Vereadores criam CPI para investigar mortes de animais em Bom Jesus, RS

Vereadores criam CPI para investigar mortes de animais em Bom Jesus, RS

Objetivo é apurar outras pessoas além dos indiciados participaram do crime. Primeira reunião será realizada na próxima segunda-feira na Câmara.

RS bomjesus caes mortosA Câmara Municipal de Bom Jesus instaurou uma comissão parlamentar de inquérito para investigar a matança de 126 cães e três gatos ocorrida no mês passado no município da Serra do Rio Grande do Sul. De acordo com o vereador Jaziel de Aguiar Pereira (PMDB), o objetivo da CPI é apurar a possível participação de outras pessoas além dos quatro indiciados pela polícia.

“Vamos tentar aprofundar a investigação a partir de fatos que a comunidade tem nos trazido”, disse ao G1 o parlamentar.

Como são nove vereadores no município, o requerimento precisou de três assinaturas para ser instaurado. A primeira reunião será realizada na próxima segunda-feira (8) na Câmara Municipal. “Vamos solicitar cópias do inquérito policial para tentar descobrir novos fatos”, afirmou o vereador.

Nesta terça-feira (2), a prefeitura havia determinado a exoneração de um dos quatro servidores indiciados pela Polícia Civil pelo caso. Outro funcionário da prefeitura, também apontado na investigação, entregou o cargo, como já havia feito o Secretário de Desenvolvimento Econômico no dia anterior.

Segundo o prefeito Frederico Becker (PP), Luis Fabiano Cardoso, do setor de Obras da prefeitura, confessou participação no crime e foi exonerado do cargo. Já o diretor do Departamento de Turismo do município, Oberdan Callai Chaves, entregou o cargo por conta própria e pediu exoneração do serviço público.

Vinicius Chissini Nunes, que trabalha no setor de Licitações, negou participação na morte dos animais e continua trabalhando. O quarto indiciado pela polícia é o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Rafael Oliveira Silveira. Ele, que também é vereador em Bom Jesus, já havia deixado o cargo na segunda-feira.

De acordo com a prefeitura, Silveira já havia pedido exoneração da prefeitura há um mês, mas por outros motivos. Filiado ao PP, mesmo partido do prefeito, ele reassumiu uma vaga como vereador na Câmara de Bom Jesus. O vereador também provocou mudanças no comando do inquérito da Polícia Civil, pois é noivo da titular da delegacia de Bom Jesus, Thalita Andrich, que acabou pedindo afastamento do caso por questões pessoais.

A reportagem do G1 entrou em contato com Oberdan Callai Chaves, mas ainda não obteve retorno. Os outros três envolvidos não foram localizados para comentar o caso. Os quatro foram indiciados por maus-tratos e associação criminosa em razão da matança, considerada premeditada pela Polícia Civil, de 126 cachorros e três gatos.

A polícia chegou até os quatro através de câmeras de segurança. Nas imagens (veja o vídeo), é possível ver um carro em uma esquina do centro da cidade. O veículo para e, em seguida, dois cães saem do local. Segundo a polícia, o carro é de um funcionário da prefeitura e foi identificado pela cor e por um adesivo. Nos depoimentos, dois indiciados confessaram a participação nas mortes e deram o nome de outros dois servidores.

Matança para barrar proliferação

O delegado Flademir Andrade, um dos responsáveis pelo caso, detalhou que dois dos quatro indiciados chegaram a admitir o plano para a matança. O motivo, segundo os interrogatórios da dupla, seria conter a proliferação de animais na zona urbana de Bom Jesus. A perícia comprovou que os animais foram envenenados, mas ainda falta saber por qual substância.

“Esse problema de cães abandonados é crônico e antigo na cidade. Já temos casos passados. Há alguns anos, já houve matança de 40 cães, mas não descobriram os culpados. Já é meio cultural na cidade. Pessoas no interior têm o hábito de largar na cidade. Acham que os bichos vão ser alimentados”, disse o delegado.

O Ministério Público (MP) ainda não definiu se irá oferecer denúncia contra os quatro na Justiça, o que, de acordo com o órgão, deve ocorrer até esta quarta (3). Se condenados, as penas podem chegar a dois anos de detenção pelo crime de maus-tratos contra animais e a três anos de reclusão pela prática de associação criminosa.

Fonte: G1

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