Um dos cães resgatados em lar temporário (Foto: Abrigo dos Bichos/Divulgação)

Tutor surge, leva 3 cães resgatados de maus-tratos e protetores desconfiam

Um mês depois que 44 cães foram resgatados de fazenda em Campo Grande (MS) onde viviam em condições insalubres, um homem surgiu como tutor de três cadelas. Ele foi à Decat (Delegacia Especializada em Repressão a Crimes Ambientais e Proteção ao Turista) e apresentou três carteirinhas de vacinação na segunda-feira (21). Ontem, conseguiu pegar as fêmeas, uma delas prenha e com diagnóstico positivo para leishmaniose.

A situação, porém, gerou desconfiança de protetores de animais que denunciaram a situação e auxiliaram a polícia e o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) no resgate no dia 23 do mês passado. A presidente da ONG (Organização Não-Governamental) Abrigo dos Bichos, Maria Lúcia Metello, explica que não há como deixar de suspeitar que haja algum interesse financeiro, uma vez que os cães são da raça foxhound americano e segundo apurou a polícia antes do resgate, eram vendidos pelo criador e tutor da fazenda por valores entre R$ 500 e R$ 2 mil em todo o Brasil. Os animais eram treinados para caça.

“Parece que mais ‘donos’ vão surgir comprovando suposta propriedade. Mas, inicialmente tínhamos a informação de que apenas três machos não seriam do dono do criatório clandestino”, diz post feito pela ONG no Facebook informando a devolução.

Parte dos animais era mantido em espécie de galinheiro cheio de fezes (Foto: Marina Pacheco/Arquivo)
Parte dos animais era mantido em espécie de galinheiro cheio de fezes (Foto: Marina Pacheco/Arquivo)

Maria Lúcia diz entender que a polícia ficou de mãos atadas. “Pessoas estão criticando delegado, mas existe toda uma sistemática a ser cumprida. Ele está obedecendo também a Justiça. Mas, que tutor é esse que só depois de um mês aparece? Que deixa um bem tão precioso, como dizem que é, naquelas condições inóspitas?”, questiona.

Segundo a presidente do Abrigo dos Bichos, o dono das cadelas alegou que havia levado as mesmas para treinamento. Ele se comprometeu a levar as fêmeas para casa e não mais para a fazenda onde eram maltratadas, segundo Maria Lúcia.

Ela defende que a veracidade das carteirinhas seja investigada. “Porque carteirinha de vacinação todo mundo consegue, tem de ver quem são esses veterinários. Estou bem incomodada porque as informações não estão batendo”.

Os animais estão em lares temporários e recebendo tratamento veterinário enquanto a Decat não conclui o inquérito e a situação dos mesmos está indefinida. “O ideal seria que a guarda fosse dada ao Abrigo. Nós castraríamos e aí acabaria com essa história de gente querer cão de raça”.

Maria Lúcia revela que a ONG chegou a receber propostas de adoção de “três casaizinhos”. O objetivo do proponente não poderia ser outro, acredita a protetora, que “fabricar” mais cachorros da raça.

Outro questionamento feito pela presidente do Abrigo dos Bichos é quanto aos gastos que os 44 cães estão dando. Todos estão doentes, com leishmaniose, cinomose, brucelose, TVT, doença do carrapato, epatozoon, giárdia, anemia, bicho-de-pé. “Quem vai pagar a conta? A ONG? Agora quer dizer que o tutor deixou por um mês num spa?”.

Resgate – No canil encontrado na fazenda da MS-040, em Campo Grande, há um mês, os bichos estavam amarrados, expostos ao calor, sem água ou alimentação adequada. Além disso, alguns deles estavam em um cubículo repleto de fezes.

Fonte: Campo Grande News

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