Vereador cobra ‘sumiço’ de 850 coleiras de combate à leishmaniose em Três Lagoas, MS

Vereador cobra ‘sumiço’ de 850 coleiras de combate à leishmaniose em Três Lagoas, MS

O vereador considerado “Protetor dos Animais” cobrou na sessão da Câmara desta terça-feira (17), em Três Lagoas, informações sobre o paradeiro das 850 coleiras para cães, compradas pela Prefeitura, em 2014, que visam prevenir a Leishmaniose. O diretor do CCZ alega que foram distribuídas no São Carlos.

Por Érika Moreira

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Sem saber o destino, vereador Beto Araújo (PSD) cobra informações sobre a localização e a utilização das, aproximadamente, 850 coleiras contra leishmaniose, adquiridas pela Prefeitura de Três Lagoas (MS) para distribuição aos cães do município, em 2014. O pedido de explicação foi feito durante a sessão da Câmara desta terça-feira (17). A resposta pelo diretor do Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) do Município, dada à Rádio Caçula, por telefone, foi que as coleiras foram distribuídas em apenas um bairro da cidade.

“Distribuímos as 750 (menos cem do número citado pelo vereador) no Bairro Parque São Carlos. Em nossas pesquisas, verificamos que aquele local é o de maior infestação do mosquito que transmite a leishmaniose e, consequentemente, de cães infectados”, explica o diretor do Departamento Municipal de Zoonoses, Antonio Luiz Teixeira Empke, mas não informa quando foi feita a distribuição.

O preço médio para as coleiras da única marca disponível no mercado classificada como eficaz na proteção fica em torno de R$ 85, em Três Lagoas. O Município foi considerado um dos com mais índice de incidência do mosquito e em número de casos no Estado. Em 2015, somente no Parque São Carlos três casos foram registrados.

“Quero saber onde foram parar essas coleiras. Para quem foram distribuídas e qual foi o critério usado para a distribuição. A Prefeitura, numa decisão inédita, resolveu adquirir cerca de 850 coleiras para iniciarmos uma pesquisa que, com certeza, seria considerada eficaz no combate a leishmaniose. Até esse momento desconheço o paradeiro das coleiras. Exijo explicação”, cobra o vereador.

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TRASMISSOR

De acordo com Beto Araújo, o cão não é o principal transmissor da doença, pois é necessário o mosquito para que a propagação ocorra. Mesmo assim, o vereador acusa o CCZ de extermínio em massa da população canina em Três Lagoas.

“Temos conhecimento do extermínio gigantesco de cães e gatos no Município. Assim como já denunciamos ao Ministério Público a forma cruel que foram feitas as eutanásias, ou melhor, matança dos animais. Fomos informados que toda a coordenação do CCZ será trocada. Estamos a disposição para transmitir todo o conhecimento que temos coletado sobre o controle da população animal em área urbana”, finaliza Araújo.

DADOS

No final do ano passado (2014), a filha, de nove meses, de um médico na cidade morreu com suspeita de leishmaniose. Em janeiro de 2015, outra criança morreu com suspeita da doença.

Ao todo, 40 casos suspeitos foram registrados em 2014, em Três Lagoas. Desses, dez exames constaram como positivos para Leishmaniose. Neste ano, já existem cinco casos supeitos e um positivo, segundo a Vigilância Epidemiológica.

BAIRROS COM MAIOR INCIDÊNCIA

Parque São Carlos, Vila Guanabara, Santa Luzia, Jardim Primaveril, Santos Dumont e Santa Rita. A Leishmaniose visceral é uma doença transmitida pelo mosquito palha ou birigui (Lutzomyia longipalpis). A transmissão ocorre apenas através da picada do mosquito fêmea infectado.

Fonte: Rádio Caçula

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