Tecnologia substitui testes com animais na Universidade Federal de Goiás

Tecnologia substitui testes com animais na Universidade Federal de Goiás
Pesquisadora Marize Valadares em laboratório da UFG. Para ela, inovações darão mais qualidade à ciência (Foto: Fábio Lima)

Instituído em 1931 durante um congresso ambiental na cidade italiana de Florença como o Dia Mundial dos Animais, o 4 de outubro é uma data em que ativistas do mundo todo reforçam a luta pelo fim dos experimentos científicos com o uso de bichos. Por aqui, o Laboratório de Ensino e Pesquisa em Toxicologia In Vitro (Tox In) da Faculdade de Farmácia (FF) da Universidade Federal de Goiás (UFG) começa a fazer história nesta trajetória ao se aliar a outras grandes instituições do País em pesquisas que utilizam simulações computacionais, técnicas in vitro, técnica ex vivo e engenharia de tecidos para descobrir se substâncias são tóxicas ao corpo humano e ao meio ambiente.

A UFG integra um grupo de instituições pesquisadoras do País, entre elas Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade de São Paulo (USP), que atuam conjuntamente no processo de validação pelo Centro Brasileiro para Validação de Métodos Alternativos (BraCVAM) de um modelo preditivo que utiliza a membrana vascularizada de ovos galados (fertilizados) para avaliar se cosméticos, como cremes, xampus e rímeis, são tóxicos para os olhos. A metodologia, conhecida no meio científico como HET-CAM, simula efeitos vasculares semelhantes ao que ocorrem no olho humano quando expostos a estes produtos, permitindo definir se são irritantes ou não.

Caso seja validada, a HET-CAM, ao lado de vários outros testes, visa a substituição do atual uso de coelhos neste tipo de investigação científica. “Somos fortes e qualificados nesse movimento que é mundial”, comemora a coordenadora do Tox In, Marize Valadares. “Estamos trabalhando nisso há 15 anos. Não usar modelos animais é mais que uma demanda da sociedade, é realizar ciência com melhor qualidade. A evolução da ciência nos mostra que é preciso progredir”. O processo de validação do HET-CAM é conduzido pelo bioquímico Thomas Hartung, ex-diretor do Centro Europeu de Validação de Métodos Alternativos (ECVAM) e Diretor do Centro de Alternativas a Experimentação Animal da Universidade John Hopkins, nos EUA, instituição onde Marize Valadares cursou seu pós-doutorado.

Em outra linha de investigação são testadas na UFG a opacidade e permeabilidade de córnea de olhos bovinos – que seriam descartados em frigoríficos – após exposição à determinada substância. Em um outro teste de avaliação de toxicidade ao olho “Fazemos crescer um tecido superficial nas células das córneas e analisamos se o produto mata ou não esse tecido”, explica Marize. “Estamos desenvolvendo os métodos que um dia todos vão usar”. E para isso, pesquisadores contam também com os recursos oferecidos pela tecnologia da informação para demonstração e treinamento dos fenômenos biológicos.

Os esforços do grupo têm sido reconhecidos. No ano passado o laboratório recebeu o Prêmio MCTIC de Métodos Alternativos à Experimentação Animal do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Marize Valadares conta que sua equipe começou a criar modelos in vitro para investigar a toxicidade pulmonar em casos de inalação de substâncias como o fumacê da dengue, agrotóxicos ou cigarro eletrônico. “Antes colocavam animais em câmaras e liberavam o gás. Muitos morriam sufocados”.

Testes

A pesquisadora enfatiza que a maioria dos testes com animais é praticado sem anestesia e com a introdução de substâncias tóxicas nos organismos, causando um sofrimento longo e contínuo. Ativistas, como a organização não governamental Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta), com 2 milhões de membros, têm pressionado o meio científico para mudar seus métodos. “O que é tóxico para um animal pode não ser para a gente, por isso a capacidade preditiva do modelo animal nem sempre é suficiente e satisfatória”, acredita.

Por Malu Longo

Fonte: O Popular

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