Tucano é recolhido em cozinha de apartamento em Montes Claros, MG

Tucano é recolhido em cozinha de apartamento em Montes Claros, MG

Um tucano entrou em um apartamento no bairro Morada do Sol, em Montes Claros, na Região Norte de Minas na tarde desta sexta-feira. A dona do imóvel,a professora Sheila Pereira, chamou o Corpo de Bombeiros, que capturou o animal e o levou para o centro de triagem do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) na cidade. A ave será solta na natureza novamente.

A dona do apartamento acha que o tucano pode ser oriundo de um cativeiro. Por outro lado, o ambientalista Eduardo Gomes lembra que ultimamente, por conta do desequilibrio ecológico, consequência do desmatamento e outros danos causados à natureza, aumentou a migração de aves e animais silvestres para a área urbana, alertando que isso representa risco de transmissão de doenças, entre elas, a febre amarela, da qual Minas Gerais enfrenta o maior surto da história, atualmente.

O tucano entrou por uma janela e foi parar na cozinha do apartamento, situado no segundo pavimento de um prédio. A professora Sheila Pereira disse que a ave foi alimentada com banana e não se mostrou assustada. Por isso, ela acredita que o animal pode ter fugido de algum criatório em cativeiro.

Por sua vez, o ambientalista Eduardo Gomes, diretor da Organização Não-Governamental (ONG) Instituto Grande Sertão, lembra que, ultimamente, em virtude do desequilibrio da natureza, provocado pelo desmatamento e outros impactos ambientais, intensificou a migração de várias espécies de aves e animais silvestres em direção as áreas urbanas a procura de alimento e água. Gomes alerta que esta migração pode favorecer a proliferação de doenças, citando a febre amarela e Leishmaniose Visceral (Calazar).

“Os animais silvestres que vão para a área urbana podem transmitir doenças para os animais domésticos, que são menos resistentes e, assim, podem transmitir a doenças para o homem”, observa Gomes. No caso da febre amarela, ele salienta que se um macaco contaminado migrar para a cidade, ele pode ser picado pelo mosquito Aedes aegypti e transmitir febre amarela na área urbana, onde não se registra a circulação do vírus da doença no Brasil há mais de 70 anos.

Ele cita também o caso das capivaras que se reproduzem na região da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, lembrando que a espécie é hospedeira do carrapato-estrela, transmissor da bactéria que causa a febre maculosa. A questão gera polêmica. Por causa dos riscos para a saúde da população, já houve até uma decisão em caráter liminar, concedida em outubro de 2016 pelo desembargador Souza Prudente,,do Tribunal Regional Federal (TRF), de Brasília, determinando que a Prefeitura de BH recolha e isole as capivaras da Pampulha, em atendimento a ação movida pela Associação Pró-Interesse do Bairro Bandeirantes, na Pampulha.

Eduardo Gomes ressalta que ele já testemunhou vários tipos de aves silvestres encontradas na área urbana, entre as quais citou o bem-te-vi, o alma de gato, a coruja, e o sofreu (também conhecido por corrupião), além do tucano. “O desmatamento, o reflorestamento, a atividade agropecuária e outros impactos provocam um descontrole na natureza. Com isso, os animais e pássaros silvestres estão migrando em direção área urbana em busca de alimento e água”, afirma o ambientalista. “Há uns 10 ou 20 anos, a gente via na cidade somente pardais e, as vezes, o urubu, perto de lixões. Hoje, encontramos diversos tipos de aves na área urbana”, completa.

Por Luiz Ribeiro

Fonte: Estado de Minas 

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