Vergonhoso! Oito meses após morte de cão em voo, companhia aérea oferece duas passagens como ‘acordo’, diz tutor do animal

Vergonhoso! Oito meses após morte de cão em voo, companhia aérea oferece duas passagens como ‘acordo’, diz tutor do animal
Tom morreu durante um voo de Guarulhos para Vitória e a necropsia apontou calor como causa da morte — Foto: Reprodução/Instagram

Uma viagem de rotina se tornou um pesadelo para o analista de relações internacionais David Canuto, de 28 anos. Em dezembro do ano passado, durante um voo de Guarulhos para Vitória, o cachorro dele, Tom, morreu ao ser transportado no porão da aeronave. A necropsia, segundo o dono, apontou que o calor foi a causa da morte.

O caso ganhou repercussão na internet nesta semana, após David divulgar a proposta de acordo enviada pela companhia aérea, quase oito meses depois. Nela, a Gol Linhas Aéreas oferece duas passagens para destinos dentro do país. Em nota, a Gol disse apenas que não vai comentar porque o caso está sendo resolvido em um processo judicial.

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*Mais uma vítima da @voegoloficial* @el.canuto – No dia 21 de dezembro de 2019 embarquei em um voo de Guarulhos para Vitoria junto com o Tom. Não gostava de ficar longe dele e no Natal não seria diferente. Embarcamos normalmente, devido ao porte, o Tom teve que embarcar no porão do avião. Ao chegar em Vitória, fui enrolado, funcionários da Gol e do aeroporto me falaram que ainda não tinham desembarcado o TomTom. Após 40 minutos de espera, aflito juntamente com minha mãe que nos aguardava ansiosamente, uma funcionaria(quase aos prantos) me informa que meu cachorro/amigo/filho havia chegado já "sem sinais vitais". A sugestão da equipe da Gol era coloca-lo no FREEZER DE CASA e enterrar EM ALGUM TERRENO. Tentei de diversas formas entrar em contato com a @voegoloficial, que nunca respondeu ou se deu o trabalho de escutar ou prestar esclarecimento. O Tom foi levado (já em obito) diretamente para a clínica, uma vez que solicitamos necropsia. Tom morreu de calor dentro de um avião da Gol, empresa que não apenas negligenciou o transporte e cuidados com um ser vivo, como também demorou quase 9 meses para se pronunciar oferecendo 2 passagens aereas cheias de limitações, como se isso fosse amenizar a enorme dor causada, dor que se estende ate o presente momento. Nosso voo atrasou e o TomTom morreu de calor(de acordo com a necropsia), não recebeu apoio da equipe da Gol. Tom foi um presente do amigo @ederpaolozzi, que confiou em mim para cuidar de um dos filhotes de seu cão. Tom nunca ficava sozinho, sempre viajou comigo, esteve na minha casa e da minha família, sendo meu companheiro em diversos momentos de alegria e dificuldade, sendo também meu principal e por muito tempo único companheiro na minha mudança de cidade. Tom Tom era um cãozinho saudável, tratado com cuidado, amor e carinho não apenas pot mim mas também por amigos e família. Não chegou a fazer aniversário de 2 anos graças a Gol. Garantindo também um natal horrivel. E uma dor imensa e duradoura. Nenhum valor ou passagem vai amenizar o que sentimos, o assustador e o total descaso. Gol, eu e minha familia confiamos em vocês e vocês falharam miserávelmente, erraram feio. #justicaparatom #justiçaparatom

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Capixaba, David conta que ganhou Tom como um presente de um amigo, quando morava do Rio de Janeiro. Desde então, o animal passou a ser um grande companheiro, e raramente ficava sozinho. Depois, a dupla passou a morar na capital paulista.

“Quando me mudei para São Paulo, não conhecia ninguém e ele foi a minha principal companhia. Decidi pelo apartamento com varanda, que tivesse área para ele. Ele era meu porto seguro ali e mudei várias coisas da minha vida para ficar com ele”, contou, em entrevista ao G1.
 

David e Tom. — Foto: Reprodução/Instagram

O cachorro já tinha o costume de fazer a ponte aérea Galeão x Vitória com David, sem nunca ter passado por problemas. Mas, após a mudança, em uma viagem de São Paulo para o Espírito Santo, o animal chegou morto ao aeroporto de Vitória, após o voo atrasar.

Na ocasião, David desembarcava para passar o Natal com a família. Ele esperou cerca de 40 minutos no aeroporto até receber a informação sobre a morte do animal.

“A funcionária que me avisou estava emocionada também e foi o único momento que recebi empatia. Depois, me orientaram enterrar ele em um terreno. Eu fiquei desesperado. A minha mãe, minha tia, minha irmã e minha cunhada estavam comigo no aeroporto e disseram para eu ir para casa porque eu não tinha condições de ficar lá”, lembrou.

Segundo ele, a sugestão da equipe da Gol era colocar o animal “no freezer de casa e enterrar em algum terreno”.

Depois disso, o analista de relações internacionais diz que tentou entrar em contato com a Gol várias vezes, que nunca respondeu.

“Se não tivesse feito a necropsia que mostrou que ele morreu de calor, porque ele já estava com a mucosa seca e falência renal, eu nunca saberia o que aconteceu”, disse.

Em janeiro, ele entrou com um processo na Justiça contra a Gol. Além da revolta por ter perdido um animal de estimação querido, ele também questiona o posicionamento da empresa, que só entrou em contato neste mês, oferecendo duas passagens aéreas como acordo.

“Essa história está me fazendo muito mal. Ele era meu amigo, meu filho. Eu não quero o mal de ninguém, mas quero que se retratem, mudem as atitudes. Não tem como estimar o valor dele com passagem aérea cheia de limitação. A passagem para transportar um cachorro é paga e não é barata. Se eles não podem garantir o serviço, eles não deveriam fazer. O Tom não foi o primeiro cachorro que morreu no transporte, mas gostaria que fosse o último a passar por isso”, disse.

David conta que Tom foi seu principal companheiro quando ele mudou de cidade. — Foto: Reprodução/Instagram

Por Luiza Marcondes e Naiara Arpini

Fonte: G1

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