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SP: Cavalo resgatado por ONG morre e vira símbolo contra maus-tratos

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Terminou nesta segunda-feira após oito dias de trabalho a luta de voluntários e veterinários para salvar o cavalo Pacheco, resgatado no domingo retrasado pela ONG Adote Animais Viralatas em situação de maus-tratos por carroceiro em Vera Cruz. Morreu vítima de anemia infecciosa, agravada pela desnutrição profunda e falta de cuidados.

Pacheco deve se tornar um símbolo de combate ao abuso e violência contra animais por carroceiros e outras formas de uso comercial. Além de levar o caso à polícia, a ONG deve estudar propostas para envolver poderes públicos, repressão ao crime de maus-tratos e medidas de fiscalização.

“Pacheco virou estrelinha, morreu em paz, com a barriguinha cheia e sem mais sofrimento. Ontem mesmo percebemos que ele estava desistindo, entregando os pontos. Agradecemos a todos que nos ajudaram nesse caso, lembrando que ainda temos outros animais que também precisam de ajuda. Tanto os animais que estão no abrigo, como aqueles que estão nas ruas ou sofrendo com donos cruéis”, diz mensagem postada para noticiar a morte do animal.

Pacheco foi encontrado caído no dia 26 de julho depois de muito esforço e pouca alimentação. Com apoio de voluntários e da polícia, o animal foi resgatado e levado para um abrigo, onde recebeu alimentação e consulta com veterinário.

Ao ser deitado em uma cama de folhagens e jornais, começou a comer o papel, um sinal de que estava acostumado. Quando os voluntários usaram uma corda para tentar levanta-lo, começou a fazer movimentos como se puxasse a carroça. “Foi muito triste ver como ele estava condicionado e sem estrutura física, sem força nenhuma de músculos”, diz Fernanda Costa, advogada e dirigente da ONG

A campanha aproveitar debates em Marília para adoção do Código Zoosanitário como forma de criar regulamentação para punir casos semelhantes. Uma ideia é que o Código estabeleça as condições de fiscalização e controle dos serviços que utilizem animais.

O carroceiro responsável pelo animal pode ser o primeiro algo de medidas de investigação. Segundo a ONG, ele já teria histórico de animais em más condições de saúde e sem cuidados básicos.

O animal estava caído quando foi resgatado. As primeiras mensagens após o resgate foram otimistas.“Ele juntou forças para ficar em pé, comeu bastante e foi consultado pela Dra Talita que diagnosticou desnutrição profunda!! Trabalha demais na carroça, carregando peso e não recebe alimentação adequada e suficiente Essa é a realidade de muitos animais usados no trabalho de tração. Uma tristeza!”

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No dia seguinte, em pé, ganhou uma manta. “As noites não serão tão Frias !!!!! Continuamos arrecadando Jornais ,e se alguém quiser ajudar com os custos do tratamento.”

Mas durou pouco. No dia 29 Pacheco já não ficava em pé. Foi medicado e recebeu soro, cálcio e outros medicamentos. “Estava animado e comendo bem, mas não levantou”, informou a ONG. Os voluntários arrecadaram frutas, cenoura e beterraba para alimentação em uma campanha que ao final atingiria 22 doações de alimentos. Pacheco reagiu no final da tarde.

“Maravilha!!! Notícia boa demais da conta!! Depois de um dia inteiro pelejando pra esse pocotó levantar, agora a noite ele resolveu juntar forças e mostrar que vai melhorar!! Obrigada a equipe de veterinários que nos apoiaram hj.. Dra. Talita, Dra. Anaelise, Dr Vitor…” postaram os voluntários.

No final de semana as notícias pioraram. Sem condições de dar atendimento com mais equipamentos ou estrutura, os voluntários iniciaram ação para atendimento especializado. Conseguiram transporte. Não deu tempo para Pacheco. Resta cuidar dos outros.   

Fonte: Giro Marília

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