Veterinários alertam para verme encontrado em animais resgatados das enchentes

Veterinários alertam para verme encontrado em animais resgatados das enchentes
Dioctophyma renale é um verme que atinge os rins dos cães. Foto: Mauro Schaefer

As recentes enchentes que afetaram quase todo o Rio Grande do Sul trouxeram à tona uma preocupação urgente para os abrigos e equipes de resgate de animais: o aumento dos casos de Dioctophyma renale, um parasita que acomete principalmente os rins dos cães.

A médica veterinária Mariana Botelho, que atua até hoje nos resgates de animais voluntariamente, é ultrassonografista e já identificou essa infecção em diversos animais resgatados, especialmente aqueles provenientes de áreas insulares.

O Dioctophyma renale é um verme que atinge os rins dos cães, geralmente contraído pela ingestão de peixes ou rãs contaminados. “Os cães das áreas insulares são particularmente vulneráveis, pois costumam consumir vísceras ou peixes inteiros, que podem estar infectados com as larvas do parasita”, alerta a médica. Uma vez ingerido, o verme pode migrar pelo corpo do animal e se alojar nos rins, causando sérios danos.

Mariana alerta que a detecção desse parasita só é possível através de exames de urina ou ultrassonografia abdominal. Nos últimos cinco dias, vários veterinários relataram um aumento significativo nos casos, indicando que o problema é mais grave do que se imaginava inicialmente.

Os cães infectados pelo Dioctophyma renale podem não apresentar sintomas claros imediatamente, o que dificulta o diagnóstico precoce. No entanto, alguns sinais podem incluir dor abdominal, perda de apetite, sangue na urina e, em casos graves, insuficiência renal.

Solução e Tratamento

O tratamento para a infecção por Dioctophyma renale é a nefrectomia, ou seja, a remoção cirúrgica do rim afetado. Mariana ressalta a importância de realizar exames de urina e ultrassonografias abdominais em todos os animais resgatados das áreas afetadas pelas enchentes, especialmente aqueles das ilhas. “É crucial identificar e tratar os casos o mais rápido possível para evitar complicações maiores”.

Diante dessa emergência de saúde animal, os veterinários consideram que é essencial que o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul tome medidas imediatas para financiar os exames necessários para detectar a infecção por Dioctophyma renale em animais resgatados. A colaboração entre veterinários, abrigos e autoridades também é considerada como fundamental para controlar a disseminação desse parasita e proteger a saúde dos animais resgatados.

Conforme os veterinários, abrigos de animais e equipes de resgate precisam estar cientes dessa ameaça e necessitam realizar os exames necessários. A Dioctophyma renale não é contagiosa para humanos ou outros cães, a não ser que haja ingestão de peixe ou rã contaminados.

Por Guilherme Sperafico

Fonte: Correio do Povo

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