Zoológico de BH: visitantes reclamam de abandono e animais mal cuidados

Zoológico de BH: visitantes reclamam de abandono e animais mal cuidados
Espaço reservado ao rinoceronte branco no Zoológico de BH — Foto: Videopress Produtora

Quem visita, atualmente, o Zoológico de Belo Horizonte (MG) coleciona reclamações: mato alto, animais apáticos e falta de bichos são somente algumas das reivindicações. Por outro lado, representantes do espaço explicam que o zoo será reformado e que os bichos são valorizados e bem tratados.

O frentista Jefferson Jorge, de 34 anos, saiu de Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, para aproveitar o dia com a família no zoológico. Porém, o passeio não saiu conforme o esperado. Segundo o frentista, as instalações do local estão precárias. Além disso, ele também se assustou com a quantidade de aranhas em meio às árvores.

“O restaurante está caindo aos pedaços, tanto que ele está interditado. E isso é muito ruim. O que também me deixou insatisfeito foi ver a grande quantidade de aranhas nas árvores, porque não sabemos se esses bichos são venenosos e podem ferir meus filhos”, destacou.

Já Gleicy Kelly, de 32 anos, saiu de Contagem, também na Grande BH, com o sobrinho, de 1 ano, disposta a ver muitos bichos, mas isso não aconteceu. Ela foi embora chateada porque não viu a rinoceronte Luna. No entanto, no espaço destinado ao animal tem um comunicado informando que ela passa por um tratamento.

“Não vi muitos bichos, não sei se eles estão escondidos ou se, de fato, não tem animais aqui. O passeio foi bom, mas poderia ter sido melhor, principalmente porque trouxe meu sobrinho pela primeira vez no zoológico”, pontuou.

O que diz o representante do Zoológico

O presidente da Fundação Municipal de Parques e Zoobotânica, Sérgio Augusto Domingues, explica que a maioria das reclamações, na verdade, não são vistas como reivindicações. As aranhas e o mato alto nos espaços dos animais, por exemplo, são necessários.

“As aranhas que estão aqui no zoológico são de jardim. Elas fazem parte do nosso bioma e não podemos retirá-las, pelo contrário, ao ver as aranhas e as teias vale apresentar o animal para nossas crianças”, explicou Domingues, que ainda acrescentou que os espaços onde muitos animais estão possuem arbustos para que os bichos possam se sentir mais próximos de seus habitats naturais.

“Muitos animais vêm de áreas devastadas, aqui os reinserimos do melhor modo possível em um ambiente o mais parecido com o natural, por isso, que em muitos desses existem arbustos”, destacou.

Sobre a falta de bichos

Ainda conforme Domingues, o zoológico possui cerca de 3 mil animais, e por isso, não faltam bichos. Entretanto, a sensação da falta relatada pelo público pode ser explicada. Ele esclarece que antigamente os zoológicos funcionavam com o objetivo de exibir os animais de toda forma. Com o passar do tempo, essa cultura mudou e o que é valorizado é o bem-estar.

“Atualmente, o zoológico de BH cuida, respeita e trata os animais. Eles são colocados em ambientes o mais parecidos com seus habitats naturais. Respeitamos os horários que os bichos, por conta própria, escolhem para aparecer. Não existe aqui o exibicionismo de animais e a espetacularização da vida animal”, enfatizou.

Reforma

Domingues também esclarece que de fato, as instalações do zoológico precisam de atenção, afinal, o espaço tem mais de 60 anos, e por isso, em breve o zoológico vai passar por uma reforma. O restaurante, por exemplo, será demolido e outro será construído no espaço.

“Sabemos que a parte estrutural do zoológico está precária e antiga, muitos locais estão interditados. Um deles é o restaurante. Ele será demolido e em abril já saberemos quando as obras para a construção de um novo restaurante serão iniciadas. Enquanto isso não acontece, contamos com a parceria de foodtrucks nas áreas de lanche”, pontuou.

Por Alice Brito

Fonte: O Tempo


Nota do Olhar Animal: Triste ver que boa parte das reclamações tem a ver com o bem estar e outros interesses dos visitantes e não dos animais. As at5ividades que interessam aos bichos podem ser totalmente realizadas por centro de triagem, organizações científicas e santuários. O impacto da exposição dos animais à curiosidade do público já é motivo suficiente para que não ocorra, impacto esse evidenciado durante a ausência deste público durante a pandemia.

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