Tartaruga-cabeçuda é resgatada em SP com três anzóis no esôfago

Tartaruga-cabeçuda é resgatada em SP com três anzóis no esôfago

Uma tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) foi encontrada por turistas na Praia de Guaratuba, em Bertioga, no litoral de São Paulo. Segundo informações confirmadas ao G1 nesta terça-feira (26), o animal foi encontrado com três anzóis alojados no esôfago, mas o Instituto Gremar conseguiu resgatá-la com vida.

De acordo com o Gremar, turistas que estavam no local avistaram o animal na praia e acionaram o resgate. Eles permaneceram próximos á tartaruga até a chegada da equipe. O instituto conseguiu verificar que se tratava de uma fêmea que pesa aproximadamente 87kg, com 90 centímetros de comprimento.

Tartaruga passará por reabilitação no próximos dias. — Foto: Divulgação/Instituto Gremar

Ela passou por exames de raio-x no Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos, no Guarujá (SP), para onde foi encaminhada. Conforme informado pelo Gremar, as imagens indicam um caso complexo, pois foram encontrados três anzóis alojados no esôfago do animal.

A tartaruga passará nos próximos dias por um protocolo de estabilização, para restabelecer suas melhores condições clínicas. Caso reaja bem ao tratamento, futuramente passará por exame de endoscopia, para saber se há possibilidade de retirada dos petrechos.

Animal foi encontrado na Praia de Guaratuba, em Bertioga (SP) — Foto: Reprodução/Aconteceu em BErtioga

De acordo com a bióloga do Instituto Gremar Rosane Farah, cerca de 80% a 90% dos animais que são recolhidos nas praias da Baixada Santista, onde o Gremar atua, são vítimas de ingestão de resíduos sólidos e petrechos de pesca ‘esquecidos’ no mar. Destes animais, as tartarugas são as mais afetadas.

Espécies importantes da fauna brasileira, como a baleia jubarte, a baleia franca austral – que foi vista recentemente em Ilha Comprida -, golfinhos e tartarugas são frequentemente capturadas pela pesca ‘fantasma’.

Em todo o Brasil, 80% das mortes de tartarugas marinhas são ocasionadas por essa fatalidade, na qual os animais sofrem com uma morte prolongada e dolorosa, geralmente ocasionada pelo sufocamento ou fome.

Tartaruga-cabeçuda é resgatada em Bertioga (SP) com três anzóis no esôfago — Foto: Divulgação/Gremar

Pesca ‘fantasma’

A pesca ‘fantasma’ é causada por equipamentos perdidos, abandonados ou descartados irregularmente nos oceanos – que continuam à deriva, pescando e ameaçando a vida e o bem-estar de milhares de espécies marinhas.

Por se tratar de materiais específicos para pesca e captura, esses petrechos são incrivelmente resistentes e acabam machucando, prendendo e causando mortes lentas e dolorosas aos milhares de animais que se emaranham acidentalmente neles. A marcação dos equipamentos comercializados irá reduzir o volume desses materiais nos oceanos, portanto, menos animais estarão em risco.

Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos

O resgate foi feito por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), desenvolvido para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal do Polo Pré-Sal da Bacia de Santos da Petrobras, conduzida pelo IBAMA.

O objetivo é avaliar possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, por meio do monitoramento das praias, do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos. O projeto é realizado entre Laguna, no estado de Santa Catarina, até Saquarema, no Rio de Janeiro, sendo dividido em 15 trechos. O Gremar monitora o Trecho 9, entre os municípios de São Vicente e Bertioga.

Fonte: G1

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