Um praticante de ‘santería’ preso por crime de abuso de animais após sacrifício de uma cabra na Espanha

Um praticante de ‘santería’ preso por crime de abuso de animais após sacrifício de uma cabra na Espanha
Objetos apreendidos após a detenção de um ‘santero iorubá’ – Foto: POLICÍA NACIONAL

A Polícia Nacional prendeu em Granada, na Espanha, um santero iorubá de 44 anos, cubano e de nacionalidade espanhola, como suposto autor de um crime de abuso de animais após o sacrifício de uma cabra e seu abandono durante a noite na passagem de acesso a um parque urbano da capital de Granada.

Numa chamada feita pelos seguranças, que estavam de serviço nas imediações do acesso a um parque urbano da cidade, os agentes policiais foram alertados, conforme noticiou a Polícia Nacional em comunicado esta segunda-feira dia 18. Nesta comunicação foi relatado que eles haviam flagrado um homem “jogando para fora de um veículo o corpo ensanguentado de uma cabra”.

Os agentes chegaram ao local por volta de uma da manhã. Chegando lá, a polícia localizou um veículo próximo a um veículo da empresa de segurança que havia solicitado a intervenção policial.

Dentro do primeiro veículo, os agentes encontraram um homem ao volante, uma mulher no banco do passageiro e dois menores nos bancos traseiros. Após identificar o motorista, que já foi levado à justiça, ele respondeu aos questionamentos da polícia afirmando que era um santero iorubá e que acabara de realizar um ritual para as pessoas que o acompanhavam no veículo.

Em seguida, quando questionado sobre o animal encontrado pelos seguranças, este indivíduo declarou que havia sacrificado em sua casa uma cabra, que havia comprado de um amigo seu, e que seguindo um ritual estabelecido, teve que jogar fora os restos dela numa encruzilhada para que sejam devorados por outros animais.

Dentro do porta-malas do veículo, localizado próximo aos restos ensanguentados da cabra, foi encontrado um pote com sangue, restos de plantas, minerais e conchas. Além disso, foram encontrados um punhal, uma adaga e várias garrafas de bebidas alcóolicas dentro de um balde de plástico. Por outro lado, os agentes puderam observar vestígios de sangue no estofamento do veículo.

Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: Europa Press


Nota do Olhar Animal: Maus-tratos são maus-tratos, independentemente de ocorrerem em rituais, abate para consumo ou qualquer outra forma de exploração animal. O sacrifício ritualístico de animais ocorre em diversas religiões. E de todas elas deve ser banido, inclusive os sacrifícios ocorridos nas celebrações cristãs, como os que acontecem no Natal e Páscoa. O que é justo é que animal algum tenha o destino que lhe é dado em práticas religiosas, sem exceção. Porém, quem explora os animais para rituais se esconde atrás de argumentos como o da isonomia em relação ao tratamento dispensado a outros grupos religiosos. Escondem-se também atrás da “liberdade religiosa”, preceito constitucional que jamais se aplicaria se as vítimas fossem humanas.

Infelizmente, parte do ativismo animalista “comprou” esse discurso, mas não o sustenta quando o tema são outras áreas da exploração animal. Por exemplo, ativistas jamais se posicionaram contra a aprovação de leis estaduais de proibição ao uso de animais em circos, ainda que em outros estados a atividade continuasse liberada. Jamais alegaram algum tipo de discriminação contra os povos de Alagoas, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraíba e Pernambuco, pelo fato de nestes estados terem sido aprovadas leis que proíbem animais em circo, mesmo que baianos, amazonenses, goianos, potiguares, sul-matogrossenses e outros não vivenciem a mesma restrição. Por conta desta falta de simultaneidade, a proibição ao uso de animais em circos não deveria ter ocorrido em 12 estados? Esta abrangência parcial e circunstancial representa alguma forma de discriminação? Fôssemos considerar este raciocínio, não seria justo querer que uma outra pessoa se torne vegana sendo que a maioria dos humanos não o é e não se tornará vegana simultaneamente. O ativismo sustentar que, se a proibição não alcançar todas as religiões, a interrupção NÃO deve ocorrer, é tudo que quem explora quer ouvir de quem, a princípio, deveria defender os interesses dos animais. Quando estes protetores tratam de rituais, tiram o foco dos interesses dos animais e passam o foco para os interesses humanos. Interesses egoístas, diga-se de passagem, pois os rituais se destinam à obtenção de benesses para quem os pratica, às custas do sofrimento e morte dos bichos. Por isso, é lamentável ver ativistas defendendo que o fim das mortes em rituais de religiões de matriz africana só deve ocorrer quando acabarem nas demais religiões. Desconhecemos que estes ativistas tenham lançado alguma campanha ampla pelo fim do uso de animais em rituais para todas as religiões nas vezes em que o tema veio à tona (aprovação de lei sobre o assunto no RS ou por ocasião do julgamento da questão pelo STF, por exemplo). Estes ativistas se restringem a proteger os rituais destas religiões e se omitem sobre a defesa de suas vítimas. Não querem ficar “mal na fita” e serem acusados de racismo, etnocentrismo e outros “ismos”. Assim, optam por um “ismo” socialmente mais aceito: o especismo. E, defensivamente, imputam os outros “ismos” a quem se mantêm firme na defesa incondicional dos animais. Não há dúvidas de que esta é uma posição vergonhosamente especista e que colabora para o prolongamento do sofrimento e a morte impostos aos animais.

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