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Urcamp apresenta cavalos sem sinais de maus-tratos; protetores reafirmam falta de cuidados

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A reitora da Universidade da Região da Campanha, Lia Quintana, convidou, na manhã de ontem, a reportagem para verificar as condições dos cavalos recolhidos pelo município, que estão no campus rural da instituição. A reitora, acompanhada do coordenador do campus, Derly Siqueira, e dos responsáveis técnicos pelo hospital veterinário, Luciana Lins e Guilherme Collares, afirmou que, dos 25 animais, apenas dois não estão em ótimas condições – um deles tem 25 anos e dificuldade para comer, outro foi o último a ser recolhido e, por isso, ainda não apresenta uma recuperação total.

Ela afirmou, ainda, que os equinos, hoje, são da universidade, pois isso estava previsto no convênio firmado entre a prefeitura e a Urcamp. Dessa forma, a tropa deve ir a leilão – apenas aqueles em ótimas condições, animais em recuperação devem continuar sendo tratados. O grupo elucidou que há dois cavalos na enfermaria. Um deles, inclusive, deve receber uma prótese, porque precisou ter uma das patas amputadas.

Siqueira rebateu as denúncias de maus-tratos, ao afirmar que as fotos divulgadas pelo Núcleo de Proteção aos Animais mostram apenas aqueles exemplares com problemas e não a tropilha. “Dizer que estão sofrendo é má-fé”, destaca. Lia elucidou que o núcleo e os Protetores de Cavalos do Pampa não serão autorizados a ingressar no local.

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Por dia, são necessários R$ 40 de investimento para alimentar os animais – esse é o preço do saco de ração -, o que é custeado pela universidade. Siqueira lembrou que os cavalos chegaram à Urcamp em péssimas condições, pelo descuido de seus tutores. Diz que o espaço do campus é perfeito para a recuperação, uma vez que conta com farta pastagem. Considera que o núcleo presta um desserviço ao afirmar que os animais estão sendo maltratados. Collares, por sua vez, ponderou que a equipe é abnegada. “Não temos final de semana, porque temos orgulho do nosso trabalho”, diz. Enquanto a reportagem estava no local, Siqueira recebeu a ligação do vice-prefeito, Carlos Alberto Fico. Conforme o comentário de Siqueira, para a reitora da Urcamp, Fico queria se retratar quantos às falas publicadas sobre o convênio.

Extinção do convênio é “retrocesso”

Fico recebeu a reportagem em seu gabinete. Lembrou a origem do convênio: “os animais, antes, eram recolhidos e transportados para o Parque do Gaúcho. Pela proximidade com a zona urbana, o acesso de proprietários aos animais era fácil. Eles costumavam cortar arames e, assim, libertar os cavalos. A Urcamp se mostrou receptiva à ideia”. Isso aconteceu exatamente em dezembro de 2013, quando a presença de um animal errante na estrada determinou a morte de uma jovem advogada. Firmar convênio com a Urcamp foi considerada a melhor opção, levando em consideração a localização e a estrutura, como o hospital veterinário. Foi acordado, dessa forma, que os valores das multas diárias, pagas pelos proprietários que resgatariam os cavalos, seria de R$ 60: R$ 40 seria repassado para a instituição e R$ 20 para a SMTC.

Dessa forma, foi enfático ao garantir que os animais não estavam abandonados ou maltratados. Criticou a Coordenadoria do Bem-Estar Animal: “não tem conhecimento; errou quando falou em nome do governo”. Reafirmou que a venda dos animais deve ocorrer e comentou que o convênio não será prorrogado em decorrência das interferências do núcleo, uma vez que a Urcamp preferiu não renovar o acordo. Assim, informou que os animais serão retirados do campus, mas não há definição de para onde serão transportados. “O núcleo diz que têm pessoas que querem adotar, mas eles têm outros 300 animais para adoção”, lembrou, ao fazer referência aos cães e gatos cuidados pela entidade.

Há três semanas não há recolhimento de animais de grande porte das ruas de Bagé. Uma situação considerada urgente. Mas transportar e manter os animais no Parque do Gaúcho não é opção. Ele diz que será preciso dialogar com a comunidade. Considera, assim, a situação atual como um “retrocesso” a dezembro de 2013, quando ocorreu a morte de um cidadão. “Nosso agradecimento à Urcamp pela atitude de cuidar desses animais. Esperamos que a população entenda a situação e pondere que a Urcamp e sua estrutura, com hospital veterinário, é melhor do que nada”, finalizou.

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A reportagem procurou a coordenadora do Bem-Estar Animal, Muriel Sarmento, que preferiu não se manifestar. Por volta das 17h, a FOLHA recebeu uma nota de esclarecimento, reproduzida, na íntegra. “A Prefeitura de Bagé, através da Coordenadoria do Bem Estar Animal (Cbea) esclarece que apenas recebeu a denúncia a respeito dos maus tratos dos cavalos albergados na Universidade da Região da Campanha (Urcamp) e posteriormente, realizou uma fiscalização no local. A denúncia foi feita em conjunto pelo Núcleo Bajeense de Proteção Animal (Nbpa), Grupo de Protetores do Pampa e demais membros da comunidade. A pasta informa ainda que está tomando todas as medidas necessárias para sanar as dúvidas e concluir a situação quanto ao manejo dos animais. Vale frisar também que a Coordenadoria tem mais de um ano de funcionamento e diversas políticas públicas, fiscalizações e inovações em prol dos animais já foram implantadas no município” (SIC)

Núcleo reafirma falta de cuidados

A vice-presidente do Núcleo, Patrícia Coradini, enfatizou que cinco integrantes do NBPA e dos Protetores de Cavalos do Pampa estiveram no campus, no dia 23 de março, e verificaram as condições dos animais. De acordo com ela, apenas três ou quatro exemplares apresentavam boas condições, diferente do que foi constatado, ontem, pela reportagem. Comemorou o fato de que, também ontem, dois animais estavam na enfermaria. Segundo ela, no dia da fiscalização, eles não estavam sendo tratados. Garantiu, ainda, que um laudo deve ser apresentado quanto à saúde da tropa, por uma veterinária que acompanhou a ação de fiscalização. “Não sei o que eles fizeram”, disse, em resposta à manifestação de que apenas dois equinos apresentam características de inanição. Finalizou ao questionar: “a troco de que iríamos mentir?”. 

Animais com suspeita de raiva

Os responsáveis técnicos pelo hospital veterinário, Luciana e Collares, garantiram que um surto de raiva na região preocupa os profissionais. As aulas práticas no campus rural foram suspensas em decorrência disso. Cinco equinos e dois bovinos apresentaram sinais clínicos da doença . A vacinação da tropa recolhida das ruas, pelo município, começou após a suspeita. Os animais da Urcamp já estavam vacinados. Não há um laudo oficial, mas os profissionais garantem que já receberam a resposta de modo informal, confirmando as suspeitas. A partir dessa confirmação, algumas medidas devem ser tomadas, como a comunicação à Inspetoria Veterinária, ao Ministério da Agricultura e à Coordenadoria de Saúde. Garantiu, ainda, que todos aqueles que atuam no campus estão expostos e que, por isso, todo o procedimento correto foi adotado. Eles devem receber as últimas doses da vacina na próxima semana. O lote do qual os animais com a doença fazem parte já está em quarentena. 

Fonte: Folha do Sul

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