francisco, em Braz Cubas, onde acabou devolvida à natureza.

“Quando foi solta, a ave correu para o interior da mata ali existente, de onde ela deverá seguir para alguma região de campo, onde costuma viver”, disse o veterinário, lembrando que a seriema é típica do cerrado, mas que tem aparecido com frequência em regiões como a de Guararema e Mogi das Cruzes.

Jefferson explica que a expansão do desmatamento abre novas áreas de sobrevivências para a ave, comum na região Centro-Oeste do País, em estados como o Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

A exemplo de outra ave do cerrado, o quero-quero, a seriema vem se adaptando bem ao Sudeste, em especial na região de Mogi. Espécie que se caracteriza por voos curtos, a seriema se alimenta de insetos, cobras, lagartos, rãs, aves jovens e  roedores, com pequenas quantidades de alimento vegetal (incluindo milho e feijão).

Elas costumam ser encontradas com frequência em pastagem de gado, onde capturam insetos que incomodam os animais. Quando os machos capturam pequenos répteis, eles batem a presa no chão ou a atiram em uma superfície dura para quebrar a resistência e também os ossos.

Os machos apresentam cor acinzentada mais escura, enquanto as fêmeas têm as penas mas claras. Costumam viver em bandos ou famílias de quatro a cinco integrantes. Mesmo capazes de voar, as seriemas preferem passar a maior parte do tempo em terra firme, onde conseguem desenvolver grande velocidade em suas corridas.

O canto da seriema é muito conhecido no Interior do Brasil e pode ser ouvido a distância superior a um quilômetro. A vocalização da ave, estridente e aflautada, como uma risada contínua, é imitada em músicas típicas do Centro-Oeste do País, com ajuda de instrumentos musicais como viola e sanfona. Também é conhecida como sariema, seriema-do-pé-vermelho ou siriema.

Sem ferimentos, ave foi devolvida à natureza

A devolução para a natureza da seriema encontrada, ontem, no Mogilar só foi possível porque a ave não apresentava qualquer tipo de ferimento, após ser capturada pelo pessoal especializado da Patrulha Rural, que já tem sido chamado para outras ocorrências semelhantes, como o resgate de um gato maracajá, encontrado, semana passada, no Distrito de Taiaçupeba.

Se os animais apresentassem algum tipo de problema, não teriam um local específico para ser atendidos, pois a Cidade ainda se ressente da falta de um setor que o veterinário Jefferson Renan de Araújo Leite vem defendendo há muito tempo para Mogi.

Trata-se do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), um local dotado de infraestrutura para atendimento a diferentes tipos de animais que apresentem problemas de saúde ao serem capturados. Apesar de reivindicado junto às autoridades, não existe ainda qualquer previsão para que Mogi passe a contar com um equipamento de grande importância para o atendimento aos animais até que eles possam ser devolvidos aos seus habitats de origem.

Por Darwin Valente

Fonte: O diário de Mogi

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