Um olhar deste orangotango órfão fará você desistir do azeite de dendê para o bem

Um olhar deste orangotango órfão fará você desistir do azeite de dendê para o bem

Por Jerald Pinson / Tradução de Pâmela Miler

Nas florestas densas de Bornéu e Sumatra, no alto da copa das árvores de Nyatoh, figueiras, e maciços paus ferro, tão grandes que crescem com uma forte espessura para se ancorar no local, vivem os “povos da floresta”, termo este usado na Malásia para os orangotangos. Existem apenas duas espécies de orangotango: uma que vive na ilha de Sumatra e a outra na ilha de Bornéu, sendo que ambos estão seriamente em perigo. Enquanto a envergadura de um orangotango adulto é provavelmente mais alta do que você (um pouco mais de 2 metros – uma adaptação que os torna adequados para uma vida no topo), eles são, em outros aspectos, não tão diferente de nós. Eles fazem casas de folhas na copa das árvores, cuidam meticulosamente dos seus jovens e até mesmo usam grandes folhas para manterem-se secos, enquanto chove. Eles também são muito inteligentes, e no passado foram ensinados a usar a linguagem dos sinais.

Mas, como é muito comum para outras grandes espécies de mamíferos, os orangotangos estão em perigo de extinção devido à atividade humana.

Olhando nos olhos deste jovem orangotango, é difícil compreender como poderíamos conscientemente causar a destruição de uma criatura tão semelhante à humana.

O orangotango na imagem acima é chamado de Chocolate, e a foto foi tirada apenas alguns minutos antes de ele ser finalmente libertado após três anos em reabilitação. Chocolate foi vítima do comércio ilegal de espécies. Os moradores que participam nestas atividades separam as mães orangotango vulneráveis com seus filhotes no topo da floresta, cortam as árvores vizinhas para que eles não possam escapar, golpeiam a mãe no chão ainda segurando firmemente seu filho, batem para deixá-la inconsciente e roubam o bebê. Depois, eles vendem-no por, no máximo, alguns milhares de dólares. Mas Chocolate teve sorte, porque os membros do Sumatran Orangutan Conservative Program (SOCP – Programa de Conservação do Orangotango da Sumatra) foram avisados sobre seu paradeiro por uma equipe de investigação da vida selvagem que estava disfarçada e rapidamente trouxeram as autoridades locais para recuperá-lo pacificamente.

Óleo de palma e orangotangos

Mas as boas novas de Chocolate podem ser de curta duração. A equipe que originalmente o encontrou, estava na área para investigar o desmatamento ilegal de áreas naturais para a conversão em plantações de árvores de óleo de palma (ou azeite de dendê), uma das maiores ameaças à sobrevivência dos orangotangos. Entre 1980 e 2009, a área de terra tropical que foi convertida para a produção desta árvore saltou de 3,83 milhões de acres a mais de 30 milhões, uma área que é aproximadamente do tamanho do estado do Mississippi. Esta prática tem vários pontos negativos, o primeiro e mais óbvio é que uma grande quantidade de diversidade está sendo destruída e substituída por monoculturas. Limpar o terreno também contribui para a mudança climática global. Muitas vezes, as plantações são construídas bem em cima antigas florestas de turfas. Esta turfa armazena uma quantidade enorme de carbono, mas quando os pântanos são drenados e limpos, a turfa começa a decair, liberando o carbono armazenado por milhares de anos de volta para a atmosfera. Como grandes áreas de florestas tropicais desapareceram em Bornéu e Sumatra, as casas dos orangotangos que viviam nelas também desapareceram. Organizações como SOCP, por vezes, saem e mudam os orangotangos de local, que de uma forma ou outra seriam mortos, pois suas florestas foram cortadas e, com seu habitat cada vez menor, obriga-os a se aventurar em plantações e outras áreas povoadas, à procura de comida, onde eles são alvo. De acordo com um estudo recente, de 750 a 1.790 orangotangos são mortos a cada ano em uma única região de Bornéu.

Um futuro brilhante

Mas nem tudo está perdido ainda. Em alguns lugares, os ativistas estão até mesmo ajudando a virar a maré. Em Sumatra, ativistas processaram uma plantação de óleo de palma por limpar a terra de forma ilegal e, apesar ter levado nove anos, eles ganharam o caso no tribunal, com a promessa de devolverem a terra para a comunidade e deixar a floresta voltar a crescer.

Devido à contestação sobre os impactos negativos das plantações de óleo de palma, muitos países e empresas, como a Nestlé, a Johnson & Johnson e a Unilever, juntaram-se a uma organização chamada Mesa Redonda Sobre Óleo de Palma Sustentável (RSPO), que garante que os produtores do azeite estão obedecendo às leis e protegendo as espécies ameaçadas. Existem algumas dúvidas sobre a eficácia desses programas, mas como consumidores, podemos escolher evitar consumir o azeite de dendê. Se você estiver buscando extirpá-lo das suas refeições e dos seus produtos de higiene, o One Green Planet tem uma grande lista de produtos alternativos que você pode usar para substituir.

Juntos, podemos parar a destruição causada pelo óleo de palma e dar aos orangotangos uma chance de lutar. Olhando nos olhos de Chocolate, é claro que devemos muito a eles, pelo menos.

Fonte: One Green Planet

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