Um ano após caso Manchinha, 'censo' do Carrefour identifica 300 animais abandonados em supermercados no país

Um ano após caso Manchinha, ‘censo’ do Carrefour identifica 300 animais abandonados em supermercados no país

Quase um ano após a morte do cachorro Manchinha em um de seus supermercados em Osasco, na Grande São Paulo, uma espécie de “censo” do Carrefour contabilizou mais de 300 animais abandonados vivendo em suas unidades no Brasil. Parte desses cães e gatos identificados, 174 bichos, foi resgatada e levada a abrigos parceiros da empresa.

As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (4) em entrevista coletiva com representantes do Carrefour, na sua sede nacional, na cidade de São Paulo.

Eles chamaram os jornalistas para prestar esclarecimentos sobre o Termo de Compromisso firmado em março deste ano com o Ministério Público (MP). Pelo acordo, o Carrefour pagou R$ 1 milhão num fundo de proteção a animais.

O encontro com a imprensa ocorreu às vésperas do dia 28 de novembro, quando há um ano o Carrefour virou notícia. Naquela ocasião, Manchinha, um cachorro abandonado que vivia no supermercado em Osasco, morreu ao ser agredido por um segurança.

Vice-presidente do Carrefour, Stéphane Engelhard, fala para plateia de jornalistas na sede da empresa em São Paulo — Foto: Kleber Tomaz/G1

Câmeras de segurança gravaram o funcionário da empresa terceirizada de segurança do supermercado correndo com uma barra atrás do animal. O bicho ainda aparece mancando e sangrando nas imagens (assista ao vídeo mais abaixo).

Apesar de as imagens não mostrarem a agressão, o segurança admitiu, em depoimento à polícia, ter batido no cachorro com a barra para expulsá-lo do supermercado, mas que não teve a intenção de feri-lo.

Outras filmagens feitas por celulares mostram Manchinha machucado e sendo imobilizado por funcionários da prefeitura. Eles utilizam uma corda laçada ao pescoço do bicho, que desmaia.

Em seguida, o cão é levado a uma unidade especializada em animais onde morreu. Segundo a veterinária que o atendeu, ele faleceu em decorrência de sangramento. Por comunicado à época, a prefeitura de Osasco informou que o Departamento Animal fez o procedimento padrão para recolher Manchinha.

Os vídeos do caso Manchinha foram compartilhados nas redes sociais geraram uma série de protestos, principalmente de entidades protetoras dos animais e da classe artística.

Vídeo: Polícia analisa câmeras para saber se cão sofreu maus tratos na Grande SP.

“Acho que de certa foram a gente teve uma questão de imagem [prejudicada] do Carrefour”, disse Stéphane Engelhard, vice-presidente executivo de relações institucionais da empresa, sobre a repercussão do caso Manchinha.

De acordo com o Carrefour, quase 600 mil comentários, a maioria negativos, foram publicados nas redes sociais da empresa em dezembro passado.

“Estamos trabalhando duro para que isso não aconteça mais e que nossa imagem volte a ser a de uma empresa que tem princípios”, falou Stéphane sobre a estratégia adotada pelo Carrefour de fazer parcerias com ONGs pela causa animal.

A Ampara e a Comissão Manchinha estão trabalhando em conjunto com a empresa para levar os bichos para abrigos seguros. “É uma ação que envolve nossas mais de 300 unidades no país”, continuou o vice-presidente do Carrefour.

Além disso, a empresa promove eventos de doações de animais em suas lojas. Também foram feitos cursos de capacitação para os funcionários saberem atender ocorrências envolvendo animais dentro dos supermercados. Foram doadas rações para entidades de assistência animal.

Manchinha era um cachorro abandonado e dócil que perambulava pelo Carrefour de Osasco e recebia alimentos e afagos de clientes e funcionários.

Em dezembro do ano passado a Polícia Civil concluiu o inquérito do caso Manchinha e responsabilizou o então segurança do Carrefour de Osasco pela agressão que resultou na hemorragia e, consequentemente, na morte do animal. Ele responderá em liberdade pelo crime de abuso e maus-tratos a animais.

O relatório do caso seguirá para apreciação do Ministério Público e da Justiça. O G1 procurou a assessoria da Promotoria e aguarda um retorno para saber se já teve alguma decisão a respeito.

Por Kleber Tomaz

Fonte: G1

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