Universidade de Washington acaba com o uso de gatos para treinamento médico

Universidade de Washington acaba com o uso de gatos para treinamento médico
Ativistas dos direitos dos animais Adam Ortberg (esquerda) de Washington, D.C., e Robin Donovan (direita) de Buffalo, N.Y., participam da passeata em frente à Universidade de Washington, ocorrida em 29 de outubro de 201 pelo fim da utilização de gatos pelas escolas de medicina no treinamento de estudantes. O protesto foi o encerramento da convenção de fim de semana dos organizadores de direitos dos animais e todo o país. (Fotos: Robert Cohen)

Depois de vários anos enfrentando a pressão exercida pelos grupos de direitos dos animais, a Universidade de Washington, nos EUA, decidiu encerrar o uso de gatos para treinar novos médicos a inserir tubos de respiração.
A escola de medicina era a última nos Estados Unidos a utilizar animais vivos para treinamento, segundo o Physicians Committee for Responsible Medicine, organização não governamental contrária ao uso de animais para pesquisa.

“Depois de uma análise criteriosa e realização de investimentos expressivos em um centro de simulação, a escola de medicina da Universidade de Washington, a partir de agora, fornecerá treinamento de entubação neonatal utilizando apenas bonecos e simuladores avançados”, segundo nota divulgada pela escola em outubro. “O aperfeiçoamento nos simuladores tornou isto possível. Sendo assim, a universidade tomou a decisão de não mais utilizar gatos anestesiados no treinamento de profissionais de saúde para realizar procedimentos de entubação emergenciais.”

O comunicado não menciona quantos gatos ainda permanecem no laboratório, mas afirma que os remanescentes serão adotados pelos funcionários da escola de medicina. A equipe de médicos disse ter sido notificada, recentemente, sobre esta mudança pelo Dr. Gary Silverman, que assumiu o cargo de chefe da pediatria na Universidade de Washington no fim do ano passado.

“Isto já deveria ter acabado há muitos anos, mas estamos satisfeitos que tenha terminado agora”, disse o Dr. John Pippin, diretor do grupo de assuntos acadêmicos. “Estamos realmente perplexos que um programa de ponta como este utilizasse um método de treinamento desacreditado.”

O uso de animais vivos para treinamento de médicos tem sido reduzido drasticamente nos últimos 20 anos com o aperfeiçoamento de bonecos de alta tecnologia.

Há alguns meses, a Universidade do Texas, em Chattanooga, e a Universidade Johns Hopkins foram as últimas escolas de medicina a utilizar animais vivos para práticas cirúrgicas, o que frequentemente resulta na morte do animal.

O grupo de direitos dos animais People for the Ethical Treatment of Animals registrou queixas junto ao Departamento de Agricultura contra o uso de gatos pela Universidade de Washington, em 2009 e 2013. O ex-apresentador de TV Bob Barker também se uniu ao protesto e ofereceu uma doação de manequins com alta tecnologia para a escola.

Pouco tempo depois, a escola retirou o treinamento com animais da certificação do curso para profissionais de fora da instituição baseado nas diretrizes da American Heart Association. As equipes de transporte de emergência e estudantes de medicina continuaram usando nove gatos no laboratório da escola para praticar a colocação de tubo de respiração.

Na época, o Dr. Bo Kennedy do St. Louis Children’s Hospital afirmou que utilização dos gatos era preferível aos simuladores por eles possuírem tecidos delicados semelhantes aos de bebês prematuros e de pacientes infantis em estado grave.

“A razão de utilizarmos gatos é porque as vias respiratórias aéreas destes animais são muito semelhantes ao do bebê recém-nascido” explicou Kennedy. “Eles possuem o mesmo tecido delicado, com o qual precisamos ter muito cuidado, e reflexos de proteção das vias respiratórias que rapidamente se fecham. Os bonecos ficaram muito sofisticados, mas ainda são feitos de plástico e não respondem como se fossem um tecido de verdade.”

Os gatos eram sedados e tinham tubos respiratórios inseridos quatro ou cinco vezes ao ano; eles não eram mantidos em jaulas e eram adotados, a maioria por membros da equipe, após três anos de serviço. Segundo a escola, nenhum gato sofreu ferimentos desde que o laboratório foi inaugurado em 1988.

O USDA não encontrou qualquer violação ao Animal Welfare Act, nem durante a inspeção recente, em maio e nem após a queixa da organização PETA, em 2009.

O ativista dos direitos dos animais Adam Ortberg, de Washington, D.C., participa da passeata em frente à Universidade de Washington, ocorrida em 29 de outubro de 201 pelo fim da utilização de gatos pelas escolas de medicina no treinamento de estudantes. O protesto foi o encerramento da convenção de fim de semana dos organizadores de direitos dos animais e todo o país.
O ativista dos direitos dos animais Adam Ortberg, de Washington, D.C., participa da passeata em frente à Universidade de Washington, ocorrida em 29 de outubro de 201 pelo fim da utilização de gatos pelas escolas de medicina no treinamento de estudantes. O protesto foi o encerramento da convenção de fim de semana dos organizadores de direitos dos animais e todo o país.

Por Blythe Bernhard / Tradução Katia Buffolo


Nota do Olhar Animal: Como sempre, para justificar o uso de animais em testes científicos, os pesquisadores apontam o que entendem ser “semelhanças” entre eles e os humanos. Quando questionados sobre a ética de seus procedimentos, eles bradam sobre as diferenças.

Ótimo que os gatos (e esperamos que quaisquer outros animais) tenham deixado de ser torturados na universidade. Mas é lamentável que isso só ocorra quando estes pesquisadores entendem que há “métodos alternativos”, ignorando os interesses dos animais.

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.