Veterinário pressiona para que abrigos possam manter animais de estimação e seus tutores juntos durante desastres no Japão

Veterinário pressiona para que abrigos possam manter animais de estimação e seus tutores juntos durante desastres no Japão
Tutores de animais deslocados por terremotos na região de Kyushu, em abril, se abrigam em um hospital de animais na cidade de Kumamoto, no início de maio. (Foto: Cortesia do Ryunosuke Animal Hospital)

Um veterinário da Prefeitura de Kumamoto que forneceu abrigo para animais de estimação e seus tutores, na sequência dos terremotos de abril em Kyushu, está pedindo aos legisladores para que prepararem instalações semelhantes para futuros desastres.
Como parte desse esforço, Ryunosuke Tokuda, 54 anos, apresentou uma petição com 33.990 assinaturas no mês passado ao legislador Yorihisa Matsuno, do Partido Democrata, que pertence a um grupo um de legisladores da proteção animal.

Quando o Grande Terremoto do Leste do Japão atingiu a região de Tohoku, em março de 2011, os animais não foram autorizados na maioria dos abrigos de evacuação, obrigando muitos tutores a evitar as mesmas instalações que poderiam fornecer-lhes as provisões de emergência. Em vez disso, muitos decidiram dormir em seus carros.

Tokuda disse que percebeu que precisava encontrar uma maneira de ajudar os tutores de animais em situações de emergência depois de visitar Tohoku, menos de uma semana após o terremoto, tsunami e crise nuclear começarem.

“Quando visitei Tohoku, cães e gatos haviam sido colocados em abrigos, separados de seus tutores”, disse ele. “Eu poderia tê-los trazido de volta para Kumamoto, mas eles ficavam procurando seus tutores. Animais de estimação e tutores não deveriam ficar separados.”

Depois de várias organizações de defesa animal serem enviadas para a área para lidar com os animais de estimação, o Ministério do Ambiente compilou diretrizes enfatizando a importância de fazer os municípios ajudarem, pedindo para que hospitais de animais, organizações de direitos e voluntários prestassem assistência. Apesar de também dizer que animais de estimação deveriam ser autorizados a permanecer em abrigos, era quase como apenas lhes permitir que dormissem do lado de fora por consideração aos desalojados humanos.

Tokuda disse que aquilo não era suficiente.

“Animais de estimação evacuados devem ser autorizados a permanecer no interior dos abrigos”, disse ele.

Tokuda é agora um pioneiro nesta frente.

Quando Kyushu foi atingida por fortes terremotos em abril, ele estava preparado. Seu Ryunosuke Animal Hospital, na cidade de Kumamoto, forneceu abrigo para cerca de 1.000 tutores de animais e 2.000 animais que variavam de cães e gatos a tartarugas.

O veterinário tinha reformado seu hospital de animais dois anos antes, de modo que ele pudesse acomodar desalojados. O lugar estava abastecido com água e comida e até mesmo o seu próprio gerador de energia.

Ainda assim, necessidades inesperadas surgiram.

“Estávamos com poucos soros”, contou Tokuda. “Animais estavam desidratados porque não conseguiam comer ou beber. Animais de estimação se sentem nervosos depois de tremores secundários, e muitos deles vomitam o que comem ou ficam com diarreia.”

Embora alimentos para animais tenham chegado de todo o Japão, alguns animais levaram um mês após o terremoto para começarem a comer novamente.

Apesar da óbvia necessidade, o Ministério do Meio Ambiente disse que é difícil insistir para que municípios construam abrigos separados especificamente para tutores de animais devido a restrições financeiras, sociais e outros fatores.

O conceito de permitir que animais de estimação dentro dos centros ainda é novo, e a orientação do ministério foi realmente voltada para espalhar a ideia e promover a compreensão, disse o funcionário do ministério Motomitsu Taguchi.

Mas Taguchi também vê a necessidade de atualizar as diretrizes depois de testemunhar os acontecimentos em Kumamoto.

“Percebemos a necessidade de animais de estimação serem aceitos em abrigos de evacuação”, disse ele, acrescentando que o ministério pretende formar um conselho até abril próximo para revê-lo.

Por Daisuke Kikuchi / Tradução de Alda Lima

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