Visitantes de zoo escrevem nome na pele de um rinoceronte

Visitantes de zoo escrevem nome na pele de um rinoceronte

“Camille” e “Julien” foram os dois nomes escritos no dorso de uma fêmea de rinoceronte no zoo La Palmyre, em Royan, no sudoeste de França, no passado domingo. A partilha das fotografias nas redes sociais originou uma onda de críticas. O zoo, num comunicado divulgado pela Royan News, disse estar “indignado com a estupidez e desrespeito” por parte dos visitantes.

Os visitantes usaram as unhas para escrever o nome no dorso de Noëlle, a fêmea de 35 anos, raspando pó, areia e pele morta, contou Pierre Caillé, diretor do zoo, explicando que o animal não ficou com marcas. “O animal pode nem se ter apercebido. Limpámos rapidamente as inscrições e não houve qualquer dano para o animal.” Valeu ao animal a proteção da pele grossa que pode ter 1,5 e cinco centímetros de espessura.

Naquele zoo, as barreiras entre os animais e as pessoas permitem que os visitantes possam tocar nos animais. A intenção do zoo é que os visitantes possam ter uma experiência memorável. O zoo afirmou que a maioria dos visitantes tem um contacto respeitador com estes animais e que vão poder continuar a contactar com os rinocerontes, mas admite colocar mais vigilantes junto às instalações para reforçar a educação ambiental do público.

A possibilidade de tocar em animais selvagens pode parecer uma experiência incrível, mas também é fortemente criticada, sobretudo entre quem é contra a permanência de animais selvagens nos zoos.

À Royan News, um visitante queixou-se, esta segunda-feira, não só das inscrições no dorso da rinoceronte, como do facto de o lago dos caimões ser usado como “fonte dos desejos”, para onde se atiram moedas, e de haver à venda uma espécie de pipocas para alimentar os animais. Pierre Caillé voltou a falar da experiência positiva para os visitantes, conforme o comunicado divulgado no Facebook, mas também destacou que é uma forma de evitar que as pessoas tentem alimentar os animais com produtos que não são adequados.

Na madrugada de sexta-feira, pelas 3 da manhã, um incêndio atingiu um armazém de 200 metros quadrados, com 20 toneladas de palha e feno, revela a Royan News numa publicação do Facebook. O comunicado garante que nenhum animal ficou ferido no fogo combatido por 34 bombeiros e cinco camiões.

As primeiras perícias policiais indicavam que poderia tratar-se de um acidente, mas horas depois do incêndio foi detido um homem de cerca de 40 anos, ex-funcionário do zoo, que admitiu ser responsável pelo incidente, lê-se num publicação da Royan News no Facebook. O homem, que vai ser submetido a uma avaliação psiquiátrica, admitiu também ter despejado detergente da loiça na água dos flamingos.

Por Vera Novais

Fonte: Observador / mantida a grafia lusitana original


Nota do Olhar Animal: O fato causa indignação, mas não surpresa, pois a existência de animais em zoológicos reforça a ideia para o público de que são objetos ao seu dispor, neste caso explorados para satisfazer a egoísta curiosidade de visitantes. Por que achar os animais querem ser tocados? O estresse diário leva os animais a comportamentos anormais e auto destrutivos. Às vezes, os funcionários de zoológicos dão aos animais antidepressivos, tranquilizantes ou drogas antipsicóticas para tentar ocultar seu sofrimento, por exemplo, caminhar, andar em círculos apertados, balançar ou automutilar – uma condição conhecida como ‘zoocose’. Zoológicos deseducam, naturalizando a violação dos interesses dos animais e o desrespeito às suas necessidades naturais.  A relevância no que se refere à preservação de espécies é questionável. E a imensa maioria dos animais mantidos em zoos sequer são de espécies ameaçadas. O interesse que prevalece é o financeiro, pelo que os zoos arrecadam com ingressos. Mesmo os que não cobram entradas, acabam por manter pessoas (administradores, tratadores, pesquisadores, etc.) às custas de diversas formas de violência contra os animais, a começar pelo confinamento em si. Estes acima são apenas alguns dos problemas causados por zoológicos, instituições medievais que devem ser banidas.

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