Vídeo mostra abatimento de animais em reserva biológica de Sooretama, ES

Vídeo mostra abatimento de animais em reserva biológica de Sooretama, ES

Tatus e capivaras são espécies procuradas, segundo presidente de instituto. Caçadores também destroem as placas de alerta e equipamentos.

Câmeras utilizadas para monitorar uma pesquisa na Reserva Biológica de Sooretama, no Norte do Espírito Santo, flagraram o abatimento de animais por caçadores no local. Em entrevista ao Bom Dia ES desta quarta-feira (4), o presidente do Instituto Últimos Refúgios, Leonardo Merçon, informou que tatus e capivaras são as espécies mais procuradas. Além de matar os animais, os caçadores destroem as placas de alerta e equipamentos distribuídos ao longo da unidade florestal.

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A reserva de Sooretama tem, ao todo, uma área de 24.250 hectares de mata, com 90% das espécies de animais da mata atlântica. De acordo com Merçon, uma pesquisa sobre a ecologia das estradas que cortam a unidade de conservação é realizada há três anos no local e, por isso, as câmeras foram instaladas.

O presidente do instituto informou que o local é trajeto demarcado por professores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). “Não imaginávamos que eles seriam tão abusados, tão audaciosos, a ponto de fazer uma retaliação desse jeito. Essas câmeras são instaladas em um local que os caçadores entram na reserva, através da estrada. Provavelmente eles acharam que era por causa deles, mas não era”, falou o presidente do instituto.

O chefe da reserva, Eliton Lima, disse que poucos caçadores são identificados e, quando são, a pena aplicada é alternativa, ou seja, não há prisão. “É muito difícil identificar, porque eles estão mascarados e não temos suspeita ainda dessas pessoas. A pena desse crime vai de seis meses a um ano. Geralmente, essas pessoas apenadas têm alternativas de sentença, como o pagamento de cestas básicas”, destacou.

A caça dos animais é fomentada pela procura da sociedade pelas carnes exóticas, segundo apontou Merçon. “São pessoas que são contratadas para irem caçar. Então, isso para eles é um negócio, um comércio. Quem contrata esses caçadores são pessoas influentes, tanto que, quando eles são presos, não permanecem”, disse.

A lei de proibição da caça vale para todo o país, não só para as unidades de conservação, conforme ressaltou Merçon. Para ele, é preciso fazer um trabalho de conscientização das pessoas. “Se a sociedade for consciente, a lei não precisa ser tão dura. Fazemos projetos com crianças em escolas para fazer uma sociedade mais consciente no futuro”, afirmou.

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Fonte: G1

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