‘Taxista de animais’ salva pets abandonados e faz corridas por SP; conheça o serviço

‘Taxista de animais’ salva pets abandonados e faz corridas por SP; conheça o serviço
Adriana tem seis bichos de estimação e outros moradores temporários em casa. Foto: Arquivo pessoal

Desde 2015, a motorista de táxi dog Adriana Sesiom Ramos, 51, encontrou na profissão uma forma de conciliar a rotina de trabalho com o amor e o cuidado que tem por animais. Em sua casa no Mandaqui, zona norte de São Paulo, ela mora com 12 pets: seis deles são de estimação (cinco gatos e um cachorro), os outros (dois cachorros e quatro gatos) estão sendo cuidados para adoção. 

Com o serviço de táxi dog, Adriana realiza corridas por todo o estado paulista e já contabiliza um cadastro com 650 clientes. “Atendo São Paulo inteiro, praia, interior. Faço viagens, mudanças. Minha clientela mais forte é na zona norte da cidade, mas não tenho restrições. Inclusive, tem muitos clientes que perguntam se atendo na periferia, e digo que não tenho por que temer. Não faço nada errado para estar com medo”, diz.  

As corridas, geralmente, são pré-agendadas e os preços acertados previamente, levando em consideração distância, quilometragem e tempo de espera no local com os passageiros. A rotina é de segunda a sexta, e ocasionalmente aos sábados, somando uma média de 10 a 15 corridas semanais.  

Cuidados redobrados 

A taxista alerta para alguns cuidados no transporte dos bichos. “A prefeitura não tem nenhuma licença específica com relação ao táxi dog. É preciso ter um carro com ar-condicionado, por conta do conforto e porque você não vai carregar um cachorro com 30 e poucos graus correndo o risco de ele ter até uma convulsão dentro do carro. Também é importante ter caixas boas de transporte, com segurança, pois eles podem até arrebentar a porta da caixa, como já aconteceu comigo.” 

Já outros incluem a higiene do automóvel. “Quando o bicho é resgatado da rua, você não sabe o que ele tem e, dependendo da doença, pode contaminar o carro por até seis meses, por isso o correto é colocá-los nas caixas de transporte. Geralmente, tenho toalha de banho no carro e uso um produto de hospital veterinário para desinfetar o carro após cada corrida”, relata.  

De acordo com site do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê em três artigos (169, 235 e 252- inciso II) as regras para transporte de animais em veículos. 

Segundo o artigo 169, o motorista que conduzir animal solto dentro do veículo, ou de alguma maneira que possibilite distração, comete infração leve, resultando em uma multa no valor de R$ 88,38 e três pontos na carteira de habilitação. 

Já conduzir os animais à esquerda do motorista, próximo ao vidro, no colo ou entre seus braços ou pernas, é considerado uma infração média, sujeita a uma multa de R$ 130,16, além de quatro pontos na CNH, conforme o artigo 252. 

A legislação determina também que o transporte de animais não pode ser feito na parte externa do veículo (no teto ou no capô, por exemplo), indica o artigo 235. Essa conduta é considerada uma infração grave e o motorista autuado recebe cinco pontos na habilitação e multa no valor de R$ 195,23.  

“Geralmente oriento os clientes a usarem peitoral no bicho. Tenho uma sacola de peitoral atrás do carro e uma capa de couro. Também já pergunto se o cachorro está vacinado ou se é um cachorro de rua”, diz Adriana.  

Memórias, resgates e doações 

Nessa trajetória, a motorista revela colecionar inúmeras histórias marcantes. “Teve o caso de um cachorrinho que resgatei para uma ONG, com a doença do carrapato em estado avançado. Fiz o acompanhamento. Quando voltei ao hospital, ele reconheceu minha voz e começou a chorar. Conversei com ele, beijei e pedi para o doutor colocá-lo pra dormir enquanto conversava com ele. Tenho fotos dele até hoje”, relembra com a voz embargada.  

Adriana costuma dar nomes para todos os pets abandonados que resgata. Foto: Arquivo pessoal
Adriana costuma dar nomes para todos os pets abandonados que resgata. Foto: Arquivo pessoal

A motorista conta que o trabalho de resgatar animais abandonados veio antes mesmo do táxi dog. “Em 2006, resgatei alguns e parei. Comecei a resgatar mesmo em 2009. Depois do resgate, faz os exames, se estiver doente, trata a doença, castra, vacina e doa. Já doei mais ou menos entre 40 e 50 cachorrinhos e gatos”, diz.  

Ela ressalta que os custos com as despesas dos animais resgatados são altos e as doações são insuficientes. “Hoje, a maior dificuldade é ter ajuda com as rações, pois ainda alimento gatos de rua e a ração de gato é mais cara. Não dou qualquer ração, pois depois não quero ver o animal doente, e ter que gastar com veterinário. O que mais me faz falta é isso, ração, vermífugo e remédio de pulga, pois muitos deles vêm com muita pulga.” 

Adriana aceita rações, roupas para pets, medicações, vitaminas e vermífugos como doações e pode combinar a retirada com o doador, por motivos de segurança.

“Busco, porque se eu der meu endereço vão começar a abandonar aqui, como já fizeram. Só peço dinheiro quando estou com a corda no pescoço e, até hoje, só rodei duas ou três rifas. Resgato com dinheiro do táxi. Comecei a podar isso, pelo meu próprio bem psicológico, pois tem uns pedidos absurdos e já é complicado lidar com maltrato animal”, comenta.  

Para contatá-la, para corridas, adoções ou doações, o telefone é (11) 94606-0879. 

Por Cleber Arruda

Fonte: Visão do Corre

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