Valladolid se somará às cidades que limitam a presença de circos com animais na Espanha

Valladolid se somará às cidades que limitam a presença de circos com animais na Espanha

Valladolid se une às Assembléias que exigem um tratamento digno para os animais, mas adia a medida para 2016 pelos contratos já assinados.

Por Víctor Vella / Tradução Alice Wehrle Gomide

Espanha Valladolid circo animais

A cidade entra na lista dos municípios que proibirão (ou limitarão) a utilização de animais em espetáculos circenses e anunciou que, a partir de agora, somente irá autorizar circos onde os animais não ocupem um lugar na tenda. Assim transmitiu no último domingo (9) a Ministra da Cultura Ana Redondo ao Presidente da Associação dos Feirantes de Valladolid José Luis Martín, que recebeu a notícia com a incerteza que esta medida gera para vários empresários do setor.

A intenção municipal é que a decisão seja implantada de forma gradual na capital. Afinal, este ano já não possui muita margem para mudanças. A proximidade das festas da Virgem de San Lorenzo (falta só um mês), e os contratos já assinados fizeram com que estas limitações fossem adotadas somente a partir de 2016. É o caso, por exemplo, do circo Holiday, que terá suas instalações no Real de la Feria entre os dias 10 e 27 de setembro. Seu gerente, Ramón Sacristán, lembra que já assinou os contratos com os domadores e os artistas responsáveis de vários números. “Além disso, já paguei a publicidade em vários meios de comunicação, convênios com a televisão, anúncios na rua…”. No total, calcula Sacristán, o desembolso feito até agora pela sua empresa de circo chega aos 100.000 euros. “Se a Prefeitura me pagasse esse dinheiro, não teria problema… mas já tenho contratos assinados”, garante.

O circo Holiday, um clássico do entretenimento de Valladolid, conta para este ano com um número com tigres, outro com crocodilos e uma montagem “exótica” com avestruzes, llamas, camelos e búfalos. Todos eles, garante Sacristán, recebem não somente “um tratamento digno”, mas também contam com “as melhores instalações”. Sendo assim, explica que os tigres se movimentam em um local de 400 metros quadrados com piscinas e troncos, e que os crocodilos dispõem de uma piscina de 150.000 litros de água. “Tudo de acordo com as leis e a normativa européia, sob a supervisão permanente de um veterinário”, indica o gerente deste circo, que rejeita as acusações de “maus-tratos” feitas por alguns grupos contrários ao uso de animais no circo.

RAMÓN SACRISTÁN – Circo Holiday: Mesmo que nos acusem e nos ameacem, não há maus-tratos; os animais estão atendidos e cuidados em amplas instalações.

Sí Se Puede Valladolid era um dos partidos que levou esta medida de espetáculos sem animais em seu programa eleitoral. O porta-voz, Charo Chávez, entende que os políticos não podem “olhar para o outro lado” e devem garantir o bem estar “não somente das pessoas vulneráveis, mas também dos animais”. “Não é uma opção, em pleno século XXI, forçar o tratamento que recebem alguns animais. Temos que ser sensíveis a esta situação e lembrar que existem muitas alternativas culturais no meio circense. E a maioria, de grande qualidade. O mundo do circo é fascinante, há propostas muito claras de excelência”, indica Chávez, que entende a prorrogação da medida até o ano que vem. “Se já assinaram um contrato, e há famílias que vivem disso, entendemos que se adie até 2016, mas está clara nossa decisão por um circo sem animais”. O partido também defende a eliminação da atração que utiliza pôneis e pequenos cavalos na feira Real de la Feria.

Defesa Animal

Toma la Palabra – sócio do governo do PSOE na Assembléia – também defendeu em seu programa eleitoral a proibição do uso de animais em espetáculos circenses. Seu porta-voz Manuel Saravia aposta por estas alternativas sem leões, tigres ou outros animais. E a Ministra do Meio Ambiente, María Sanchéz, escreveu sobre esta limitação no Twitter, justamente quando a redação anunciava a nova normativa para a regulação da posse de animais domésticos, que contará com a contribuição dos grupos de defesa animal.

A Ministra de Cultura e Turismo, Ana Redondo, refletiu de forma clara a postura da nova equipe do Governo: “Temos que procurar alternativas e caminhar para um circo sem maus-tratos e sem a utilização de animais”. Redondo entende que a aplicação em Valladolid deve ser feita gradualmente, “pois leva tempo e há que adaptar-se de forma progressiva”. Sobre tudo, ela diz, para dar tempo aos empresários e profissionais do circo que “se reciclem” – “para muitos é seu exemplo, seu sustento e parte de sua tradição familiar” – e procurar alternativas, “algo que sabemos que já está acontecendo”. A ministra lembrou que há muitas propostas circenses que não utilizam animais e que estão à frente de novos espetáculos. Molda-se, assim, um futuro onde o maior espetáculo do mundo deixe de lado os domadores e volte com mágicos, trapezistas, equilibristas e números ópticos.

JOSÉ LUIS MARTÍN – Presidente dos Feirantes: “Não pode ser um aqui te pego, aqui te mato. A decisão deve ser tomada por consenso”.

A prefeitura e os feirantes possuem um convênio em vigor que expira em 2017 e é nele que, segundo Redondo, deve-se trabalhar de forma coordenada, “pois o trabalho dos feirantes de festas é fundamental para dar ambiente e alegria não somente nas festas de setembro, mas em muitas outras festas no decorrer do ano”.

Outros municípios

Valladolid não está sozinho neste caminho e há outros municípios nesta caminhada. Por exemplo, Zamora, Málaga, Reinosa, Valencia (o Circo Mundial não se apresentará neste Natal na cidade pela primeira vez em 41 anos) ou Cataluña, onde o Parlamento regional aprovou uma lei de proteção dos animais que impede seu uso neste tipo de espetáculos. Esta situação mobilizou os empresários do ramo circense. Trinta deles tiveram no último dia 5 uma reunião em Madrid para acordar uma posição comum e abordar as críticas dos números com animais no círculo. “Especialmente porque não podemos ser acusados de maltratar os animais”, indica Ramón Sacristán, gerente do Holiday.

Fonte: El Norte de Castilla 

Nota do Olhar Animal: Todo animal usado em circos sofre maus-tratos, seja pelo confinamento de animais que na natureza percorrem muitos quilômetros diariamente, seja pelo transporte frequente e feito em jaulas minúsculas, seja pelo adestramento. 

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