‘Só deu tempo de salvar os animais’, diz desalojada pela chuva em Aracaju, SE

‘Só deu tempo de salvar os animais’, diz desalojada pela chuva em Aracaju, SE

Ruas continuam alagadas e moradores esperam água baixar. Segundo meteorologia, previsão é que chuvas continuem frequentes.

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O nível da água do Rio Poxim baixou nesta segunda-feira (25), depois da forte chuva que atingiu Aracaju e alguns municípios do interior de Sergipe, nos últimos dias. Porém o ocorrido não foi suficiente para amenizar os alagamentos. Várias ruas dos conjuntos habitacionais JK, Santa Lúcia e loteamento Largo da Aparecida, no bairro Jabotiana, zona Oeste da capital, continuam intransitáveis.

Nas casas que ficam em frente ao rio ainda não é possível entrar para saber o tamanho do estrago. Vânia só conseguiu salvar os cachorros e está abrigada na garagem de um vizinho, que também teve a casa inundada pela água.

“A primeira coisa que pensei foi em meus cachorros, tenho cinco e ainda um gato. Salvei todos meus animais, são muito importantes para mim”, conta emocionada a auxiliar de enfermagem Vânia Cristina Santana.

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Segundo a auxiliar de enfermagem, a água subiu esperar a água baixar. Ainda não estive em casa para saber o tamanho do prejuízo, a água bate no peito. Os moradores estão me ajudando muito, o colega forneceu essa garagem, ele também teve a casa inundada. Não tive como ir trabalhar hoje , a rotina foi toda modificada para nós moradores do conjunto JK”, relata Vânia.

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“Desde 1986 que isso ocorre em todo o conjunto. Sempre arranjam uma desculpa, e nós ficamos nesse sofrimento. E essa enchente foi muito mais forte que as anteriores de anos atrás. Nesse momento, a gente tem que se juntar e para um ajudar o outro. Aqui na minha casa encheu, mas teve gente que foi pior, como é o caso da Vânia que nem entrar dentro da própria casa consegue”, relata Manoel Petronílio da Silva , morador que acolheu Vânia e os cachorros.

SE aracaju jk05“Ontem usamos um bote para ajudar as pessoas idosas, gestantes, crianças, cachorros. Ficou muito complicado, eu tenho 1,80m de altura, a água passava da minha cintura”, conta o educador físico Rodrigo Santos Junior.

Valery Grace também perdeu todos os móveis da casa e diz que é impossível calcular os prejuízos. “Perdi tudo, não sobrou nada! Tem um bom tempo que esse tipo de enchente não ocorre por aqui. Acredito que essa foi a pior de todas, muito triste tudo isso, mas precisamos recomeçar e esperar que essa água baixe totalmente”, diz esperançosa Valery.

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Para os moradores, o maior problema agora é a água que se mistura com o esgoto. “O bairro virou uma grande fossa, e o pior é que a gente não pode ficar em casa sem fazer nada, tem que colocar o pé na água. Eu reformei minha casa toda para a água não entrar, sabemos que aqui sempre tem enchente, mas dessa vez não adiantou nada”, conclui decepcionado Isaias Santos.

Entenda o caso

O Centro de Meteorologia de Sergipe havia previsto que as chuvas cairiam sobre o estado até a está terça-feira (26). Segundo o meteorologista Overland Amaral, nos três últimos dias choveu 270 milímetros, ou seja, 80% do previsto para todo o mês de maio.

Segundo Overland, o aquecimento das águas do Atlântico Sul no trecho da Bahia e Sergipe e o aumento da velocidade dos ventos Sul e Sudeste influenciaram diretamente na ocorrência desse período com mais incidência de chuva.

“Somente entre a sexta-feira (22) e a manhã deste domingo (23) já foram 124 milímetros de chuva. A previsão é que as chuvas continuem frequentes e em alguns momentos com maior intensidade”, afirma o meteorologista.

Fonte: G1

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