Veterinários portugueses em Beirute. Há ‘uma imensidão de animais de rua em más condições’

Veterinários portugueses em Beirute. Há ‘uma imensidão de animais de rua em más condições’
Beirute. Foto: AFP

Um simples saco de ração pode agora custar, em Beirute, mais de uma centena de euros. A viver um momento de crise, um mês após as explosões, a capital do Líbano está a tentar curar as feridas, mas os animais não são para já a prioridade. Com essa preocupação em mente, Mário Ferreira e Rúben Cândido, dois veterinários portugueses, viajaram para o Líbano, onde têm cuidado de de animais de companhia, sobretudo cães e gatos, mas deparam-se muitas vezes com a realidade de também os donos necessitarem de apoio.

“O que viemos tentar fazer foi mudar a vida de alguns animais e de algumas pessoas, porque já nos aconteceu acabarmos a ajudar animais cujos donos vivem em bairros muito pobres e não têm trabalho. Com a explosão, as suas vidas pioraram ainda mais, porque ficaram com as casas completamente danificadas.” A descrição de Rúben Cândido justifica a vontade dos dois veterinários, que se deslocaram até ao Líbano, na “tentativa de fazer algo que ainda não tinha sido feito”.

Ouça a conversa do jornalista José Carlos Barreto com os dois veterinários portugueses.

 

Um mês depois das explosões, os animais feridos já foram tratados, mas há muitos a vaguear pelas ruas, como conta Mário Ferreira, ouvido pela TSF. “Há uma imensidão de animais de rua em condições muito más, não só na cidade de Beirute como em todo o país, e, em bairros muito pobres, há uma grande concentração de animais porque as pessoas vão despejando restos de comida. É uma realidade muito diferente da nossa, em Portugal.”
 
Muitos têm sido os pedidos de ajuda por parte de quem não tem condições para tratar dos cães e dos gatos de companhia. “Sentimos muita gratidão por parte de quem nos rodeia, vêm ter connosco muitas pessoas com animais e sem forma de os manter e cuidar”, reconhece Mário Ferreira.

Rúben Cândido destaca o trabalho desenvolvido em que os muitos esforços compensam os escassos recursos. Ajudar Beirute a a varrer as cinzas, a sacudir o pó e a reerguer-se também passa por tratar dos que sempre fizeram parte da vida dos libaneses: os animais, salientam os veterinários portugueses. 

Fotos: EPA

Por José Carlos Barreto e Catarina Maldonado Vasconcelos

Fonte: TSF / mantida a grafia lusitana original 

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