Vegano suíço recusado no exército força sua admissão

Vegano suíço recusado no exército força sua admissão
Uma vaca suíça. Veganos, assim como hindus, acreditam que vacas são sagradas.

Imposto ou guerra? Certo, onde pego meu rifle…

Um militante vegano conseguiu ser admitido no exército suíço – e evitar pagar impostos extras como resultado.

Antoni Da Campo, um “vegano rígido e membro da organização suíça de direitos dos animais PEA” tinha sido rejeitado pelo Exército Suíço porque o exército não poderia fornecer sua dieta vegana e porque ele se recusou a usar as botas de couro, de acordo com o site The Local.

“Eles me declararam duplamente inaceitável, o que significa que eu também não posso fazer serviço civil. É por essa razão que eu considero sua decisão discriminatória e arbitrária”, disse Da Campo ao canal de notícias.

Ele acrescentou que, como resultado de não poder completar seu serviço nacional obrigatório, ele estaria sujeito a três por cento extras em seu imposto de renda até atingir 30 anos de idade.

Agora, entretanto, ele convenceu os generais suíços a o admitirem. Depois de Da Campo ter entrado com uma ação judicial, alegando violações de seus direitos humanos, o Tribunal Federal Administrativo, muito sensatamente, ordenou que os militares discutam o assunto com ele. Os oficiais cederam e concordaram em permitir que Da Campo, um estagiário de administração, se aliste.

Suas crenças o proíbem de comer carne, peixe, laticínios, ovos e mel, de acordo com relatórios anteriores.

“Cuidado, não estamos dizendo que um vegetariano não é capaz de fazer seu serviço militar”, Caspar Zimmermann, porta-voz do exército suíço, disse ao serviço local de notícias 24heures em janeiro.

O serviço militar na suíça é obrigatório para todos os homens com 20 anos. Mulheres podem se voluntariar para as forças armadas sob termos similares de serviço. Todos recebem rifles que levam para casa à noite, mas sem munição. Oponentes conscientes podem pedir que não recebam armas, assim como ter a opção de assumir uma alternativa civil para o serviço nacional. Um referendo em 2013 com o objetivo de abolir a obrigatoriedade do serviço militar foi derrotado por 73 por cento dos votos.

“Veganos deveriam ter os mesmos direitos e obrigações dos outros cidadãos e não serem forçados a pagar imposto simplesmente porque se negam a colocar botas que envolvem a morte de animais”, disse Da Campo após ter ganhado sua luta para servir.

Por Gareth Corfield / Tradução de Alice Wehrle Gomide


Nota do Olhar Animal: Três aspectos saltam aos olhos nesta matéria. Primeiro, o constrangimento imposto aos veganos, em especial em ambientes onde não há alternativas de consumo, sendo-lhes impingidos produtos resultantes da exploração animal. Depois, administrar a incoerência entre se recusar a matar / fazer sofrer os animais não humanos, mas, como soldado, estar disponível para matar outras pessoas. Finalmente, o (ainda) grande desconhecimento de boa parte da mídia e da população sobre o que seja o veganismo, ignorância esta escancarada na legenda da foto, que diz “…veganos, assim como hindus, acreditam que vacas são sagradas.” Não!! Veganismo não tem nada a ver com crenças religiosas e sim com o reconhecimento dos direitos morais dos animais e de nossas obrigações para com estes seres.

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