Tamanduás-bandeira resgatados são devolvidos à natureza em Uberlândia, MG

Tamanduás-bandeira resgatados são devolvidos à natureza em Uberlândia, MG

Três tamanduás-bandeiras órfãos foram reintegrados ao habitat natural pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) após passarem por reabilitação. Os animais foram soltos em Uberlândia. Eles estavam em situação precária em matas da região quando foram resgatados.

A espécie, que está em extinção, é constantemente ameaçada por tráfico e atropelamentos. Eles foram recolhidos inicialmente no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), onde receberam atendimento e tratamento até ficarem saudáveis.

O IEF não detalhou em quais condições eles foram encontrados, mas disse que geralmente os filhotes são achados desamparados após os pais serem atropelados nas rodovias.

“Eles ficam órfãos e passam a viver com grande dificuldade, sem amamentação e proteção”, afirmou a coordenadora de Proteção à Fauna da URFBio Triângulo, Mariceia Pádua.

Ela explicou que os tamanduás foram acolhidos em um viveiro aberto. Depois disso, eles foram enviados às áreas de soltura do projeto Áreas de Soltura de Animais Silvestres (Asas).

Segundo o Instituto, os filhotes estiveram sob os cuidados de uma equipe especializada e multidisciplinar da Unidade Regional de Florestas e Biodiversidade (URFBio) Triângulo e receberam tratamento desde o aleitamento ao desmame.

De acordo com a diretora de Proteção à Fauna do IEF, Liliana Adriana Nappi Mateus, algumas espécies necessitam de tempo maior para reabilitação, como foi o caso destes tamanduás.

“Para a espécie de tamanduás-bandeiras, o processo de soltura pode variar entre seis meses e um ano e meio”, informou.

Acolhimento

Conforme o IEF, durante o processo de acolhimento, os tamanduás foram, gradativamente, sendo avaliados para estarem aptos à soltura em seu habitat natural.

Os analistas ambientais da unidade Triângulo do Instituto aproveitaram para fazer estudos sobre a espécie. Segundo eles, as informações são essenciais para manejo e conservação desses tamanduás em outras localidades.

Monitoramento

Mesmo depois do retorno à natureza, os profissionais do IEF continuam tendo informações sobre os animais, que são monitorados por meio de coletes.

Além disso, uma equipe também acompanha os mamíferos por meio de câmeras e visitas a campo durante um ano após a soltura.

Tamanduá-bandeira Uberlândia. — Foto: IEF/Divulgação

Balanço

Segundo o IEF, em Minas Gerais são 51 áreas cadastradas. Em 2019, 1.800 animais já foram recebidos e 970 foram soltos. As ações do Instituto têm gerado a soltura de uma média de 55% do total de animais recebidos.

O IEF tem como parceiros o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e as organizações não governamentais (ONGs) Waita Instituto de Pesquisa e Conservação e a Águas Vivas Socioambiental.

O projeto TamanduASAS é uma parceria entre o IEF, o MPMG, a Polícia Militar de Minas Gerais (por meio da 9ª Cia de Meio Ambiente), o Projeto Bandeiras e Rodovias, o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICA) e a ONG Águas Vivas Socioambiental.

Minas Gerais conta atualmente com três Cetas, localizados em Juiz de Fora (Zona da Mata), Montes Claros (Norte de Minas) e Belo Horizonte, onde a unidade é compartilhada com o Ibama.

Tamanduá-bandeira

Mamífero que já foi encontrado em todos os estados do Brasil, o tamanduá-bandeira pode comer até 30 mil formigas e cupins por dia.

Ameaçado de extinção, o “Myrmecophaga tridactyla”, seu nome científico, mede cerca de 2,20 metros, pesa até 45kg, tem uma cauda grande com pelos grossos e compridos e um focinho longo. Ele passa a maior parte do tempo no chão, mas tem a habilidade para subir em árvores.

Por Rodrigo Scapolatempore

Fonte: G1

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