Trágico dia de corrida na Nova Zelândia termina com três cavalos sendo eutanasiados

Trágico dia de corrida na Nova Zelândia termina com três cavalos sendo eutanasiados

Três cavalos de corrida de obstáculos morreram após um dia de horror no hipódromo Ellerslie em Auckland, na Nova Zelândia, no último dia 6 de junho.

Os três incidentes, aparentemente não relacionados, geraram pedidos vindos do grupo Safe de direitos dos animais para proibirem as corridas com obstáculos.

Entretanto, os especialistas do ramo dizem que os eventos do dia foram incomuns e as organizações de corrida trabalharam muito para mitigar os riscos para os cavalos e os jóqueis.

A série de eventos desafortunados começou com Tu Meta Peta caindo e fraturando seu ombro direito após pular desajeitadamente o primeiro obstáculo no evento Queen’s Birthay no fim de semana. O cavalo de cinco anos de idade teve de ser eutanasiado.

Em uma corrida posterior, o cavalo negro Musashi, de seis anos de idade, caiu e fraturou sua pata traseira esquerda, e Bahhton, de sete anos de idade, fraturou seu ombro direito em uma queda. Esses dois cavalos também foram eutanasiados.

Os três incidentes ocorreram em corridas diferentes. Duas eram corridas de salto em alta velocidade, enquanto a outra era uma corrida de obstáculos mais longa.

A diretora de campanhas do grupo Safe, Mandy Carter, disse que a corrida de saltos era “impossível ser segura, já que, pela sua própria natureza, há um risco constante para o cavalo”.

“Cavalos estão morrendo em pistas de corridas todos os anos e as casualidades continuarão a ocorrer, a menos que alguma ação seja tomada”.

As corridas de obstáculos tinham um alto número de lesões e morte porque os cavalos tem que pular cercas altas em uma velocidade alta, cercados por muitos outros cavalos, disse Carter.

O coordenador das corridas com obstáculos New Zealand Thoroughbred Racing (NZTR – Corrida de Cavalos Puro-Sangue da Nova Zelândia), Dennis Ryan, disse que os eventos do último dia 6 foram “bastante incomuns”.

“Eu estava nas corridas nesse dia e, conforme o dia se desenrolou, nós dissemos ‘mas o que está acontecendo aqui?’…”

“As pessoas estão muito chateadas”.

Uma investigação foi aberta para as três fatalidades, como é o caso de qualquer fatalidade ou queda em qualquer corrida na Nova Zelândia, disse Ryan.

“Você pode chamar os eventos do último dia 6 de uma aberração, mas eu acho que isso é muito depreciativo”.

“Foi algo simplesmente que veio do nada”.

Novazelandia auckland corrida 2

Nenhuma correlação entre os incidentes

Ryan disse que as causas das quedas ainda não são conhecidas, mas que não houve nenhuma correlação entre os incidentes.

O hipódromo Ellerslie de Auckland era renomado como um curso seguro de salto, ele disse.

Durante a temporada de corridas de 2015, 881 cavalos competiram nas corridas com obstáculos na Nova Zelândia, com três fatalidades.

Em 2014, 907 cavalos correram e houve duas fatalidades.

Ações foram tomadas nos últimos anos para tornar o esporte mais seguro, incluindo a introdução de um padrão nacional para os obstáculos.

Ryan disse que ele respeita o papel do Safe, mas ele não concorda com a “solução sugerida” do grupo ativista.

Há riscos envolvidos em todos os esportes equestres, mas treinadores, jóqueis e departamentos da indústria fizeram o que puderam para manter os cavalos e os jóqueis seguros.

“Parece clichê, mas eles amam seus cavalos”.

‘Isso machuca quando acontece, mas faz parte’

O proeminente treinador de corridas com obstáculos de New Plymouth, John Weeler, disse que há riscos associados à de animais, mas uma proibição não vai colocar um fim nas mortes de cavalos.

“Foi um triste dia em Auckland, eu estava lá e eu devo dizer que eu odiei ter visto aquilo.”

“Pessoas como eu, que tiveram cavalos a vida inteira, amam os cavalos mais do que qualquer pessoa ativista dos direitos dos animais”.

“Nós aceitamos o risco que vem com isto, e machuca quando acontece, mas faz parte do esporte”.

Wheeler disse que os grupos ativistas “levam os cavalos em alta conta”, mas que os tutores dos animais entendiam os riscos e sabiam que haveria riscos não importa em qual esporte, com acidentes fatais frequentemente acontecendo em uma baia dentro de casa.

“Onde você tem animais vivos, você alguma hora terá animais mortos”.

O treinador de cerca de 40 anos disse que os eventos do último dia 6 foram incomuns, mas que fatalidades acontecem.

“Não importa o que você faça com cavalos, sempre haverá acidentes e lesões”, ele disse.

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Revisão em andamento

O chefe executivo do Conselho de Corridas da Nova Zelândia John Allen disse que a investigação sobre as mortes dos três cavalos estava sendo conduzida pelo New Zealand Thoroughbred Racing, a Unidade de Integridade das Corridas, e o Clube de Corridas de Auckland.

“A morte de qualquer cavalo é uma tragédia e as pessoas da indústria das corridas estão desoladas”.

“Treinadores, jóqueis, tutores, ajudantes e muitos outros homens e mulheres trabalham com esses cavalos diariamente, dedicando tempo, esforço e amor significativos nos cuidados com esses importantes animais, e as perdas são sentidas profundamente por todos”, Allen disse.

O gerente geral do NZTR, Matthew Hall, disse que uma revisão completa está verificando todos os aspectos de segurança nas corridas com obstáculos, tanto em Ellerslie como nacionalmente.

Dois cavalos foram fatalmente feridos em corridas com obstáculos em Ellerslie nos seis anos anteriores e as mortes do último dia 6 foram as primeiras em uma dessas corridas lá desde agosto de 2013, Hall disse.

“Nós fizemos uma quantidade considerável de trabalho para minimizar lesões potenciais em corridas com obstáculos”.

Este trabalho inclui uma auditoria anual em cada local de corrida.

Em 2015, o NZTR desenvolveu um projeto com a Universidade Waikato para construir um detalhado banco de dados de lesões equinas em incidentes ocorridos em corridas. Isto inclui formas mais detalhadas de incidentes, completadas por veterinários em formação, com o objetivo de identificar a frequência, o tipo e o resultado das lesões de corridas.

O NZTR também investiu mais de $1 milhão na melhoria da infraestrutura das corridas e dos treinamentos no último ano, para maximizar a segurança e o bem-estar dos equinos.

A organização também trabalhou com a SPCA (Sociedade pela Prevenção da Crueldade Animal) e a Associação de Saúde Equina da NZ.

Hall disse que o NZTR também ajudou nos estudos sobre o bem-estar dos cavalos através da Fundação de Pesquisa Equina da NZ e a Parceria por Excelência da Universidade Massey.

“Sempre há um elemento de risco, tanto para o cavalo como para o jóquei, em todos os esportes equestres, mas o NZTR está comprometido a fazer todo o possível para mitigar esses riscos”, ele disse.

Por Laura Walters / Tradução de Alice Wehrle Gomide


Nota do Olhar Animal: Não são só as corridas de obstáculos que causam danos aos cavalos e éguas. O mero uso de vários dos equipamentos da parafernália usada para a montaria, como o bridão. Veja no artigo Tortura de equinos, de Sônia T. Felipe.

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