‘Vim tentar salvar outros cães e encontrei o meu’, perdido há dois anos em Santo Tirso

‘Vim tentar salvar outros cães e encontrei o meu’, perdido há dois anos em Santo Tirso
Tiago Moreira reencontrou Picasso e pensa agora processar o abrigo onde o animal esteve. Foto: Miguel Pereira / Global Imagens

Entre os inúmeros cães de um dos dois abrigos que arderam na serra da Agrela, em Santo Tirso, Portugal, houve um ladrar que prendeu a atenção de Tiago Moreira, domingo passado. “Olho, e é o Picasso! Vim tentar salvar outros cães e encontrei o meu. Até comecei a chorar quando o tirei para fora da jaula”, conta ao JN o tutor do braco alemão, de cinco anos, desaparecido há dois de casa, no lugar da Fonte, nas imediações da serra.

“Estava aqui, ao meu lado”, situa, ainda incrédulo, o vizinho dos abrigos instalados no meio de uma imensa mata de eucaliptos, onde o incêndio de sábado passado acabaria por pôr a nu a acumulação de animais praticada há anos. “Perguntei: como é que a senhora tem este cão aqui dentro?. Ela respondeu: “Foi um senhor que me deu. Disse logo que o cão era meu, mas já tinha vindo aqui há dois anos perguntar”, recorda o dono de Picasso, que prometeu processar a proprietária do espaço por roubo, já que o cão tinha chip.

“Já era normal elas [donas do “Cantinho das Quatro Patas” e do “Abrigo de Paredes”] apanharem os cães aqui na aldeia, perto das casas, levarem-nos e ficarem com eles”, lamenta Tiago Moreira, que a 15 de janeiro fez nova incursão na serra para perguntar nos dois abrigos se tinham visto uma cadela setter inglês, que também desaparecera da moradia da família.

“Carregado de pulgas”

“No abrigo de cima [“Cantinho das Quatro Patas”, onde morreram animais carbonizados], veio um senhor e quando perguntei se podia entrar, para ver se a cadela estava lá, começou a insultar-me, a empurrar-me e a dizer que aquilo era propriedade privada. Os de baixo [“Abrigo de Paredes”], disseram que não tinham o cão”.

Contudo, quando os populares invadiram os dois espaços, domingo, o dono de Picasso encontrá-lo-ia “carregado de pulgas”, no “Abrigo de Paredes”. “Fiquei revoltado por ter sido roubado. A população ficou mais indignada com o caso deste abrigo, por o meu cão estar aqui roubado, mas as condições do abrigo de cima eram muito piores. Já tinha denunciado estes casos, e ninguém fez nada”, diz.

Seringas para microchip

Segunda-feira, Tiago Moreira voltou ao “Abrigo de Paredes”, e relata ao JN ter visto “uma caixa com seringas usadas para pôr e tirar o microchips nos animais”. Na quinta-feira, ao final do dia, ainda era possível ver, no interior do jipe vandalizado da proprietária, seringas de uso normal.

Inquérito da IGAI

No incêndio de sábado à tarde, morreram 73 animais, de acordo com dados da Câmara de Santo Tirso. Face à polémica em torno do resgate dos animais após o incêndio, o veterinário municipal foi suspenso de funções. Decorre também um inquérito na Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI).

Por Ana Correia Costa

Fonte: JN / mantida a grafia lusitana original

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