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Vaquejada é cancelada em Governador Valadares (MG) após decisão da Justiça

A Vaquejada de Valadares, que seria realizada entre esta sexta-feira (1) e o próximo domingo (3), no Parque de Exposições da cidade, que fica na região do Vale do Rio Doce, em Minas, foi cancelada após uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Segundo a organização do evento, a medida teve que ser tomada após o Ministério Público declarar que a festa não tem regulamentação para que seja realizada no município. “Diante da exigência da promotoria junto ao TJMG impondo que seja cumprida a determinação anterior a lei já sancionada, com pesar, a União Ruralista Rio Doce mais uma vez, comprime o desejo de celebrar parte da cultura brasileira para se submeter a lei. Desta forma, declaramos a realização do evento revogada”, declarou.

[COMUNICADO]A União Ruralista Rio Doce é uma entidade legalista que segue acima de tudo as decisões oficiais….

Gepostet von Vaquejada GV am Freitag, 1. November 2019

Em junho deste ano, o órgão já havia suspendido a Vaquejada em Valadares. Em sua decisão, o desembargador entendeu que a prática promove apenas sofrimento, e é uma agressão a valores mínimos, como o respeito à vida dos animais.

Polêmica

A Vaquejada é uma atividade cultural típica do Nordeste brasileiro e consiste na tentativa de dois vaqueiros, montados a cavalo, derrubar um boi puxando-o pelo rabo. O animal é jogado ao chão e sofre um “desenluvamento”, nome dado ao arrancamento do rabo do boi, a retirada de pele e tecidos da cauda.

No ano de 2016, a Suprema Corte entendeu a vaquejada como prática cruel contra os animais e a julgou inconstitucional ao analisar uma lei de de 2013, do Ceará, que reconhece a atividade como cultural e desportiva.

Pouco depois, o Congresso promulgou uma emenda constitucional que libera práticas como vaquejadas e rodeios em todo o país. A emenda determina que práticas desportivas que utilizem animais não serão consideradas cruéis se forem manifestações culturais ou registradas como patrimônio cultural imaterial.

“Assinalamos aqui o clamor de injustiça e deixamos registrado o questionamento sobre até quando seremos penalizados pelas iniquidades acometidas por parte do Ministério Público de Minas Gerais, em especial a cidade de Governador Valadares”, concluiu a organização do evento.

Por Gabriel Moraes

Fonte: O Tempo

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