Três tartarugas são encontradas mortas em praia de Barra Velha, SC

Três tartarugas são encontradas mortas em praia de Barra Velha, SC

Três tartarugas mortas foram encontradas em Barra Velha, no Litoral Norte de Santa Catarina. Elas foram colocadas em cima de um pedaço de madeira na areia da Praia das Pedras Brancas, conhecida popularmente como Praia da Barrinha. A principal hipótese é que os animais tenham morrido afogados após ficarem presos em uma rede de pesca. O fato aconteceu na manhã de segunda-feira (24).

— Aparece bastante tartaruga morta por aqui. Durante o trabalho (de pesca), os pescadores pegam pinguim, tartaruga, gaivota. O cuidado que tomamos é de não colocar a rede de pesca perto dos corais, que é onde elas se alimentam. Mas nem todos fazem isso — conta o pescador Zitomar de Freitas.

Conforme Zitomar, com a pesca perto das rochas a chance destes animais marinhos ficarem presos nas redes aumenta. Assim, as tartarugas morrem porque não conseguem retornar a superfície para respirar. Durante a manhã desta segunda, equipes da unidade de estabilização de animais marinhos da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) estiveram na praia para realizar o atendimento veterinário, mas constataram a morte dos animais.

As tartarugas verdes encontradas na cidade mediam de 40 a 50 centímetros e tinham entre cinco e dez anos, estando fase juvenil, faltando muito tempo até chegarem a se reproduzir.

— Uma das hipóteses da causa da morte das tartarugas é o aprisionamento delas em rede de pesca ou captura acidental. Elas estavam com aspecto corporal bom e nenhuma evidência de doenças — explica Jeferson Dick, coordenador da unidade de estabilização Univali.

De acordo com Dick, dificilmente animais com aparência saudável morrem de doenças, por isso a unidade trabalha com a hipótese de afogamento. Um dos sinais apontados que demonstra a causa do óbito é que a tartaruga apresentava o estrangulamento das nadadeiras, ocasionado por linhas de pesca. A morte desta espécie, em fase juvenil, é bastante observada por pescadores da região.

O coordenador ainda explica que, para evitar a morte destes animais por afogamento, é necessário fazer igual o pescador Zitomar: colocar as redes longe da costa, local onde as tartarugas se alimentam e tendem a ter mais facilidade de ficar presa.

— Além das pesca, nós temos outros fenômenos que causam a morte, como a presença de lixo no mar. Atendemos tartarugas caquéticas que ingeriram lixo e não conseguem mais se alimentar direito, por exemplo — ressalta o coordenador.

Animais que são resgatados com vida passam por um método de reabilitação. (Foto: Raphael Ribeiro / NSC TV)

Reabilitação dos animais

Assim como as tartarugas que ficaram presas em Barra Velha, muitos animais morrem ainda na fase juvenil, sem chance de se reproduzir pela primeira vez. A tartaruga verde habita a Costa Catarinense e já são uma espécie ameaçada de extinção, afirma o especialista.

— Elas teriam uma longa história de vida, é sempre um dano enorme perder esses animais ainda jovens, extinguindo a chance de reprodução e assim perpetuar a espécie — completa.

Os animais que são resgatados com vida pelos membros do grupo de estabilização passam por um método de reabilitação – seguindo protocolos para reverter à situação de afogamento, por exemplo. Elas permanecem em tanques na unidade até estarem totalmente recuperadas.

Depois, quando as tartarugas já estão saudáveis, são encaminhadas ao Projeto Tamar, em Florianópolis, para serem devolvidas a natureza. No processo, elas também são marcadas com anilhas, cada uma com uma numeração diferente, para ajudar na pesquisa e na conservação destas espécies.

Fonte: NSC Total

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