Situação de abrigo de animais que pode fechar é debatida em Belém

Situação de abrigo de animais que pode fechar é debatida em Belém

Autoridades discutiram soluções para a entidade em reunião nesta terça, 5. Laudo do CPC atestou a poluição ambiental no espaço, em Outeiro.

Representantes do abrigo de animais Au Family, no distrito de Outeiro, em Belém, se reuniram na tarde desta terça-feira (5) com representantes da Prefeitura de Belém, da Polícia Civil e de instituições ligadas à causa animal para discutir soluções para a situação da entidade, que abriga cerca de 500 animais e pode fechar as portas após ter sido denunciada por poluição ambiental.

No dia 29 de junho, a proprietária do imóvel onde funciona o abrigo foi chamada a comparecer na Divisão Especializada em Meio Ambiente (Dema), que entrou no caso após moradores denunciarem o mau cheiro e barulho vindos do espaço. A Dema instaurou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por poluição ambiental.

Um laudo do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, solicitado pela Divisão Especializada em Meio Ambiente (Dema), atestou a poluição ambiental no local, devido ao despejo de afluentes líquidos (lavagem das fezes, urina e restos de comida) diretamente na rede de drenagem da rua, sem tratamento adequado.

Participaram da reunião nesta terça representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), da Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém (Codem), do Centro de Controle de Zoonoses de Belém (CCZ), além de representantes do Fórum de Defesa dos Animais.

Segundo Monique Leão, que faz parte da coordenação do abrigo, o objetivo da reunião foi discutir idéias e encontrar soluções imediatas e a longo prazo para o problema. “Entendemos que o abrigo ali está incomodando os vizinhos e as reclamações e desentendimentos constantes com eles também prejudicam o nosso trabalho”, diz ela.

Monique afirma ainda que algumas ações imediatas foram discutidas, como ações do CCZ na área do abrigo com o castra móvel, além de palestras e orientações para os moradores da área, que estariam abandonando animais na porta da entidade. O abrigo mantém suas atividades sem poder aumentar o número de animais atendidos.

“É reconhecido por todos que o abrigo precisa passar por adequações e futuramente até uma mudança de local. Precisaremos de uma força tarefa de todos, colaboradores, voluntários e órgãos que puderem ajudar e pensar juntos neste momento, pois são vidas que estamos lidando”, defende Monique.

A Prefeitura de Belém informou que manifestou interesse em ajudar o abrigo a encontrar soluções para o caso, ainda que a questão levantada pela Dema esteja fora do âmbito municipal. Ainda segundo a Prefeitura, as propostas discutidas serão avaliadas como alternativas para solucionar os problemas enfrentados pelo abrigo.

Polêmica

O caso ganhou repercussão entre protetores de animais nas redes sociais. “Quer dizer que uma cidadã que dedica a sua vida a uma ONG que promove o bem, diga-se de passagem, que faz o trabalho que o governo e as prefeituras não fazem, está sob acusação crime ambiental? E o que essas autoridades tem feito de bom pelo saneamento básico não só de Outeiro, onde fica o abrigo, mas de toda a região metropolitana? Não, as vidas dos animais não são menos nem mais importantes do que dos seres humanos. São vidas e merecem respeito”, pontuou a jornalista Dani Brabo, que defende a causa animal, em sua página nas redes sociais.

Um grupo de apoiadores da causa organizou, através das redes sociais, uma passeata em favor dos animais do Au Family para este domingo (3), às 9h, na Praça da República.

TCO

De acordo com a Polícia Civil, não é de competência da Dema determinar o fechamento de abrigos de animais, já que não emite licença para funcionamento desses estabelecimentos. Compete à Dema apurar denúncias de crimes ambientais previstos na Lei 9.605/98, conhecida como Lei de Crimes Ambientais.

No caso do abrigo Au Family, a Dema instaurou procedimento para apurar, especificamente, denúncias feitas por moradores da vizinhança do local e encaminhadas à delegacia, por meio de um abaixo-assinado, registrado no ano passado, referente à quantidade excessiva de animais abrigados, do barulho excessivo gerado por eles, além da poluição ambiental e do mau cheiro exalado pelo abrigo.

PA Belem situacao abrigo fechar debatida2Segundo a polícia, o caso vai seguir para o Juizado Especial de Meio Ambiente do Tribunal de Justiça do Estado.

Abrigo

O grupo de voluntários responsável pelo abrigo atua há seis anos na proteção e adoção de cães e gatos abandonados na Grande Belém. Atualmente, o espaço acolhe cerca de 500 animais e vive de doações e eventos beneficentes realizados para arrecadar fundos e que ajudam a manter o funcionamento do local.

O abrigo salva os animais de situações de abandono, risco, maus tratos, atropelamentos, espancamentos até violências sexuais. O Au Family foi o espaço que acolheu os cães resgatados de Santa Cruz do Arari, sobreviventes do massacre de animais que aconteceu no mês de junho de 2013.

Fonte: G1

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