Violência suspende resgate de animais do mais antigo Zoo de Gaza

Violência suspende resgate de animais do mais antigo Zoo de Gaza
Adel Hana

Falta de condições do Zoo de Rafah levou a organização internacional Four Paws a lançar uma campanha para salvar os “animais em sofrimento,” mas a operação teve de ser adiada devido à instabilidade na Cisjordânia.

Tsafrir Abayov

Perto de 50 animais chegaram a ser retirados do jardim zoológico sem condições onde viviam, em Rafah, cidade da Faixa de Gaza, situada no sul do enclave palestiniano sob bloqueio israelita, e transportados para uma reserva na Jordânia.

A organização internacional Four Paws (Quatro Patas) sedou os animais magros e frágeis – incluindo cinco leões, um lobo, raposas, macacos, avestruzes e gazelas -, retirou-os das jaulas em que se encontravam fechados “em condições horríveis” e levou-os em camiões para a Jordânia, via Israel, após longas negociações com as autoridades israelitas, que controlam as entradas e saídas de todo o tipo daquele território palestiniano.

Os animais “não estão em grande forma, mas o seu estado é suficientemente estável” para viajarem até uma reserva na Jordânia, a cerca de 300 quilómetros do enclave palestiniano, observou Martin Bauer, porta-voz da Four Paws, indicando tratar-se da maior operação levada a cabo pela organização.

“Este zoo enfrentou muitos problemas. É o mais antigo de Gaza. Muitos animais morreram, devido às condições meteorológicas e económicas, além dos problemas militares em Gaza. Manter o zoo era uma carga para o proprietário”, declarou Amir Jalil, também da Four Paws, salientando que a situação era especialmente penosa para os predadores de grande porte, encerrados em jaulas demasiado pequenas.

O zoo de Rafah tornou-se tristemente célebre em janeiro deste ano, quando quatro crias de leão morreram de frio, e pouco depois, foram divulgadas imagens de uma leoa à qual estavam a cortar as unhas com tesouras de podar.

“Espero que ninguém tenha que passar pelo que eu tenho passado. Criei alguns destes animais durante mais de 20 anos e perdi-os todos num momento”, lamentou Fathi Jomaa, o dono do zoo, dizendo esperar que agora possam ter uma vida melhor.

Mas o resgate dos animais durou pouco tempo. Esta segunda feira a organização internacional Four Paws(Quatro Patas) anunciava o adiamento dos trabalhos:

“Devido à constante agitação na Faixa de Gaza, vamos adiar nossa missão de resgate programada. O plano original era resgatar os animais do negligenciado Zoológico de Rafah e colocá-los em santuários na Jordânia e na África do Sul. A missão de resgate será retomada assim que a situação no terreno melhorar. Enquanto isso, moradores da fronteira de Gaza estão a apoiar a QUATRO PAWS alimentando os animais. “

Mohammed Salem

Na Faixa de Gaza, onde não há legislação para proteger os direitos dos animais, chegaram a existir seis jardins zoológicos, mas cinco deles encerraram devido à falta de visitantes e a dificuldades financeiras.

A situação económica no enclave costeiro palestiniano deteriorou-se gravemente desde que o movimento islâmico radical Hamas subiu ao poder, em 2007, altura em que Israel — que, como os Estados Unidos e a União Europeia, entre outros, o considera um grupo terrorista — impôs um bloqueio por terra, mar e ar.Encurralada entre o Mediterrâneo, Israel e o Egito, a Faixa de Gaza é um território esgotado por guerras, pobreza e escassez.

Desde 2008, o Hamas e Israel travaram três guerras.

Segundo a Four Paws, muitos dos inquilinos do zoo de Rafah morreram em bombardeamentos ocorridos desde a sua abertura, em 1999.

Os animais chegavam ali através de túneis que ligam a Faixa de Gaza ao Egito, atualmente quase todos selados.

A organização já tinha realizado operações de retirada de animais de Gaza, uma das quais a do único tigre existente naquele enclave, em 2016.

Em 2017, salvou também um leão e um urso de um jardim zoológico em Mossul, antigo bastião do grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico no Iraque.

Ibraheem Abu Mustafa

Fonte: Sic Notícias (com Lusa) / mantida a grafia lusitana original

Animais em péssimas condições são retirados de zoológico na Faixa de Gaza

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