Zoo Rio vive incerteza com suspensão de concessão

Uma placa na porta do Jardim Zoológico do Rio, na Quinta da Boa Vista, anuncia a data de reinauguração do parque. Ninguém pode garantir, no entanto, que a visitação será reaberta no próximo dia 10 de novembro. A liminar que suspendeu o contrato de concessão entre Prefeitura e grupo Cataratas, concedida pela desembargadora Márcia Cunha, determina que o grupo devolva amanhã o Zoo ao município. Se nada mudar, a preocupação mais urgente é com os 1.300 animais que vivem no local, dos quais 130 são mantidos provisoriamente numa espécie de quarentena, enquanto o parque passa por reformas.

Nos últimos 20 dias, desde que assumiu o espaço, o Cataratas investiu aproximadamente R$ 2 milhões em melhorias, afirma seu presidente, Bruno Marques. O urso Zé Colmeia, que sofria maus-tratos em um circo quando foi resgatado pelo Ibama em 2007, é um dos animais que estão em local provisório, enquanto cem operários reformam sua área, inclusive a piscina. O espaço pensado para o novo casal de leões do zoológico está quase pronto.

— É a principal novidade que estávamos guardando para a reabertura. São dois jovens leões que hoje estão em um zoológico de Santa Catarina e ainda não foram batizados. Nossa ideia era escolher os nomes junto com o público — afirma Marques.

IBAMA COBRAVA AÇÕES

Causa apreensão a decisão judicial, mantida na última quinta-feira após recurso da Procuradoria Geral do Município. O Zoo do Rio, administrado pela Prefeitura, estava muito degradado. O Ibama passou três anos cobrando reformas emergenciais, estimadas pela Rio Urbe, empresa de obras públicas do município, em R$ 8,5 milhões. Em janeiro, o local foi interditado pelo Ibama. Na ocasião, o chefe de fiscalização do órgão no Rio, Vinícius Modesto, afirmou que “a visitação ao parque não é mais uma experiência positiva para as crianças ou a população em geral”.

O plano de reestruturação, elaborado pelo grupo Cataratas — responsável pelo Parque Nacional do Iguaçu, pela EcoNoronha e, agora, pelo AquaRio —, previa a transformação do zoológico, após dois anos e o investimento de R$ 65 milhões, numa espécie de parque da Disney. O projeto prevê que os animais não fiquem mais confinados em recintos, mesmo conceito de zoológicos modernos, como o de San Diego, na Califórnia. Depois de elaborado o plano, a prefeitura lançou o edital de concessão, vencido pelo grupo em uma concorrência com outras duas empresas.

Agora entram em cena os advogados do Cataratas, que tentarão hoje um recurso e um pedido de reconsideração à desembargadora Márcia Cunha. Eles vão alegar que o artigo 31 da lei 9074/95 não impede que a empresa responsável pelo projeto ganhe a licitação. Segundo o artigo, em licitações para concessão e permissão de serviços públicos, ao contrário das outras, “os autores ou responsáveis economicamente pelos projetos básico ou executivo podem participar.”

Procurada, a Prefeitura não se pronunciou. Ontem, o presidente da Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da OAB-RJ, Reynaldo Velloso, esteve no parque e disse estar preocupado.

— Vamos tentar sensibilizar o Poder Judiciário para suspender essa liminar. Essa decisão é um corredor da morte para 1.300 animais.

Por Caio Barretto Briso e Julia Amin


Nota do Olhar Animal: Os animais precisam de atendimento emergencial, não podem ficar desassistidos. Mas a continuidade do zoo é lamentável. O fim dessas instituições medievais é necessário, com o devido encaminhamento dos animais para santuários.

Os comentários abaixo não expressam a opinião do Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.