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Zoológico sofre com ‘despejo’ irregular de animais silvestres

Um Jabuti Tinga em condições de maus-tratos foi deixado na portaria do local.

Por Marcele Tonelli

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Parece contradição, mas não é. ‘Casa’ dos animais, o Zoológico de Bauru tem sofrido com o “despejo” ilegal de bichos silvestres, em sua maioria vítimas de maus-tratos. Na quinta-feira (12) de manhã, mais um episódio preocupou a diretoria da unidade. Um Jabuti Tinga, originário da Amazônia, foi encontrado por funcionários na portaria.

O animal, uma fêmea adulta (com mais de 10 anos), se apresentava apático e com prolapso de intestino (parte do intestino estava para fora), além de estar todo contaminado por terra, sangue e excrementos.

Apesar de a unidade não poder receber animais de fora, a direção abriu uma exceção e acolheu o bichinho, que recebeu atendimento veterinário emergencial no local. “Não podemos aceitar, mas o estado do jabuti era tão complicado que acabamos fazendo toda a limpeza e procedimentos para salvá-lo”, comenta Luiz Pires, diretor do Zoológico de Bauru.

Por enquanto, o jabuti permanecerá sob custódia da unidade, que já contatou a Polícia Ambiental, responsável pela apreensão desses tipos de animais na cidade.

O departamento de fauna da Secretaria Estadual do Meio Ambiente também foi acionado e deve ficar responsável pela continuidade do tratamento e pela destinação correta do jabuti, que deve passar por um Centro de Triagem de Animais Selvagens (Cetas).

Abandono e risco

Pires conta que o abandono ocorreu por volta das 6h30, momento em que os portões do zoo eram abertos para a entrada dos funcionários. “Alguém, sorrateiramente, entrou no estacionamento e deixou junto à portaria uma caixa contendo o Jabuti, que estava todo machucado”, comenta Pires.

Ele explica que casos como o que ocorreu ontem têm acontecido com frequência. “Já encontramos passarinhos que não dentro do viveiro e até cágados dentro do tanque, uns quatro por lá. O pessoal aproveita o horário de visita e, sem ninguém ver, acaba despejando o animal, geralmente machucado e vítima de tráfico”, frisa o diretor da unidade.

Ele ressalta o perigo no ato do abrigo desses tipos de animais no zoológico. “Temos tudo controlado lá, mas se um animal doente entra em contato com os demais pode acabar contaminando todo o resto”.

Fonte: JCNET 

Nota do Olhar Animal: Fosse um santuário, seria objetivo mesmo dele receber, cuidar e encaminhar para o respectivo habitat (se possível) qualquer animal que lhes fosse entregue. Haveria estrutura para o devido isolamento, etc. Felizmente, neste caso específico, o animal foi recebido e cuidado. Mas os objetivos de zoos passam longe de pretender socorrer estes animais.

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