Tigres, leões e panteras se recuperam em Villena, Alicante após o maltrato circense

Tigres, leões e panteras se recuperam em Villena, Alicante após o maltrato circense
Pantera maltratada em um circo que atualmente recupera-se em Villena (Foto: EFE)

A um dos animais arrancaram suas unhas e amputaram as últimas falanges dos dedos, algo que lhe acarretará problemas por toda a vida.

A outro tiveram que extirpar um olho por cegueira total e catarata em outro.

Além do que um casal de leões de um circo permaneceu encerrados em 12 metros quadrados durante 13 anos.

Todos se recuperam-no maior centro de resgate de animais exóticos do sul europeu, em Alicante.

Tigres, leões e leopardos vítimas de maltrato ou situações de semiabandono em circos e outros espetáculos de feiras se recuperam no maior centro de resgates de animais exóticos do sul da Europa, em Villena, Alicante, onde se recuperam da obesidade e da depressão herdada de sua vida anterior

Este pioneiro centro de 20 hectares na serra de Salinas (na confluência de Alicante, Murcia e Albacete) é da Fundação Internacional AAP Primadomus e reabilita a 16 grandes felinos que vieram direta ou indiretamente de sua exploração em circos para um entretenimento sem justificativa. Se trata de tigres, leões e leopardos (dois deles, a variedade melânica escura, popularmente chamados de panteras) abandonados ou apreendidos pelas polícias da França, Bélgica e Espanha (muitos pelo SEPRONA do guarda civil) em operações contra o maltrato de animais e enviados a Villena para sua recuperação e reabilitação.

A ideia é que, após um período médio de três anos, o animal deixe para trás uma existência “miserável” e recupere até onde possa sua natureza física para estar em condições de ser realocado em um centro zoológico europeu em condições adequadas, explicou a diretora do centro, Pilar Jornet. Seis dos felinos que possuem chegaram diretamente de circos e outros estavam em mãos de particulares, mas relacionados com espetáculos muitas vezes “aberrantes”, alguns inclusive como figurante para fotografias. No caso de Maoni, um leopardo de cor creme da França ao qual seu dono utilizava para shows de magia em circos, para o qual lhe haviam arrancado as unhas e amputado a última falange dos dedos para que não se arranhasse.

Esta mutilação não é menor para Maoni já que, pela vida, lhe impedirá de relacionar-se com seus semelhantes ao não poder se defender e também lhe privará de outros comportamentos instintivos que necessita para desenvolver plenamente sua personalidade como “marcar o território”. Além do que a falta de atividade física fez com que Maoni fica-se obesa, o mesmo que os dois tigres mantidos enjaulados no jardim de um chalé de Guarda mar del segura, Alicante. Drac e Bianca, cujos pais haviam sido animais de circo. Ambos padecem de uma debilidade muscular, especialmente nos quartos traseiros, ao que se soma que os veterinários da AAP Primadomus  tiveram que extirpar de Drac o olho direito por cegueira total enquanto o esquerdo o possui quase branco por conta da catarata.

No recinto se recuperam um par de leões, Reza e Aya, vindo juntos com dois tigres recentemente realocados (Radja e Kai) de um circo francês que faliu, e após permanecer semiabandonados dentro de carroções de 12 metros quadrados em um descampado durante 13 anos. “A primeira vez que soltamos a Reza e Aya em espaço aberto (dentro do centro de Villena) não se atreviam a pisar na terra porque tudo que conheciam era cimento. Parecia que se desiquilibravam e tremiam”, contou Jornet sobre os animais exóticos e selvagens que, seja em um circo ou propriedade particular, são obrigados a rejeitar seus instintos para converter-se em um mero espetáculo.

“A vida itinerante de um carroção de circo nunca pode atender as necessidades sanitárias e de segurança para os funcionários do circo e do público. Tem sustentado que “os animais não deveriam ser usados para entretenimento, há muitas outras formas de ócio”, ao que se soma que o circo “não oferece uma visão científica dos animais, senão comportamentos artificiais que provocam uma imagem distorcida”. AAP Primadomus faz parte da plataforma infocircos que trabalha para que não existam animais selvagens em espetáculos de entretenimento, uma iniciativa já em vigor na Catalunha e que está a ponto de ser aprovada pela Comunitat Valenciana, enquanto que outros municípios já tem dado passos neste sentido, como Castilla- La Mancha, Extremadura e Galícia.

Tradução de Nelson Paim

Fonte: 20 Minutos

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.