Tartarugas achadas ‘espremidas’ em caixas fazem tratamento em Jundiaí, SP

Tartarugas achadas ‘espremidas’ em caixas fazem tratamento em Jundiaí, SP
Cascos e ossos de tartarugas ficaram deformados (Foto: Associação Mata Ciliar/Divulgação)

A vida ao ar livre que se tornou um alívio para tartarugas que viviam espremidas em uma caixa de acrílico não será o suficiente para recuperar danos provocados pelos maus-tratos de um homem em Piracaia, na região do Vale do Paraíba. Os cascos e ossos dos animais silvestres, que recebem tratamento intensivo na sede da Associação Mata Ciliar em Jundiaí  (SP), ficaram atrofiados.

A médica veterinária coordenadora de fauna da associação, Cristina Harumi Adania, conta que o foco da Mata Ciliar não é receber esse tipo de animal, mas é até comum encontrar répteis que foram vítimas de maus-tratos.

“Às vezes eles não têm para onde levar os animais, então recebemos até encontrar um outro local ou voltarem para a natureza”, explica.

O suspeito do crime ambiental, um homem de 43 anos, foi detido por manter animais silvestres em casa. Sete destes animais eram jacarés criados em cativeiro dentro de um tanque. Ele foi multado em R$ 255,4 mil.

Além dos jacarés, foram apreendidas oito tartarugas, 32 jabutis, 22 tigres d’água e três periquitos. Com pouco peso e sinais de maus-tratos, incluindo machucados, deformidades e fungos nos cascos, os répteis – quatro tartarugas e sete jacarés – passaram por um check-up assim que chegaram à sede da associação. Para tirar a camada grossa de musgo e bactéria do casco, as tartarugas receberam um banho, conta o biólogo Lucas Kazuo Yanai.

Tartarugas tomam banho para retirar fungos
(Foto: Associação Mata Ciliar/Divulgação)

Ração de cães como alimento

Apesar de estarem acima do peso considerado normal, as tartarugas não eram bem alimentadas, nem os jacarés, afirma o biólogo de Jundiaí.

“A informação era de que recebiam ração de cães, ao invés de frutas e carne. Estavam desnutridos, tecnicamente, viviam em local sujo, com água quase sólida de tanto material orgânico, e todos misturados”, conta.

Quanto à agressividade dos jacarés, Lucas explica que os répteis são avessos a contato com humanos. Eles também eram pequenos para animais com o mesmo tempo de vida, um reflexo da má alimentação e espaço que viviam. “Eles precisam de sol e agora ficam em um espaço grande, com água e sombra.”

Répteis resgatados

De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), somente em 2015 foram apreendidos 3.721 répteis pelos mais variados motivos, a maioria em Maceió, 814 animais. No ano anterior, equipes localizaram 52 jacarés em situações irregulares e 37 voltaram para a natureza.

Os dados de 2016 ainda não foram fechados. O órgão esclarece que, quem for flagrado com animais silvestres sem autorização, está sujeito a multa de R$ 500 a R$ 5 mil, o valor mais caro quando for um animal ameaçado de extinção. Já os que forem multados por maus-tratos podem desembolsar de R$ 500 a R$ 3 mil.

Jacarés foram transferidos para espaço adequado em associação (Foto: Associação Mata Ciliar/Divulgação)

Por Mayara Corrêa

Fonte: G1

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