Veterinário chileno afirma terapias alternativas na região Algarvia, em Portugal

Veterinário chileno afirma terapias alternativas na região Algarvia, em Portugal

Em Tavira, o «Dr. Pet» aplica vários métodos como a medicina tradicional chinesa e a homeopatia para devolver o equilíbrio e saúde aos animais.

Por Sara Alves

«Descreva a personalidade do seu cão». É uma das muitas questões que não se espera ouvir de um médico veterinário, mas que pode fazer toda a diferença no diagnóstico. Quem o diz é o chileno Juan Díaz, 46 anos, também conhecido por «Dr. Pet». Veterinário, homeopata, formado em medicina tradicional chinesa, e com uma pós-graduação em neurologia, é um dos poucos que recorre às terapias alternativas para conseguir «resultados considerados impossíveis».

«Na homeopatia, por exemplo, algo em que acreditamos é que todos – pessoas, animais e plantas – temos uma parte física, emocional e mental», por isso, todas estas dimensões são tidas em conta e trabalhadas.

Portugal Algarvia veterinario chileno afirma terapias alternativas2Os animais domésticos, cães e gatos, chegam às suas mãos com «problemas que a medicina convencional não conseguiu por si só resolver», quando já não há alternativa. No entanto, «depois do primeiro contacto, a grande maioria já não retorna à convencional», garante.

Díaz sublinha que «não deixei de ser um médico convencional. Não sou fundamentalista, por isso, continuo a aplicar esses conhecimentos com a diferença que utilizo outros como complemento. Os antibióticos e antiparasitários são essenciais. Não vacinar um cachorro contra a parvovirose (uma doença que afeta sobretudo cachorros com alta taxa de mortalidade) é uma falta de ética».

Defende que na «medicina convencional não há alternativas de equilíbrio. A resolução é quase sempre matar, destruir e tirar. E esta é uma das grandes diferenças relativamente às medicinas alternativas, às quais prefiro chamar de energéticas: trabalham o equilibro interno da energia».

Antes de ter o seu próprio projeto pessoal, Díaz exerceu noutras clinicas onde não se sentia confortável por não concordar com algumas práticas como as da vacinação anual. Regra geral, «todos os clientes são sistematicamente vacinados e é de facto um negócio brutal.

No entanto, segundo um relatório publicado há mais de dez anos pela Associação Mundial dos Veterinários que trabalham com pequenos animais, recomenda que as vacinas sejam administradas apenas de três em três anos, e é o que tenho vindo a fazer».

Outro dos problemas é que não podia praticar diferentes medicinas como a Homeopatia. Díaz recorda que, na época, a única vez em que lhe enviaram um caso para resolver com recurso às medicinas alternativas foi «de um cão epilético que tentaram tratar sem sucesso e cujo quadro clínico se tinha agravado após o tratamento com duas drogas pesadas convencionais. Peguei no caso e para mim foi de muito fácil resolução. Nunca mais voltou a ter ataques. A partir daí, os meus colegas nunca mais me enviaram nenhum cão».

Quando terminou este vínculo laboral sentiu-se «aliviado» e livre para começar o seu próprio projeto pessoal «Dr. Pet».

Consultas homeopáticas

«A consulta demora quatro vezes mais tempo e é geralmente 30 por cento mais cara que a convencional. No entanto, os remédios homeopáticos são muito mais baratos quando comparados com a medicação alopática», explica. «Nas medicinas alternativas queremos perceber porque é que o paciente adoeceu e não apenas diagnosticar a doença».

A homeopatia pode, por exemplo, curar ou tratar suavemente doenças sem efeitos colaterais e de forma tóxica. Permite também tratar e por vezes curar doenças crónicas que pareciam incuráveis com o tratamento convencional. É o caso do Borra Tintas, um cão que foi tratado durante meses contra a epilepsia com dois medicamentos pesados e sem sucesso. No entanto, «desde que se descubra o que despoletou a doença, há grandes possibilidades de cura», refere. Há ainda certos tratamentos homeopáticos que ajudam os pacientes terminais a terem uma vida «sem os sintomas da morte». Um gato chamado Dennis protagonizou o caso mais surpreendente. «Estava paralisado, cego e hipotérmico. Verificámos que tinha uma espécie de quisto no cérebro. Dei-lhe umas bolinhas homeopáticas e em três dias ficou normal. Algo que durante meses nenhum tratamento convencional conseguiu. O gato curou-se!».

Portugal dá primeiros passos nas medicinas alternativas aplicadas aos animais

«Sinto que cada vez mais há abertura a este tipo de tratamentos e que ainda há muito para crescer. Os médicos deveriam aderir a estas medicinas holísticas, energéticas, alternativas, ou como lhes queiram chamar», defende. Em Portugal, a homeopatia «surgiu há menos de dez anos» e no Algarve «ainda não existem muitos profissionais médicos a exercerem», lamenta. «No Brasil, a homeopatia já é ensinada na Universidade e amplamente usada no dia a dia. No México há homeopatas historicamente conhecidos e os franceses estão muito avançados na investigação. Os ingleses até já têm homeopatia no seu Serviço Nacional de Saúde. No entanto, o líder da homeopatia sempre será a Alemanha».

A aplicação da medicina tradicional chinesa

Portugal Algarvia veterinario chileno afirma terapias alternativas3Já a medicina tradicional chinesa surgiu porque «senti que os meus pacientes com artroses e outros problemas geriátricos não beneficiavam muito da homeopatia. Assim, com o meu intuito de melhorar e sem ser fundamentalista, descobri que a acupuntura era uma grande mais-valia».
Um dos casos de sucesso diz respeito ao cão Buakaw. Sofria de uma doença (OCD) para a qual a medicina convencional não apresentava grandes soluções. «Era praticante de um desporto canino chamado Mondioring, tinha apenas três anos e limitações físicas. Coxeava. Através da acupunctura o Buakaw conseguiu não só participar na Taça de Portugal da modalidade, como ser apurado para o campeonato do mundo em França e ficar em quarto lugar no pódio. Tudo isto em apenas cinco semanas», relata Díaz.

Um médico do mundo

Enquanto jovem estudou no Chile, França, Hungria e Moçambique. Inspirado pelos pais, ambos médicos veterinários, bem como três tios, decidiu enveredar pela mesma carreira. Formou-se pela Universidade do Chile e durante vários anos estudou com dois conceituados homeopatas gregos George Vithoulkas, considerado o «Prémio Nobel Alternativo» e Erik van Woensel mentor da Academia Internacional de Homeopatia Clássica. Depois de se formar em homeopatia, Díaz adaptou tudo o que aprendeu a favor dos animais. «Também fiz cursos específicos para animais, mas a Homeopatia é uma ciência com parâmetros científicos comprovados de forma empírica. E depois de aprendê-la podemos aplicá-la tanto em pessoas, animais ou plantas», realça. Há 15 anos que reside no Algarve, e há três que exerce na clínica «NovaVet», em Tavira.

Solidariedade

Díaz ajuda também animais abandonados colaborando com várias associações como a espanhola «Vagabundogs», e as portuguesas, «Guadi», «Miau», «ADOTA», «Animais de Rua», «PRAVI», «APAR», entre outras que recorrem às medicinas alternativas para tratar animais de rua.

Fonte: Barlavento / mantida a grafia lusitana original

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