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Zoológico portenho se encontra em ruínas e crise no local cresce

Além da situação dos animais, há problemas de infraestrutura e funcionários denunciam negligência e maus-tratos. Dois projetos avançam para transformar o local em jardim zoológico.

Tradução de Adriana Aparecida Shinoda Marques

Argentina decadencia zoologico

O Zoológico de Buenos Aires já não é o que era antes, longe dos anos em que o parque localizado no bairro de Palermo brilhava e era considerado uma das principais atrações da cidade, já faz algum tempo que se mostra arruinado e em estado de abandono.

Além da polêmica sobre as mortes e os maus-tratos de animais que foram denunciados por ecologistas e funcionários (que em 2015 estiveram em conflitos salariais com a empresa concessionária), há problemas de infraestrutura em diferentes setores. Em plena crise e com um futuro incerto – o Zoo está em concessão para o Jardim Zoológico S.A. até 2017, que paga uma taxa mensal de mais de um milhão de dólares –, o “remédio” para esta crise consiste em como encarar uma transformação que o desvincule de suas origens, para que os animais deixem de estar enclausurados, sofrendo com o intenso calor e umidade, e em espaços muito reduzidos que os impede de se mover normalmente, entre outras dificuldades.

A preocupação é tamanha que chegou até à Assembleia Legislativa portenha, onde avançam dois projetos para transformar o campo que ocupa 18 hectares em um jardim zoológico e em um parque de conscientização ambiental.

Um dos projetos foi apresentado pelo legislador Adrián Campos (Partido Socialista Autêntico), e é baseado em um trabalho feito pela ONG SinZoo. O outro projeto é de autoria de Hernán Rossi (Suma+). Ambos têm um objetivo em comum: que os animais deixem de ser exibidos ao público.

Enquanto estas iniciativas tomam forma, o panorama retratado é desalentador em muitos aspectos. Por um lado, está o desgaste das instalações para o público (bancos, parapeitos, pisos, etc.), por outro, é impossível esconder as más condições nas quais se encontram os recintos onde estão os animais.

Reivindicações por demissões

Em uma conferência feita em 21 de dezembro de 2015 na Assembleia Legislativa, funcionários do Zoológico e deputados portenhos exigiram a reincorporação de seis empregados demitidos. A empresa alegou “pouca visitação”, mas um líder sindical denunciou “perseguição”, uma vez que se trata dos funcionários que vieram a público para denunciar a negligência que causou a morte de lobos marinhos.

Animais em perigo e descasos que provocaram mortes polêmicas

O caso da elefanta Mara: resgatada do extinto circo Rodas e atualmente vive com outros paquidermes em um espaço muito pequeno, pouco de acordo as condições adequadas, foi diagnosticada com zoocosis por especialistas, que consiste em uma série de condutas estereotipadas e repetitivas, acometidas aos animais em cativeiro devido ao seu estado de estresse, solidão e apatia, por consequência do espaço limitado.

A morte de Winner: o último urso polar que habitava o Zoo portenho faleceu no final de dezembro de 2012. Através de um comunicado, as autoridades do zoológico explicaram que a causa da morte foi a combinação de um temperamento nervoso aliado a picos incomuns de temperatura e aos fogos das festas de véspera de Natal.

O mistério dos lobos marinhos: morreram durante as férias do último inverno, com diferença de três dias. A ONG SinZoo denunciou que um deles faleceu de estresse, após realizar 15 shows em um único dia, e o outro por hiperingestão após ser alimentado pelos visitantes.

A filhote de girafa Esperanza: era uma das duas girafas gêmeas nascidas em outubro de 2015 no zoológico. “O macho se mostrou dominante e cresceu, a fêmea não mamou o suficiente e embora houvéssemos tentado compensar com soro, não adquiriu uma boa imunidade em suas primeiras horas de vida”, informou uma fonte do departamento veterinário.

Fuga de duas maras (Dolichotis patagonum): escaparam em novembro. Uma delas morreu atropelada por um ônibus e a outra foi resgatada pela polícia no Jardim Botânico.

Fonte: La Razon

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