Tumor de mama representa 40% dos casos de câncer em cães, diz Unesp

Tumor de mama representa 40% dos casos de câncer em cães, diz Unesp

Expectativa de vida maior é um dos motivos para o surgimento da doença. Hospital faz ‘Outubro Rosa’ para orientar sobre prevenção e tratamento.

Por Adriano Oliveira

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Em um mês, Suzi iniciará as sessões de quimioterapia. Desde que o tumor foi descoberto, a basset de 14 anos, resgatada da rua, já passou por uma cirurgia para retirada de parte das mamas. Antes do início do tratamento, deve extrair o restante. A agressividade da doença não espanta a aposentada Jusceléia de Almeida Ovídio, já que a cadela é a segunda da família a enfrentar o câncer de mama.

Levantamento realizado entre os pacientes atendidos no hospital veterinário da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Jaboticabal (SP) constatou que quatro entre dez tipos de tumores diagnosticados em cadelas são de mama. Nas gatas, o índice é de três para cada dez confirmações de câncer.

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“Depois que eu percebi o quanto é comum esse tipo de doença, eu passei a ficar mais atenta aos meus bichos. Eu acho que não basta dar água, comida e lugar para dormir. Bicho tem que ter carinho. A ciência fala que o nosso organismo, o nosso DNA é muito parecido. Então, eles merecem cuidados tanto quanto a gente”, diz a aposentada.

Prevenção

No mês internacional de combate ao câncer de mama em mulheres, o hospital veterinário da Unesp também realizou a campanha “Outubro Rosa”, com o objetivo de conscientizar os tutores sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce para a cura da doença.

De janeiro de 2014 a outubro desse ano, 313 cadelas ou gatas passaram por tratamento contra o câncer de mama na instituição. No mesmo período, 44 novos casos foram identificados.

“Antigamente, câncer era sinônimo de eutanásia. Felizmente, nos dias atuais, podemos tratar. Então, quanto antes diagnosticar o tumor e consequentemente tratá-lo, melhor vai ser a recuperação e o prognóstico do paciente”, diz o professor Andrigo Barboza de Nardi, pós-doutor em cirurgia veterinária oncológica.

Nardi explica que a incidência de câncer tem aumentado entre os animais domésticos por causa do aumento da expectativa de vida desses bichos. Por outro lado, ainda é pequeno o número de proprietários que têm conhecimento sobre esse tipo de doença e como identificá-la.

“As neoplasias são as principais causas de óbito dos animais de companhia. No passado, eram as doenças infectocontagiosas e os acidentes automobilísticos. Então, é importante que o proprietário fique atento e, assim que perceba qualquer tipo de lesão ou caroço, procure o veterinário”, diz.

O professor afirma ainda que a castração precoce também pode reduzir de forma expressiva as chances de câncer de mama na fase adulta. Isso porque, hormônios produzidos nos ovários, como estrogênio e progesterona, influenciam a formação desse tipo de tumor.

“Quando a castração é feita antes do primeiro cio, o risco de desenvolver tumor é menor que 1%. Diferente do que acontece nos Estados Unidos, onde os proprietários têm o hábito de castrar os filhotes, ainda temos uma cultura de reprodução de animais domésticos para comercialização”, afirma.

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Tratamento

Assim como ocorre com o ser humano, o tratamento do câncer de mama em animais domésticos alia sessões de quimioterapia à retirada do tumor. Em alguns casos, dependendo do estágio da doença, também é indicada a extração das cadeias de mamas, a chamada mastectomia.

Até alguns medicamentos prescritos pelos veterinários são os mesmos recomendados no processo terapêutico humano. Em dosagem diferentes, é claro. O assunto é dominado pela proprietária de Suzi, que há seis meses também acompanha o tratamento de Maitê, a outra cadela da família, diagnosticada com câncer de pele.

Com 10 anos, Maitê já passou por cirurgia para retirada de um dos tumores e realizou oito sessões de quimioterapia. Em casa, a pug também recebe remédios que complementam o tratamento contra o câncer e outros para um distúrbio na tireoide.

Por isso, na cozinha de Jusceléia existe até um espaço reservado para os medicamentos diários das “meninas”, como ela gosta de chamar as cachorras. Um armário na lavanderia ainda tem três prateleiras destinadas aos demais produtos dos animais – ao todo são cinco cães e quatro gatos em casa, além de outros 30 cachorros em um sítio da família, todos resgatados das ruas com algum tipo de doença.

“Eu não faço nem ideia de quanto eu já gastei com tratamento. Mas, você não pode medir o quanto vai gastar. Eu sou viúva, meus filhos estão criados, então eu deixo de comprar coisas para mim, pelo bem estar deles. Meus bichos são a minha vida”, diz.

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Fonte: G1 

Nota do Olhar Animal: Destacamos a  informação sobre o fato das castração precoce evitar o câncer de mama. E, claro, importante por evitar que cada vez mais haja animais abandonados. 

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