Tutor posta foto de cão amarrado em árvore e revolta internautas

Tutor posta foto de cão amarrado em árvore e revolta internautas
Tutor amarrou cão em árvore para tratar a berne e dividiu opiniões na internet (Fotos: Reprodução/Facebook)

Um morador de São Roque (SP) causou polêmica na internet depois que divulgou no Facebook a foto do seu cachorro amarrado em uma árvore. A imagem foi publicada na noite do último domingo (8) e, em questão de minutos, recebeu vários comentários e compartilhamentos. Entre eles, de pessoas que o acusaram de maus-tratos e passaram a enviar mensagens com xingamentos e até ameças de morte.

O G1 entrou em contato com o autor da postagem. Por telefone, o professor de inglês José Leonardo César Richez, de 37 anos, explicou que prendeu o animal porque estava com dificuldade para tirar três larvas da pata dele. “Ele é um cachorro de porte grande e bravo, tanto que até me mordeu na hora que fui tentar tirar a berne. Mas o pior é que ele ficava se debatendo muito. Daí, resolvi fazer essa contenção para evitar que se machucasse”, diz.

Leonardo garante ainda que o animal não ficou preso na árvore por muito tempo. Assim que conseguiu imobilizá-lo, retirou as três larvas e passou uma medicação na área para evitar infecção. Segundo ele, o cachorro foi solto logo em seguida. “Eu sempre tive cachorro, tenho mais dois além desse. Sempre tirei berne deles quando são poucas. Em caso de bicheira, quando tem muita larva, daí eu chamo o veterinário. Assim, com poucas, eu sempre cuidei sozinho. Nunca tive problema”, explica.

Mesmo depois de explicar a situação em sua página no Facebook, o professor conta que continuou recebendo ameaças nas redes sociais. “Teve até uma mulher que chegou a divulgar meu endereço na internet, incitando outras pessoas a irem até a minha casa e me amarrar na árvore. Eu não tive maldade. A maldade foi das pessoas”, afirma o professor.

Até o nome do cachorro foi motivo de crítica. Na legenda da foto polêmica o professor escreveu: “Perdeu, meu monstrinho”. “O problema é que eles não entenderam que o meu cachorro se chama Monstrinho. Meus amigos sabem disso, minha família também. Todo mundo que vem aqui em casa o chama assim. E eu só falei que ele perdeu, porque consegui tirar a berne depois de muita dificuldade”, conta o tutor do cão, que apagou a postagem e resolveu sair de casa em virtude da repercussão negativa e das ameças de morte.

Depois da polêmica, ele resolveu postar fotos do animal em sua página no Facebook para comprovar que ele estava bem. Além disso, uma integrante de uma ONG animal de São Roque foi ao sítio onde ele mora e também constatou que o animal está saudável. A protetora postou até um vídeo para mostrar o cão e escreveu, em seu perfil na rede social, que por pouco não aconteceu uma “tragédia”, referindo-se às ameaças que o professor sofreu.

Veterinário

O médico veterinário Murilo Juste, de Sorocaba (SP), explica que a recomendação correta em casos como esse é sempre buscar auxílio de um profissional da área de saúde animal. Segundo ele, o método de contenção utilizado pelo professor não é adequado. “Ele poderia ter utilizado outra técnica, como uso de focinheira. Em casos de animais mais bravos, um sedativo pode ser necessário, mas só um profissional pode fazer a avaliação do caso.”

O veterinário ressalta ainda que apenas uma foto não é suficiente para comprovar um caso de maus-tratos. “É preciso ter cautela. Para julgar e punir maus-tratos precisamos de um laudo de um médico veterinário, que comprove que o animal teve, de fato, ferimentos”, afirma.

Agora, o professor espera a repercussão negativa da foto que publicou passar para poder voltar para casa. Enquanto isso, um parente toma conta dos cães, cabras, cabritos e carneiros que ele tem em sua propriedade na zona rural da cidade.

Após repercussão, Leonardo postou fotos para mostrar que o cão estava bem
Após repercussão, Leonardo postou fotos para mostrar que o cão estava bem

Por Natália Oliveira 

Fonte: G1

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.