Vídeos com coleiras que dão choques em cachorros revoltam no Youtube

Vídeos com coleiras que dão choques em cachorros revoltam no Youtube

Esse caso nos faz ficar em dúvida se estamos mesmo no século XXI. A humanidade já evoluiu tanto, que é difícil de acreditar que algo assim ainda acontece. Vídeos com coleiras que dão choques em cachorros são os focos disso tudo. Ou seja, ainda há pessoas que acreditam que torturar animais ajuda na educação deles.  

Esses vídeos promovem o uso desses itens muito duvidosos. As instituições que lutam pelos direitos dos animais foram as primeiras a se manifestar. Em primeiro lugar, os supostos treinadores apresentam um produto. Ele ajudaria no treinamento, mas, o que vemos, é um show de horrores. 

Enquanto treinadores tentam criar formas de humanizar ainda mais os procedimentos, esses outros colocam punição e maldade neles. Tudo que envolve punição, dor ou incômodo não deveria ser oficializado. O objetivo das instituições, portanto, é não deixar que coisas assim se tornem comuns.  

Os vídeos revoltaram milhares de pessoas. Eles visavam mostra uma vertente de treinamento e esse produto. Os conteúdos atraíram a atenção de organizações que não ficaram nada satisfeitas. Além de serem inadequados e cruéis, os métodos seriam, inclusive, ineficazes. 

Vídeos com coleiras que dão choques são alvos de reclamações . (Getty Images)

A Blue Cross é uma organização de proteção e bem-estar animal. Após a repercussão dos vídeos, afirmaram que as coleiras deveriam ser proibidas. Se não fosse assim, ao menos, deveriam vir com avisos. Houve sinalização de que seriam proibidas, em 2018, em alguns países. Mas nada foi feito por enquanto. 

Os defensores das coleiras de choque afirmam que são eficazes no treinamento de cães. Por outro lado, as instituições dizem que não funcionam, e só punem os cães, que nem sabem o porquê de estarem sofrendo. Os treinadores que usam, dizem que são produtos seguros. Mas, algo que dá choques em animais é mesmo seguro? 

Os protetores dos animais temem danos psicológicos irreversíveis. O sofrimento dos animais não serviria positivamente no treinamento. Segundo a acusação, os cães podem ficar agressivos ou traumatizados. Outro ponto importante, é que nem todos sabem usar esses objetos. 

Quando um usuário tem como base apenas um vídeo de redes sociais, o caso se torna ainda mais perigoso. A falta de instrução, quando temos um produto perigoso, pode ser desastrosa. Em vez de um cão treinado e obediente, o tutor pode conseguir destruir a sanidade do animal. 

Tortura animal 

Por mais fracos ou seguros que possam ser, ainda estamos falando de choques. De acordo com Ryan Neile, da Blue Cross, “leva dois minutos para alguém assistir a um pequeno vídeo no YouTube e comprar um colar de choque sem saber como usá-lo”. 

Sendo assim, os vídeos incentivam pessoas a usar um produto perigoso. O perigo, em resumo, não é o tutor que passa, claro. Segundo a Blue Cross, há vídeos que mostram cães marcados e queimados por coleiras de choque. Isso já é mais do que suficiente para que sejam proibidas. 

Cães que deveriam se tornar obedientes e espertos, acabam ficando assustados e ansiosos. Muitas vezes não conseguem entender o que está acontecendo. A recomendação, é que os dons procurem treinamentos sérios, sem maldade. Há diversas técnicas que ensinam sem torturas. 

Os cachorros são bastante inteligentes, sendo assim, conseguem aprender e entender sem isso. Um cão aprende bem quando está tranquilo e confiante. Infligir medo e confusão no animal, portanto, não ajuda. Quem ama cachorros não dá choques neles para que façam truques.  

Abandono em meio a pandemia 

Durante o isolamento social, por causa da pandemia de Covid-19, muitas pessoas adquiririam cachorros. Digo “adquiririam”, pois nem todas adotaram. Muitos desse filhotes foram abandonados, já que os tutores não os queriam mais. Muitos cães foram negligenciados e abandonados. 

Houve também um crescimento relevante de criação ilegal de cães. Vendo que aumentou o interesse, criadores clandestinos usaram o momento para lucrar. Mas um negócio feito sem responsabilidade não exige um tratamento correto. Portanto, muitos pets foram simplesmente descartados.  

Ao mesmo tempo, com a falta de acompanhamento de criadores credenciados, adotante apelam a métodos duvidosos. Esses que usam coleiras com choques, por exemplo, não são muito indicados por amantes de animais. Sem a tutela de quem entende, o adestramento via Youtube se tornou opção.  

Enfim, é aí que mora o perigo. Para não pagar um treinador, ou por não saber muito bem o que fazer, os tutores usam redes sociais e dicas encontradas por lá. Os vídeos com coleiras que dão choques, em síntese, são encontrados como alternativas. 

Vídeos com coleiras que dão choques não ajudam no treinamento. (Getty Images)

Um médico é o mais indicado para cuidar de uma doença. A automedicação ou dicas via Youtube podem resultar em tragédia. Dessa forma, se o objetivo é treinar um cachorro, o ideal é perguntar a um treinador. Uma pessoa que dá choques em um animal para educá-lo é revoltante. 

Uma criança não é educada com violência, por exemplo. Até mesmo os pais mais antigos que pelavam às palmadas, o faziam para punir, não para ensinar. Sendo assim, infligir sofrimento para ensinar algo nunca deveria ser opção. Um treinador sério, chamado David Pitbladdo, por exemplo, luta contra as coleiras. 

Em um vídeo, o homem usa nele mesmo as coleiras elétricas. Com isso, ele mostra quão incômodos e pouco efetivos são os métodos. Se uma pessoa sofre, um cão também sofre. E se há sofrimento envolvido, em conclusão, não deve ser usado. Que as autoridades considerem isso e ajam contra esses aparelhos. 

Por Luiz Silva

Fonte: Curiosidades 

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